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Benfica-Gil Vicente, 2-0: A noite em que a águia sentiu o aroma do título

EQUIPA RECONCILIA-SE COM OS ADEPTOS E ASSUME LIDERANÇA ISOLADA

Perante as circunstâncias do campeonato de loucos, nesta competição sem rei nem roque, na qual tudo pode ainda acontecer, o Benfica deu um passo de gigante na luta que se adivinha espectacular até final da época. Em plena relação conflituosa com os adeptos e devidamente blindada às desavenças registadas no topo da hierarquia, a equipa de Giovanni Trapattoni sentiu ontem, talvez mais do que nunca, o doce aroma do título – que diabo, há quanto tempo o líder não tinha três pontos de vantagem?

Um dia após o desaire do FC Porto frente ao Nacional, a Luz soube interpretar o momento e reconciliou-se com os jogadores; percebeu o que estava em causa e foi tolerante; predispôs-se a ter paciência e deu início à mais do que previsível onda vermelha que poderá marcar a SuperLiga até final da época. Uma concessão feita apenas em nome da felicidade comum, porque nem tudo foi assim tão diferente das últimas prestações.

Muita imprecisão

Durante 45' o Benfica ensaiou um jogo marcado pela imprecisão do passe, pelo desacerto das movimentações colectivas e pela desinspiração das suas unidades mais talentosas. A equipa não conseguiu ser perigosa quando empurrou o adversário para junto da sua área e não encontrou espaços na fase de transição. No primeiro caso porque o Gil Vicente acertou as marcações e povoou bem os canais de acesso à baliza de Adriano; no segundo porque foi um conjunto descoordenado entre intenções e objectividade, entre velocidade e precisão.

A esses problemas que o Benfica não ultrapassou juntemos o equívoco da distribuição de tarefas entre Mantorras (mais perto dos defesas minhotos) e Karadas (mais abrangente na movimentação) – ficou a ideia de que os encarnados deram contacto físico a quem precisa de espaço e espaço a quem precisa de contacto físico.

Golo de Mantorras

Prova de que o clima nas bancadas nada tinha a ver com o registado nas últimas noites, a equipa encontrou serenidade para resistir às dificuldades e nunca perdeu a esperança. Esse foi o segredo para a explosão de uma festa que chegou a ser posta em causa.

Para que nada faltasse, o golo que desbloqueou o jogo foi espectacular – ter a assinatura de Mantorras foi apenas a cereja em cima do bolo. Em desvantagem no marcador, o Gil Vicente saiu finalmente da toca em que se meteu desde o início. A equipa de Ulisses Morais actuou excessivamente em função do adversário. Foi tão subserviente que nem sequer causou ao Benfica as dificuldades estruturais de cada vez que actua em 4x4x2. Os minhotos preferiram segurança máxima atrás (Ednilson como central, na marcação directa a Mantorras) a libertar uma unidade no miolo que levantasse problemas numéricos à dupla Petit/Manuel Fernandes – na qual se encaixaram Casquilha e Luís Coentrão.

Rovérsio expulso

Durante 20', o Gil procurou fazer o que nunca tentara: subir no terreno e aproximar-se, em continuidade, da grande área contrária. O Benfica aceitou as regras do jogo, recuou um pouco, dividiu a iniciativa e chegou a dar ideia de que se preparava para prosseguir essa toada até final. Não foi assim, principalmente porque Rovérsio foi expulso aos 72'. O Gil não perdeu a vontade mas deixou pelo caminho argumentos para incomodar Quim. O golo de Miguel, ao minuto 89, serviu apenas para pôr as coisas no lugar. É que, bem ou mal, só uma equipa pretendeu ganhar o jogo.

Árbitro

Rui Costa (2). Noite para esquecer do jovem árbitro portuense, excessivamente preocupado com as pequenas coisas e desconcentrado nas mais importantes. Aos 41', em jogada suspeita na área gilista, a dúvida estalou: "penalty" ou não sobre Karadas? Talvez tenha sido, mas o juiz assinalou falta do norueguês. A habilidade tradicional de quem não gosta de tomar decisões.
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