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Benfica-Penafiel, 4-0: Beber no fundo do poço

SEDE DE VITÓRIAS APLACADA COM GOLEADA SOBRE UM FRÁGIL ADVERSÁRIO

A sede de vitórias que acossava a garganta do Benfica há duas jornadas, com uma eliminatória da Taça (0-0 e vitória nos penáltis) pelo meio a não fazer mais do que colocar pingos de água em lábios ressequidos, só não se pode dizer de forma convicta que deu em fartura porque foi matada com água do fundo do poço, ou seja, ante um Penafiel a puxar os “galões” de último classificado da Liga.

O Benfica, perante um cenário em que era preciso aproveitar as fragilidades de uma equipa condenada a descer de divisão, deu-se ao luxo de praticamente oferecer 45 minutos de tédio aos adeptos. No entanto, para pontuar como as coisas podiam e deviam ser fáceis, o golo de Geovanni acalmou o grupo e rebateu qualquer dúvida em relação ao resultado final de uma tão grande diferença de valores em campo.

O Penafiel até chegou a assustar em três cantos – ganhou sete na primeira parte –, mas aqueles foram mesmo as últimas cantorias do cisne, pois o regresso do intervalo trouxe um petisco ainda maior para as esfomeadas águias, mais determinadas em juntar uma boa exibição à vitória eminente.
Sinal de que Ronald Koeman não estava satisfeito com o que vira nos primeiros 45’ veio do balneário, com as substituições de Manduca e Karagounis por Nuno Gomes e Manuel Fernandes.

Se o brasileiro ex-Marítimo foi demasiado leve na ajuda a outro “levezinho”, Geovanni, o grego foi simplesmente peça a menos na manobra, deixando espaço para o motor de Petit pautar a cadência do ataque e até passar por artista, no excelente passe a isolar o autor do primeiro golo. Nas alas, quer Simão, quer Robert (o francês joga devagar, até à exasperação de quem espera mais dele) sentiam dificuldades em romper barreiras.

Os despojos do dia

A segunda parte revelou o grau de descrédito da formação visitante, à qual não valeram meia dúzia de exibições briosas. Não há lugar para milagres na lenta agonia que será a caminhada do Penafiel até final do campeonato, e a Luís Castro, nesta fase, não se pode pedir muito mais. Sobretudo quando a equipa dispara tiros no próprio pé, no caso o autogolo de Roberto, que “matou” um jogo já de si moribundo e em nítido sentido único após o intervalo: o Benfica dominava à vontade.

Com Petit sempre em alto rendimento e Léo a meter a quinta no flanco esquerdo, os encarnados chegaram tranquilamente ao terceiro e depois quarto golos, este também a servir de paliativo para Simão, que antes falhara na cara de Vinícius e vira o público aplaudir quando disparou a bola para as nuvens num livre directo. O jogo também deu para capitão e adeptos fazerem tréguas.

Foi apenas um dos despojos do dia para Koeman, que precisa de elevar rapidamente os níveis de confiança dos jogadores, quando se avizinham deslocação a Guimarães e recepções a Liverpool e FC Porto. Para casa levou outros bons apontamentos: o regresso de Nuno Gomes aos golos; a segurança da defesa, a repetir o zero da partida com o Nacional; a atitude competitiva de Manuel Fernandes, à procura da melhor forma; a felicidade de Geovanni ao marcar actuando no lugar que mais gosta.

Mas o Penafiel não representou um verdadeiro teste à recuperação da equipa. E outros sinais permanecem inquietantes: Karagounis ainda é um peso morto; Manduca não parece mais-valia; Robert tem demasiado sangue frio e joga sem paixão; Marcel entrou mal. Há trabalho de casa para fazer.

Árbitro

Nuno Almeida (4). Autoridade e correcto discernimento disciplinar estiveram na base de um trabalho em que ajuizou bem os lances mais polémicos.
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