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Benfica-Belenenses, 1-0: Com muitas mentiras se deu verdade ao jogo

ENCARNADOS FORAM MELHORES MAS GANHARAM COM UM "PENALTY" INEXISTENTE

O Benfica venceu e venceu muito bem. Em termos "morais", a vitória dos encarnados não sofre a mínima contestação. Deveria, aliás, ter sido construída bem mais cedo, tal a avalancha ofensiva sobre a baliza de Marco Aurélio e a quase inexistente reacção do Belenenses.

Acontece, no entanto, que essa verdade do jogo acabou por ser feita através de uma grande mentira. O "penalty" que deu origem ao solitário golo do clássico só existiu na cabeça de Mário Mendes.

O árbitro, aliás, cedo começou a ver o que ninguém via e a não descortinar aquilo que foi evidente aos olhos de toda a gente.

O primeiro a ter razões de queixa foi o Benfica quando, aos 24', Nuno Gomes foi puxado por Neca na área azul. "Penalty" por assinalar e um eventual golo por marcar que poderia ter conduzido o jogo por outros caminhos.

E se Mendes viu motivos para considerar para grande penalidade a bola que depois de cortada por Amaral foi desviada para o braço, foi pena não ter visto pouco depois o toque de Ricardo Rocha em Lourenço que atirou o ponta-de-lança azul ao chão quando este armava a recarga a uma bola defendida para a frente por Quim.

Assim, a verdade do jogo, que é a vitória (indiscutível) do Benfica, ficou ferida por duas grandes mentiras.

Massacre

O Belenenses entrou bem. Prometeu muito em pouco tempo, mas a verdade é que acabou por fazer pouco em todo o resto do tempo.

O Benfica viveu atormentado pelo pânico do contra-ataque azul que raras vezes se efectivou. Ainda assim, Trapattoni não deu ordens para libertar os laterais. Dos Santos queria subir, mas teve sempre que travar. Miguel, se porventura quis, também deu a sensação de não ser capaz de o fazer (fisicamente, não está a cem por cento).

No entanto, a águia não precisou dessas asas para empurrar o Belenenses para o seu meio-campo e para a sua área.

Um "penalty" por marcar, 10 cantos a favor, uma mão cheia de brilhantes intervenções de Marco Aurélio, uma série de remates de fora da área a cheirarem a golo e uma bola tirada sobre a linha de golo (por Sousa) que ainda foi beijar a trave, eis o "filme" do "massacre" a que o Benfica submeteu o Belenenses durante a primeira parte.

Por que não marcou então o Benfica? Faltou estrelinha, faltou acerto na finalização – quase sempre "cavada" com remates de meia distância ou cabeceamentos de Gomes, Luisão e Rocha – e faltou sobretudo criar situações em que Simão, Geovanni, Assis ou Gomes surgissem na "cara" de Marco Aurélio. Dessas, não houve nem uma.

O "prémio"

O nulo do intervalo era castigo muito severo para o Benfica. Mas era assim que as coisas estavam (podiam não estar se a "bomba" de Petit tivesse encontrado a rede em vez do ferro) até ao momento em que Mário Mendes resolveu inventar um "penalty". Foi o inesperado prémio que o árbitro – com inegável sentido de justiça – resolveu oferecer.

Nessa altura já Trapattoni tinha feito as substituições do costume. Mantorras e Karadas estavam em campo, mas o Benfica tinha perdido o seu elã. Apesar de o Belenenses continuar a ser quase inofensivo, começava a suspeitar-se que das duas uma: ou Simão "inventava" um golo ou seria necessário esperar pelo milagre de Mantorras. Afinal, quem inventou foi o árbitro.

Olha o Belém!

Tivesse Mendes assinalado o tal "penalty" no agarrão a Nuno Gomes, e todos lhe ficaríamos agradecidos. Primeiro, porque teria agido de acordo com as regras; depois, porque lançaria o Belenenses em jogo.

É que depois de sofrer o golo foi finalmente possível descobrir que o Belenenses era capaz de jogar bem e ao ataque, com dinâmica e amplitude, enfim discutir o resultado e, como é costume dizer-se, jogar o jogo pelo jogo.

Acordou tarde, é certo, mas ainda assim a tempo de fazer estremecer a "catedral" e colocar o Benfica em dificuldades. Um "estoiro" de Paulo Sérgio obrigou Quim (como pode estar confiante, se Trap gere a titularidade através de um sorriso?...) a defesa de recurso e não fosse a falta de Ricardo Rocha e talvez Lourenço tivesse feito o golo do empate.

Não era justo, não senhor, mas o futebol tem destas coisas... e outras que muitas vezes mancham bons espectáculos. E o de ontem estava bem colorido de vermelho. E assim ficou.

Árbitro

MÁRIO MENDES (0). Lamentável. Uma falta mal tirada por corte limpo de Andersson foi mau prenúncio e o intervalo chegou sem que Mendes marcasse "penalty" num claro puxão de Neca a Nuno Gomes. O pior veio depois. Transformou em grande penalidade uma bola que bateu no pé de Amaral e tabelou no braço e não viu o toque de Rocha em Lourenço: devia ter sido punido com "penalty".
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