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Benfica-Real Madrid, 2-2: Bela prova de carácter de uma equipa a crescer

CRÓNICA

O Benfica soube interpretar a solenidade do momento. E só assim conseguiu festejar o centenário sem derrota
Benfica-Real Madrid, 2-2: Bela prova de carácter de uma equipa a crescer • Foto: João Trindade
Uma grande prova de carácter, revelada pelo Benfica na hora de maior aperto, concluiu com chave de ouro uma noite em que os encarnados provaram de forma inequívoca a assimilação de novos conceitos e ideias.

Durante hora e meia, a equipa fez sempre o que lhe competia: assumiu o comando das operações, indiferente ao risco de não suportar o ritmo até final; teve talento e tranquilidade para buscar o golo que lhe foi fugindo; deixou subentendida a raiva de ver o adversário chegar à vantagem e passou os últimos minutos numa correria desenfreada à procura do empate.

A equipa deu ao momento a importância que ele teve. Cem anos na vida de uma instituição tão grandiosa como o Sport Lisboa e Benfica não merecia que a festa do centenário fosse estragada com uma derrota. É esse apelo ao mais íntimo do orgulho encarnado que explica um empate mais do que justificado ao longo da partida.

Requintes

Da parte do Real Madrid foi possível detectar o requinte das coisas bem feitas: o toque sumptuoso, o drible extraordinário, a combinação que surge com ou sem treino, prova de que o futebol é um jogo de cumplicidades em que, no essencial, os bons sabem todos o que devem fazer, com ou sem bola.

Depois faltou a dinâmica de quem está no arranque da nova época; a adrenalina das coisas importantes, o peso motivador das grandes decisões. E sobrou um Benfica muito decente, com armas suficientemente fortes para fazer frente a qualquer equipa e que pôs em sentido este Real Madrid que, mais ou menos atrasado na preparação, continua a ser uma equipa do outro Mundo.

O Benfica de Trapattoni confirmou todas as indicações dadas nos embates anteriores. É uma equipa cheia de motivação e cada vez mais entrosada; que joga segundo uma ideia e ainda procura um estilo que lhe permita tirar mais partido dos recursos ao seu alcance; um conjunto composto por jogadores que respeitam o espaço e a posição que ocupam e, talvez até mais importante do que isso, dominam perfeitamente as funções que desempenham, quando, como e o que fazer em qualquer circunstância do jogo.

Solenidade

A partida começou com dois golos no espaço de um minuto. Nunca se saberá o que seria um Benfica empolgado pela vantagem no marcador, empurrado pela força da solenidade do centenário, perante um adversário que, só por si, constitui motivação extra. Mas sabe-se o que foi o Real salvo pelo empate conseguido imediatamente a seguir, momento que teve o condão de travar a euforia encarnada, introduzindo-lhe preocupações acrescidas ao desenvolvimento do seu futebol.

À falta de disponibilidade física para ser uma equipa espectacular, o Real jogou pelo seguro, foi inteligente na abordagem ao embate e não esteve para correr riscos. Até porque o Benfica tentou sempre ter a bola e chegar à baliza de Casillas em condições de o desfeitear.

Velocidade

O "pressing" benfiquista, que há-de ter as marcas de Trapattoni, ou seja, será o mais alto que o pulmão, o músculo e a inteligência permitirem, ficou a meio do objectivo final, tendo a linha de meio campo como ponto de referência.

Durante toda a primeira parte os encarnados tiveram grande segurança defensiva, a começar pela eficácia da dupla Paulo Almeida/Petit. Enquanto isso, Zahovic, Simão e Sokota foram preciosos no perigo que deram ao ataque organizado, enquanto Miguel (sobretudo ele) e Geovanni garantiram velocidade à transição rápida que transformou lances inofensivos em momentos de apuro para o último reduto madridista.

Substituições

No segundo tempo, Trapattoni manteve a equipa, enquanto Camacho (bela recepção do espanhol no regresso à Luz) optou por cinco alterações. Por isso, ou não, a verdade é que o Real agigantou-se. Adiantou-se, obrigou o Benfica a encolher-se um pouco mais e a perder fluidez na forma como transformara durante 45' a simples conquista da bola em lances de apuro para o extremo reduto espanhol.

Foi nessa altura que os encarnados revelaram frieza na abordagem aos acontecimentos. Recuaram como se impunha, cultivaram a posse da bola para descansar e travar o ascendente adversário e esperaram para voltar à carga. No meio da viagem, o Real Madrid chegou ao segundo golo, introduzindo no encontro os dados que o haviam de marcar. Porque o jogo era mais importante para os portugueses, ninguém estranhou que o empate fosse festejado como se de uma vitória se tratasse.

Árbitro

BRUNO PAIXÃO (3). Trabalho seguro, que não justificou os constantes protestos dos jogadores espanhóis. Controlou o jogo sem recorrer a cartões e mostrou-se muito sóbrio na gestão das operações. O seu trabalho teve apenas um erro com influência no resultado, ainda que não lhe diga directamente respeito: aos 5' anulou um golo a Raul por fora-de-jogo que não existiu.
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