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Benfica-Belenenses, 2-1: Meteram medo só no minuto 90

CRÓNICA

"Não foi desta que o Benfica infundiu medo ao adversário. Não foi capaz de o pressionar, de o empurrar para a sua área, de agarrar no jogo. Mas Simão está em grande forma e Jankauskas voltou a ser decisivo"
Benfica-Belenenses, 2-1: Meteram medo só no minuto 90 • Foto: Pedro Sá da Bandeira
"É PRECISO que os adversários voltem a ter medo de nós" – disse Jesualdo Ferreira durante a conferência de imprensa semanal que precedeu o jogo com o Belenenses, procurando passar a mensagem aos jogadores da necessidade de assimilarem uma filosofia ganhadora em todos os jogos.

É um facto que o Benfica há muito que deixou de meter medo aos adversários e que não é de um momento para outro, por um passe de mágica, que as coisas vão mudar. É preciso tempo, muito trabalho e, como sublinhou Jesualdo, um conjunto de jogadores que percebam essa filosofia.

A verdade é que a qualidade do futebol apresentado ontem pelo Benfica não infundiu medo ao Belenenses. E a constatação mais palpável dessa realidade decorre do facto de a equipa nunca ter sido capaz de "agarrar" o jogo a meio-campo e pressionar o adversário, de o empurrar para as imediações da sua área e obrigá-lo a cometer erros defensivos. Pelo contrário, permitiu quase sempre que o Belenenses promovesse a circulação da bola no seu [do Benfica, bem entendido] meio-campo, justamente por falta de capacidade de "pressing". Ou seja, quando o Benfica recuperava a posse de bola, a área de Marco Aurélio estava, por regra, a quarenta, cinquenta metros de distância. Não foi por acaso que os lances de perigo criados pelo ataque encarnado resultaram maioritariamente de lances de puro contra-ataque, quase sempre através da velocidade de Simão [em grande momento de forma] e de Mantorras em lances de 1x1.

O problema residiu justamente na linha média, – Tiago sempre muito recuado e preocupado com a movimentação de Verona ou Neca e Andersson muito macio e sem capacidade para pegar no jogo e empurrar a equipa para a frente. Com a agravante de Zahovic, além de desempenhar um papel em termos de cobertura praticamente irrelevante, não provocar desequilíbrios no último terço do campo, dado que o seu rendimento continua muito aquém da categoria que se lhe reconhece. Houve, ainda, a defesa, onde Júlio César evidenciou uma "tremideira" surpreendente, mas não foi por aí que o "gato foi às filhós". Aliás, o Belenenses, apesar de ter tido períodos largos de posse de bola, não foi capaz de obrigar Enke a efectuar uma defesa digna desse nome. Faltou sempre à brigada de médios volantes que Marinho Peres lançou na sua estratégia de contra-ataque – esperaria ele, porventura, um Benfica mais pressionante e autoritário, a assumir a iniciativa do jogo – objectividade no último terço do campo para se tornarem um ameaça real que nunca foram.

Mesmo nesta conjuntura, o Benfica chegou ao golo antes do intervalo, num momento de inspiração de Simão [num lance em que a defesa azul foi apanhada em contrapé, evidentemente]. Mas o desequilíbrio provocado por Simão não durou até ao intervalo, já que o Belenenses chegou ao empate num golo esquisito e muito feliz, reconheça-se.

Este golo não teve o condão de espevitar uma reacção nos jogadores do Benfica. O cariz do jogo manteve-se na 2ª parte, com o Benfica pouco pressionante, a deixar o reforçado meio-campo azul manobrar, e a criar perigo, ironicamente, em lances de contra-ataque.

O sub-rendimento de Zahovic obrigou Jesualdo a trocá-lo por Drulovic, aos 60', uma alteração que se impunha. É verdade que com o jugoslavo as coisas não melhorarem que se visse, mas, pelo menos, teve um rasgo no lance que decidiu a partida, já em período de descontos. E Simão, claro, que além do grande golo que marcou e do que jogou, foi ele a roubar a bola a Lito e a lançar Drulovic para o golo de Jankauskas. E que dizer deste lituano, que facturou o seu sexto golo em seis partidas? Com o Benfica a jogar distante da área azul, mostrou-se inofensivo [efectuou o primeiro remate à baliza de Marco Aurélio, aos 62', e à figura deste], presa fácil de Filgueira. Mas no momento crucial do jogo apareceu no sítio certo a garantir a vitória.

Além das dúvidas que o lance do livre indirecto, em que Drulovic introduziu a bola na baliza de Marco Aurélio, suscita, e que MARTINS DOS SANTOS não sancionou, o seu trabalho foi irrepreensível e merecedor de nota alta.
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