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Benfica-Naval, 0-0: Faltou franco-atirador

EXPULSÃO DO CENTRAL DESAPROVEITADA POR ABERRANTE FALTA DE PONTARIA

Um atirador (também conhecido como atirador especial, atirador furtivo ou franco-atirador) é um soldado de infantaria especializado em armas e pontaria. Persegue e mata inimigos seleccionados com um único tiro de espingarda. A palavra em inglês, “sniper”, tem origem em “snipe” (narceja), uma ave muito difícil de apanhar pelos caçadores.

Serve esta introdução para enquadrar a aberrante noite vivida pelo Benfica. Porque o que faltou a Koeman foi ter na equipa um franco-atirador, alguém que transformasse em golo a enxurrada de remates que ocorreu após a expulsão de Franco. E teria bastado um, furtivo, paciente, certeiro, por troca com os tiros de metralhadora que fizeram mais estardalhaço do que mossa no guardião Taborda.

Basta recordar Liverpool para perceber que os encarnados foram do 8 ao 80 (no caso, vice-versa). Em Inglaterra, dois tiros garantiram a vitória; ontem, na Luz, Simão rematou sete vezes, só para dar o exemplo mais contraditório. A baliza de Taborda pareceu uma narceja.

Mas não é apenas na falta de pontaria e no acerto do guarda-redes nas bolas defensáveis que o nulo final é justificado. Ao Benfica pedia-se tarefa difícil, a de manter os níveis de concentração e motivação após o filme épico de Anfield Road, mas a primeira parte provou que era pedir de mais aos jogadores serem capazes de confundir a camisola verde da Naval com a vermelha do Liverpool. Em ritmo lento, deixaram-se encaixar nas marcações contrárias e perderam-se na previsibilidade do ataque.

Até à expulsão de Franco (56’), os encarnados não tinham conseguido enquadrar um remate sequer à baliza do descansado Taborda. Não foram muitos, mas os suficientes para criarem uma tendência, que nem a progressiva subida no terreno de Nuno Gomes anulou. O número 21 começou, como é habitual, nas costas do homem mais adiantado, Geovanni, mas aos poucos Koeman percebeu que a Naval, a jogar recuada, não ia dar espaço à velocidade do brasileiro. Daí que a troca de posição entre os avançados fosse natural. O que o treinador não esperou foi a ineficácia da mudança.

Pássaro na mão

Após uma entrada estranhamente branda na segunda parte, o Benfica viu-se a jogar contra dez. Nuno Gomes foi o primeiro a fazer com que Taborda mostrasse serviço (59’) e o que se seguiu foi mais uma tentativa de aproveitamento de uma superioridade numérica caída do céu do que um assomo de brio dos jogadores.

Mas a narceja não se deixou apanhar, nem mesmo quando o Benfica teve o cano da espingarda encostado à sua cabeça. Anderson, primeiro, fez de central na grande área da Naval, quando só tinha de empurrar a bola para a baliza deserta; Marcel, nos descontos, surgiu isolado (fora-de-jogo) e atirou ao lado quando tinha Taborda pregado ao chão praticamente a pedir misericórdia.

Pelo meio, a raça fulminante de Léo pareceu ter encontrado a solução, mas Carlos Xistra não concedeu o justo penálti ao brasileiro. E Karagounis tentou fazer o serviço com a arma de longo alcance. O resultado foi o mesmo mas destaque-se o exemplo.

A Naval, no meio deste festival de desperdício, pouco mais fez do que figura de alvo, sobretudo após a saída de Franco. E as poucas emoções que teve bem as pode agradecer às luvas escorregadias de Moretto, a oferecerem dois cantos.

O Benfica teve o pássaro na mão e viu 2 pontos a voar. E talvez o título...

Árbitro

Carlos Xistra (1). Nódoa negra ao não assinalar penálti de Carlitos sobre Léo (80’) e traído num fora-de-jogo mal tirado ao mesmo. Bem a expulsar Franco.
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