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Benfica-Nacional, 0-0 (5-3 g.p.): As musas adormecidas

ÁGUIAS SEM CHAMA SÓ NOS PENÁLTIS CONSEGUEM FURAR A MURALHA DO NACIONAL

As fontes de inspiração benfiquista continuam secas. Num jogo disputado em lume brando, o campeão só ganhou na lotaria
Benfica-Nacional, 0-0 (5-3 g.p.): As musas adormecidas • Foto: Vítor Chi
Em noite de emoções fortes, o Benfica seguiu em frente na Taça de Portugal, associando à festa com origem na marca de grande penalidade, duas horas de futebol sem chama, pouco imaginativo e com escassa preponderância dos seus maiores artistas. As musas da inspiração benfiquista adormeceram, viraram costas à equipa, deixaram-na entregue ao destino de um duelo complicado a todos os níveis com um adversário moralizado, que tem crescido esta época impulsionado por resultados muito para lá das melhores expectativas.

Valeu que, mesmo dependente de factores menos vistosos como o querer, a luta, o carácter e o combate contra a fortuna que parecia ter virado costas, o campeão acabaria por ganhar na lotaria dos penáltis. Porque todos os seus jogadores tiveram pontaria e um dos adversários não.

A doer

Depois de duas derrotas consecutivas, com 6 golos sofridos e apenas 2 marcados, Ronald Koeman optou por encarar o embate da Taça com a responsabilidade acrescida de quem ia jogar não só uma competição a eliminar como gerir o bem-estar do grupo para os próximos tempos.

A equipa não revelou cuidados excessivos na abordagem ao embate com o Nacional, superou os traumas recentes e lidou tranquila com os primeiros minutos de atrevimento madeirense.

Os encarnados apresentaram um sector recuado próximo do que jogou em Leiria (com Alcides no lugar de Nélson); trocaram Petit (castigado) por Beto e mostraram uma estrutura ofensiva que recuperou uma ideia gerada por alturas do confronto europeu com o Manchester United: Geovanni a ponta-de-lança, com Nuno Gomes nas costas – mais Manduca na direita e Simão na esquerda.

Nacional firme

Não foi automática a afirmação benfiquista no jogo. O Nacional entrou bem, com intenções claras de levar a bola para longe da sua área, procurando gerir a sua posse apenas para ficar a salvo de qualquer agressão.

Com a acção de desgaste levada a cabo pela dupla Beto-Manuel Fernandes (cuja eficácia se diluiu com o tempo) e suportada pelo acerto da acção defensiva, os encarnados criaram condições para disparar mais vezes no sentido da baliza de Hilário, também à custa da ampla movimentação de Geovanni, com origem no eixo central mas extensiva a todo o espaço de ataque.

Foi de uma insistência do brasileiro que nasceu a melhor oportunidade do jogo. Hilário falhou clamorosamente e foi obrigado a cometer falta para grande penalidade, que Simão havia de desperdiçar atirando ao ferro.

Sem soluções

O segundo tempo foi penoso. O Benfica procurou esticar o raio de acção do encontro, como quem sugere uma dança ao parceiro. O Nacional não foi no engodo; recusou a proposta, fechou-se com mais e melhores argumentos e obrigou o adversário a um rendilhado inconsequente, com sucessivos toques para o lado e para trás, tudo feito com pouco movimento e rapidez – corria quem levava a bola e os outros ficavam parados a ver o que o companheiro era capaz de fazer. Nunca o Benfica encontrou um buraco nas costas da defesa madeirense ou teve arte para activar os flancos.

Foi assim que o jogo chegou ao prolongamento. E só nos últimos 15’, por acção directa de Karagounis, os encarnados conseguiram levar perigo verdadeiro à baliza de um Hilário até então muito inseguro. O grego, auxiliado por Robert, criou várias situações de golo, quase todas desperdiçadas por Marcel.

Árbitro

João Ferreira (3). Louva-se a intenção de deixar jogar, que nem sempre foi acompanhada pelo rigor das decisões. De qualquer modo, trabalho positivo.
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