Record

Benfica-Nacional, 2-1: Sarar feridas recentes com tiro e cabeça fria

CRÓNICA

Golos de Karadas e Sokota permitiram ao Benfica somar os três pontos perante um Nacional que, no fim, ainda pregou grande susto
Benfica-Nacional, 2-1: Sarar feridas recentes com tiro e cabeça fria • Foto: Paulo Calado
Foi o mérito da acção conjunta do treinador (soube mexer na equipa) com a vontade expressa pelos jogadores (sempre disponíveis, mesmo quando pouco inspirados) que explicam o triunfo indiscutível do Benfica sobre o Nacional. Tudo num cenário difícil para os encarnados. Pelo que sucedeu na hora e meia e pelos antecedentes que a enquadravam.

Se a derrota com o FC Porto causou feridas múltiplas; se os arranhões mais significativos se viram do exterior, através do resultado e do encurtar das distâncias na classificação; se o futuro, de repente, se tornou menos risonho e a crença em tudo o que foi feito podia ter ficado abalada, então o Benfica tinha ontem, depois da vitória para a Taça UEFA, um teste ao seu estado de saúde psicológico. Faltava saber, afinal, se os efeitos do resultado com o FC Porto tinham atingido a esperança dos adeptos e o orgulho dos jogadores.

O Nacional chegou à Luz assumindo um papel próximo do psicanalista. Fê-lo totalmente indiferente à saúde do adversário. Para começar manteve a estrutura de 4x3x3, com a qual se encaixou totalmente nas exigências tácticas levantadas pelo Benfica; depois nunca teve razões para se atemorizar e só com o tempo assumiu que o empate não seria um mau negócio.

Transição

O facto é que o Nacional não quis ser um interveniente passivo na história. Distorceu o papel que teoricamente lhe cabia como psicanalista e ao fim de muito ouvir também quis falar. Teria havido um grave conflito, não fosse dar-se o caso de o Benfica, a partir de certa altura do primeiro tempo, ter revelado que, bem vistas as coisas, também não tinha assim tanto para dizer.

Com um meio-campo composto por Paulo Almeida (competente na sua área restrita mas sem mobilidade e abrangência), Zahovic (muito próximo de Karadas e por isso mesmo sem espaço para organizar) e Manuel Fernandes (certinho em quase tudo mas pouco explosivo e dinamizador), o Benfica revelou o primeiro problema do seu futebol: a incapacidade gritante e quase total de garantir as transições; de transformar uma bola ganha em acção defensiva num lance de envolvimento, de trás para a frente, rumo à baliza do Nacional.

Presença

Mas não era só nesse capítulo que o problema se levantava - e convém dizer, desde já, que o único benfiquista capaz de esticar o jogo em profundidade foi Miguel, no flanco direito. A questão é que, no momento de se instalar junto à área insular, o Benfica não apresentava soluções. Em primeiro lugar porque os seus jogadores não ganharam os duelos individuais e, depois, porque faltou, de uma forma geral, presença no ataque e na área.

A partir de certa altura, o Nacional sentiu-se cómodo no seu 4x3x3, com um misto de zona e marcações individuais. Em toda a primeira metade, Karadas falhou o remate após bom lance de Miguel (26') e Luisão, na sequência de um livre, cabeceou à barra (38'). Foi o melhor que se pôde arranjar.

Mudanças

Após o intervalo, Trapattoni não esperou muito para introduzir mudanças. Fez entrar Sokota para o lugar de Zahovic e arrumou a equipa de forma a ter mais poder físico na zona de finalização; tirou João Pereira, meteu Geovanni e arranjou condições estruturais para se abalançar verdadeiramente à procura do golo.

Antes do início da cavalgada vitoriosa, e no mesmo lance, Ferreira e Serginho Baiano podiam ter inaugurado o marcador (52'). Foi a partir de então que o Benfica assumiu todas as despesas do jogo. Com Simão mais solto, Karadas na esquerda, Sokota no eixo central e Geovanni na direita, a equipa galvanizou-se. Mesmo com um futebol inclinado para o flanco direito, a pressão fez-se sentir; mesmo com assimetrias claras, o golo passou a ser uma questão de tempo. A sensação da derradeira meia hora teve como resposta o espectacular tiro de Karadas e a cabeçada vitoriosa de Sokota.

Susto

Quando o jogo estava controlado e a vitória parecia garantida, o Nacional introduzindo no jogo um clima emocional inconveniente para os benfiquistas. Para quem pretendia uma noite sem sofrimento que permitisse um santo regresso às vitórias, o golo de Goulart aos 88' foi susto tremendo. Sinal de que, mesmo com os três pontos no bolso, o Benfica mostrou que continua a haver muito trabalho mental para fazer.

Árbitro

MÁRIO MENDES (1). Uma actuação desastrosa na primeira parte, com intervenção excessiva no jogo - 33 faltas, algumas inexistentes. Quando melhorou o nível cometeu deslize inacreditável. No lance do golo do Nacional deu indicação de livre indirecto - tinha o braço bem levantado. Ora como a bola não bateu em ninguém, o golo não devia ter sido sancionado.
34
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Benfica

Notícias

Notícias Mais Vistas

M