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Benfica-Farense, 5-0: Algarvios votam no sonho da Luz

CRÓNICA

"O Benfica não poderia desejar melhor adversário para o jogo em que se isolou no 3º lugar do campeonato; com mais bombons destes, até o título nacional ainda poderia ser um objectivo; o Farense, esse, parece já não acreditar..."
Benfica-Farense, 5-0: Algarvios votam no sonho da Luz • Foto: Miguel Barreira
O BENFICA isolou-se ontem no 3º lugar do campeonato, ao vencer facilmente o Farense, um adversário cuja situação aflitiva na tabela não fazia supor tão fraca atitude. Porém, os jogadores algarvios parecem já não acreditar na manutenção, e deixaram-se bater, sem apelo nem agravo, por uma equipa que persegue a Europa e que, como disse Simão durante esta semana, aguarda ainda por escorregadelas de Sporting e Boavista para poder ainda sonhar com o título.

De facto, se todos "votassem" nesse sonho como o fez ontem o Farense, o Benfica poderia ter ainda aspirações a ser campeão. Sem poder contar com a referência-Jankauskas no ataque, Jesualdo Ferreira voltou a apostar em Simão Sabrosa como referência do sector. Com o apoio próximo de Miguel, o pequeno-grande jogador do Benfica confirmou o seu momento de grande forma, dando velocidade ao jogo sempre que a bola lhe chegava aos pés.

O Farense, por seu turno, não entrou no jogo como se fosse uma equipa que necessitasse absolutamente de pontuar. A verdade é que, apesar de todos os esforços de Paco Fortes para que os seus jogadores não falhassem passes, tomassem as melhores opções e levassem o jogo para as imediações da área do Benfica, tudo era feito com demasiada lentidão e hesitações constantes: os defesas demoravam tempo a intervir nos lances e confundiam-se logo que Simão acelerava; os médios começavam a pensar sempre que ganhavam a posse da bola, optando muitas vezes pelos passes para trás, até que surgisse alguma ideia; e o ataque ressentia-se de toda essa lentidão, sendo os seus jogadores facilmente batidos.

Dava a ideia que o Farense pretendia adormecer o adversário, travar-lhe os ímpetos com essa atitude contida. E o Benfica, parco de ideias, caiu num jogo monótono, atrapalhado, sem linearidade nas jogadas. Para haver perigo, era preciso que a bola chegasse a Simão. A lentidão do jogo favorecia o Farense, que ia conseguindo repartir as operações: um remate aqui, um canto acolá... até ao lance em que João Manuel Pinto levou a mão à bola e que o árbitro não sancionou, apesar dos protestos algarvios. Normalmente, estas coisas acontecem: quase na jogada seguinte, livre directo contra o Farense, e Simão, com uma execução perfeita, colocou o Benfica em vantagem.

O Farense não reagiu. Manteve o ritmo, inofensivo. A espaços, o Benfica criava perigo, e aos 32 e 34 minutos Mijanovic negou golos a Armando e Miguel. Na segunda parte, o descalabro algarvio foi total quando, com a entrada de Hassan, a equipa pareceu tentada a uma reacção. Nem teve tempo, tal o desnorte dos seus jogadores: o golão de Tiago, aproveitando as já atrás referidas hesitações dos defesas, cortou qualquer intenção de recuperação. Logo a seguir, e na mesma zona do terreno (!), Miguel fez um lance semelhante e atirou a contar.

O Farense pagava caro a atitude displicente com que encarava o jogo e não tinha sequer tempo de reacção. Em desespero, Paco Fortes juntou Ferreira a Hassan no ataque, mas o empolgamento era do Benfica, que aproveitou para construir a sua maior goleada da época. Com espaços no meio-campo e junto à defesa contrária, os jogadores da equipa da Luz sentiram-se nas suas sete quintas, desenvolvendo contra-ataques a seu bel-prazer. Zahovic e Drulovic, livres de marcações que os tinham incomodado na primeira parte, tinham finalmente tempo para executar, e um exemplo disso é o quarto golo, em que Drulovic, apesar de em posição irregular, recebe á vontade um passe de Zahovic e escolhe também à vontade o canto para onde rematar, em jeito. Outro exemplo da liberdade que o Benfica ontem gozou foi o quinto golo, de novo por Simão... de cabeça! Fácil de mais. Dificilmente até ao fim do campeonato o Benfica terá outro bombom assim.

PEDRO HENRIQUE fez fraca arbitragem: não assinalou o já referido "penalty" por mão de João Manuel Pinto; deixou o passar o fora-de-jogo de Drulovic no 4-0; e assistiu, aos 67 minutos, aos "mimos" entre Argel e Sousa, e depois Zahovic e Rodri, sem tomar qualquer medida disciplinar.
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