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Benfica-Moreirense, 2-0: Vitória inédita da águia na greve da águia Vitória

CRÓNICA

Quando o homem, já em desespero, mandou soltar a aguia Vitória lá do cimo da bancada – essa mesma que não respondera ao pedido da criança que gritara o seu nome no relvado –, o público, não em grande número, terá ficado apreensivo. Se a águia Vitória não responde, se a águia Vitória não atravessa o campo como vem sendo um ritual na Luz, então essa coisa terrível do destino é bem capaz de funcionar. O povo, na sua sabedoria, terá logo começado a pensar que esta recusa, esta má criação do bicho, só poderia ser um mau prenúncio, uma fatalidade a juntar ao facto de os encarnados nunca terem vencido o Moreirense no seu estádio.

Mas não. O Benfica venceu com justiça e, a despeito dos níveis exibicionais terem andado pelas ruas da tristeza, a verdade é que a águia nunca se sentiu verdadeiramente ameaçada por um adversário que teve tanto de frágil como de submisso. Petit, em bom momento de forma (ele que é o melhor marcador da equipa, com dois golos, tantos como Karadas), teve arte e engenho para pegar na equipa e até para camuflar problemas bem evidentes. A realidade nua e crua manda dizer que, neste momento, o Benfica tem duas vitórias ao fim de dois jogos. É verdade. Daqui a uns meses, se a produção dos encarnados melhorar, já ninguém irá lembrar-se dos momentos menos bons de início de temporada. Mas a realidade também manda escrever que o Benfica não está bem, que ainda não se recomenda e, se esses sinais foram visíveis em Aveiro, contra o Beira-Mar, na Luz, frente ao Moreirense, foi altura de confirmar que a equipa está ainda à procura dos seus melhores momentos.

Equilíbrio

Vítor Oliveira fez uma boa leitura táctica e encarou a partida numa perspectiva de empate, na tentativa de enervar o adversário, de o levar ao desespero e a cometer erros. Para tanto, estruturou um meio-campo essencialmente de luta, com Luís Vouzela, Filipe Anunciação e Jorge Duarte, este último com Zahovic, e os dois primeiros atentos a Petit e a Manuel Fernandes. Na frente, Fernando pela esquerda e Lito pela direita tinham mais a preocupação se segurar os laterais do que apoiar o único ponta-de-lança (Manoel). Este desenho conferiu ao jogo algum equilíbrio e, até ao incrível falhanço de Simão, aos 19 minutos, raramente o Benfica conseguiu chegar perto da área da formação de Moreira de Cónegos. De livre, por Petit, chegou o golo e a esperança. Mas pouco mais. Do outro lado, a ambição também não era muita. Vítor Oliveira apenas se aventurou quase 15 minutos após o intervalo, quando trocou Lito por Afonso Martins e, mais tarde, Jorge Duarte por Armando. Nessa altura ouvia-se um coro de assobios na Luz, com a intensidade a aumentar no preciso momento em que Trapattoni resolveu trocar Zahovic por Paulo Almeida. Por estranho que possa parecer, o Benfica terminava (Nuno Gomes entrou nos últimos instantes) o jogo como o Moreirense começara, com três homens com características defensivas, deixando para Petit o papel de organizador! O povo, claro, não gostou da decisão do treinador, até porque todos queriam ver Nuno Gomes em acção. Já com Miguel a actuar como extremo, os encarnados melhoraram e, apesar do grande cerimonial em sair para o ataque, chegaram novamente ao golo, uma vez mais com intervenção de Karadas, avançado limitado mas generoso. No fundo, bem à imagem deste Benfica de quem se espera mais...

Árbitro

Rui Costa (4). Um nome que deixa saudades aos benfiquistas mas que, enquanto árbitro, não terá agradado aos adeptos encarnados. Rui Costa apitou vezes sem conta, é certo, mas ninguém pode apontar o dedo ao árbitro durante os 90 minutos do encontro. Esteve bem a acompanhar os lances e apenas mostrou um cartão amarelo (Orlando), já perto do final.
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