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Benfica-Penafiel, 1-0: Cerimónias do visitante dão prendas ao da casa

NA GESTÃO DE UMA EQUIPA HIPERLIMITADA VALEU O ADVERSÁRIO

Os avisos de Trapattoni tinham razão de ser e foram entendidos pelos jogadores do Benfica. Com naturais receios de não poderem corresponder às múltiplas pressões (as lesões limitativas, a vitória do FC Porto na véspera e a derrota do Boavista em Braga minutos antes), os comandados do italiano assumiram que a melhor forma de chegar ao objectivo – a vitória – era jogar com todas as cautelas e esperar que o adversário não lhes colocasse demasiados problemas. Foi assim, grosso modo, que o Benfica chegou aos três pontos e parte para a miniparagem de Natal e fim de ano com o sentimento de dever cumprido. Mas sempre dentro dos mínimos exigíveis, não sobram dúvidas.

O Penafiel, também ele limitado nas já de si curtas opções, optou por uma atitude que serviu às mil maravilhas aos propósitos do Benfica. Em tempo de festas, os visitantes levaram a peito a máxima segundo a qual ninguém deve portar-se mal em casa alheia. Sem arriscar um milímetro para lá do meio campo, o Penafiel foi o parceiro ideal para o Benfica ter um Natal feliz.

Lentidão

Com Geovanni e João Pereira a funcionarem bem pelo flanco
direito, o Benfica cedo assumiu o comando do jogo e a busca da baliza contrária. Mas a dinâmica daqueles dois elementos não contagiou os restantes companheiros e apenas Bruno Aguiar pareceu disposto a aceitar o repto.

O primeiro sinal de algum perigo para a baliza de Avelino aconteceu aos 5’ quando Karadas apareceu na área mas foi bem travado por Welinton. O mesmo jogador, dois minutos depois, negou o remate a Sokota. Parecia que o Benfica ganhava confiança para riscos maiores, mas as cautelas encarnadas aumentaram quando, aos 15’, Wesley obrigou Quim à mais difícil defesa da noite, após uma perda de bola de Petit.

Prenda do céu

Foi Karadas quem quebrou a barreira do medo e ganhou uma falta perto da linha lateral da área. Petit cobrou o livre e, no poste contrário (o esquerdo da baliza de Avelino), surgiu Argel, à vontade, a saltar e a fazer o golo nas alturas. Uma prenda vinda do céu e o Natal estava garantido para o Benfica.

Até ao intervalo a emoção só voltou num lance duvidoso entre Nuno Silva e Sokota, mas sem falta do defesa, e num remate de Bruno Aguiar, de pé esquerdo, ao lado.

Velocidade

Depois do intervalo o Benfica surgiu mais desinibido, mais veloz e a mostrar que não estava satisfeito com o estado de coisas. Geovanni não estava tão activo como na primeira parte, mas Bruno Aguiar, Petit e Karadas davam bons sinais para as bancadas em festa.

Depois de Fernando Aguiar ter pregado um susto a Quim, com um remate falhado na pequena área após um canto, foi a vez de o Aguiar do Benfica, Bruno, testar os reflexos de Avelino.

Remate violento à entrada da área e defesa do número 1 visitante para canto. O Benfica, ainda assim, não abdicava das cautelas defensivas apesar do Penafiel não dar mostrar de poder causar problemas ao sector recuado da Luz.

Mais duas jogadas arrancaram aplausos, com Karadas e Simão a brilharem mas sem consequências no momento do remate. Era um jogo do gato e do rato, a ver quem tinha coragem de arriscar um pouco mais.

E foi Luís Castro a arriscar, com a dupla substituição aos 60 minutos. Colocou Rolf e Roberto em campo e por instantes ficou a ideia que o Penafiel seria capaz de ir em busca do golo.

A vontade dos dois reforços em mostrar serviço animou um pouco as suas hostes e o Benfica reforçou as cautelas.

Ficava definitivamente comprometida a vontade encarnada de ir em busca do segundo golo.

Aos 72’ o mais grave erro da equipa de arbitragem, ao ser assinalado fora-de-jogo a Sokota a passe de Simão. O croata não estava em posição irregular mas mesmo assim não acertou com a baliza.

Até final, como sempre acontece nestas circunstâncias, o Penafiel fez o que lhe competia – tentar o empate, finalmente. Nunca o fez com serenidade mas ainda assim causou dois ou três momentos de aflição para a defesa do Benfica, onde Argel se mostrou à altura dos acontecimentos e o estreante Alcides procurou não lhe ficar atrás.

Mas o apitou final de Lucílio Baptista chegou sem alterações no marcador. Ganhou quem teve um pouco de medo a menos.
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