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Benfica-Belenenses, 0-0: Soluções do desespero

ENCARNADOS SEM RECURSOS PARA ULTRAPASSAR VISITANTES ORGANIZADOS E VENENOSOS

Foi um Benfica espremido no seu futebol e altamente condicionado pela escassez de soluções que possui para colmatar tantas e tão importantes ausências, aquele que ontem empatou na Luz com o Belenenses. Para os campeões nacionais foi o sexto jogo consecutivo sem ganhar, desta vez perante adversário que vive a angústia de ter sido construído a pensar na Europa, para estar agora bem mergulhado na luta pela permanência.

O dérbi de ontem deixou pendentes várias questões, relacionadas com o modo como o Benfica procurou vencer. A equipa atacou sempre em esforço e terminou em desespero; teve a bola mas viveu largos períodos em que não controlou o jogo; correu tantos riscos a procurar o golo, que chegou a estar à mercê de um golpe azul.

Controlar a bola

O Belenenses antecipou as intenções com a escolha do onze. Ao preferir Rui Ferreira (mais posicional) a Sandro (mais abrangente), José Couceiro previu com exactidão os moldes em que o jogo iria desenrolar-se. Apresentando uma equipa bem estruturada defensivamente, procurou evitar que o adversário utilizasse a transição ofensiva como arma desequilibradora, ao mesmo tempo que ia fabricando o perigo com três fisgas de médio alcance (Paulo Sérgio, Januário e Silas) com as quais procurou encurtar distâncias com Romeu.

Poder-se-á dizer que o Belenenses requereu ao adversário quase tudo quanto ele não pode oferecer de momento: paciência, qualidade de jogo, tranquilidade, solidez colectiva e poder de fogo na frente. Perante as dificuldades em chegar com perigo à zona de finalização, os encarnados não tiveram alternativa: controlaram a bola sem grande convicção (65% contra 35% ao intervalo), servindo o tempo para acentuar os sinais de que, apesar desse domínio fictício, era o Belenenses quem controlava o jogo.

Ameaça belenense

Sendo verdade que nenhum dos guarda-redes foi obrigado a grandes intervenções no primeiro tempo, Marco Aurélio precisou de estar mais atento ao que se passava nas imediações da sua baliza – Léo e Nuno Assis assinaram remates que passaram perto do alvo. Mas foi quando se desenhava uma corrida de sentido único que os azuis mostraram não estar ali só para controlar as operações. Aos 26’, Fábio Januário rematou para o desvio de Nélson e, aos 28’, Rúben Amorim atirou de longe, com intenção, ao poste direito da baliza de Rui Nereu. O que faltava dos primeiros 45’ ficou condicionado por esses dois lances que repuseram na realidade as ambições belenenses até então só expressas na teoria.

Mais perigo

Todo o segundo tempo mostrou um Benfica mais empenhado em chegar ao golo. O desespero cresceu como uma bola de neve, na mesma proporção com que o Belenenses recuou para unir as tropas e travar a força atacante do adversário. Marco Aurélio tornou-se figura central do jogo, com meia dúzia de intervenções de bom nível. Mas quando Ronald Koeman precisou de mexer na equipa para lhe dar acutilância e qualidade ofensiva, teve de recorrer a Alcides e Hélio Roque. O segredo da questão pode mesmo ter sido esse: é que José Couceiro, no fim, ainda lançou Pinheiro, Djurdjevic e José Pedro. A equipa não só aumentou eficácia como se refrescou para se atirar à conquista da vitória – Amaral perdeu grande ocasião aos 87’. No fim, o campeão assumiu o desespero. E, assim, só por milagre alguém consegue chegar ao golo.

Árbitro

Pedro Proença (3). Jogo complicado, em que tomou decisões difíceis, a maioria das quais acertadas. De um modo geral, conduziu bem as operações.
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