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Benfica-Gil Vicente, 2-0: Mawete rápido volta a atacar

CRÓNICA

MAIS um golo-relâmpago do supersuplente Mawete e um chapéu do capitão Meira permitiram ontem ao Benfica vencer um complicado Gil Vicente, ultrapassar o FC Porto na tabela e manter a pressão sobre o líder Boavista. A equipa benfiquista chegou a ter muitas dificuldades, nomeadamente enquanto depositou num Zahovic em sub-rendimento as esperanças do jogo atacante, mas acabou por justificar os três pontos graças a um adiantamento das linhas, que ocorreu sensivelmente a meio da primeira parte e teve o epílogo lógico quando Toni já tinha em campo dois pontas-de--lança. E, se João Tomás foi vendido e Sokota continua lesionado, mais não resta ao treinador que continuar a apostar no jovem Mawete, espécie de "Pepe-rápido" dos relvados, que depois da entrada fulgurante em Leiria, foi ontem um pouco mais lento: precisou de cinco minutos em campo para marcar.

O Benfica demorou muito a entrar no jogo, o que se explica com uma aliança de vários factores. À partida porque o Gil Vicente joga bem a bola, está cheio de futebolistas evoluídos no seu tratamento. Depois, porque os homens de Barcelos tinham superioridade numérica no centro do terreno (Luís Loureiro seguia Zahovic mas sobrava-lhe tempo para assessorar Casquilha e Ricardo Nascimento na luta contra Meira e Ednilson). E era por essa zona que o Benfica insistia em canalizar as ofensivas. Só quando adiantou as linhas para fazer o "pressing" à saída de jogo do adversário e, além disso, começou a aproveitar a velocidade de Simão e as insistências de Miguel pelos flancos é que o Benfica abalou o esquema do Gil Vicente.

Então, os encarnados passaram a ter mais a bola em seu poder e a cruzar com insistência para a área.É verdade que, apesar de ter visto o cartão amarelo à primeira falta, Lemos não se inibiu e se ia havendo bem com Mantorras, mas é igualmente inegável que a partir dos 20' o Benfica desmontou as virtudes do 4x3x3 de Luís Campos. Se até então tinha sido o Gil a beneficiar das melhores ocasiões de golo (cinco remates nos primeiros 20' contra dois do Benfica), daí até ao intervalo foi na baliza de Paulo Jorge que cheirou a golo, fundamentalmente em sucessivos livres na zona lateral da área.

Faltava ao Benfica criar alternativas de remate nestes sucessivos cruzamentos e foi por isso que Toni fez entrar Mawete para o lugar de Zahovic. Cinco minutos depois da alteração, num canto, o angolano fez o seu quarto golo esta época (soma aos dois na I Liga outros tantos na II Divisão B) e aliviou os adeptos, mas lança uma dúvida. É que cinco dos seis tentos obtidos pelo Benfica neste mês de Outubro foram conseguidos com dois pontas-de-lança em campo. O que fará então Toni quando o esloveno voltar ao seu nível, se está visto que não tem condições para sacrificar um dos médios-centro?

Com o golo, o Gil Vicente adiantou-se. Manteve o 4x3x3, mas trocou um avançado-centro móvel (Douala foi para a direita) por um verdadeiro homem de área (Manoel substituiu Marco Nuno). E o Benfica recuou (trocou Miguel por Andersson, passando igualmente a jogar em 4x3x3) para explorar o contra-ataque. Depois de rematar cinco vezes no quarto de hora inicial da segunda parte, os encarnados só voltaram a visar as redes de Paulo Jorge a 11' do fim, quando Meira passou finalmente a barreira do fora-de-jogo e fez o 2-0. O golo, com a expulsão de Sérgio Lomba, acabou com um jogo onde o Benfica teve de suar para vencer.

A arbitragem de Jacinto Paixão fica prejudicada pela validação do segundo golo benfiquista: ficou a ideia de ter havido falta no início da jogada e, depois, Mantorras estava em posição irregular quando tabelou com Meira. Mas quando uma equipa explora o "off-side", os erros podem sempre surgir.
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