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Benfica recebe um cafezinho Delta para adoçar amargos do Celta

EQUIPA DA LUZ MANTÉM PRIMEIRO LUGAR COM VITÓRIA POUCO DISCUTIDA PELO CAMPOMAIORENSE

Benfica recebe um cafezinho Delta para adoçar amargos do Celta
Benfica recebe um cafezinho Delta para adoçar amargos do Celta

HÁ muitos meses que Paulo Madeira vinha ensaiando a marcação de livres directos, rematando com muita força, mas sempre ao lado ou por cima das balizas. Pensava-se que talvez um dia acertasse e que devia haver uma razão muito forte para os técnicos do clube continuarem a depositar-lhe confiança para a função, apesar de nenhum dos seus anteriores 11 golos na I Divisão ter sido obtido dessa forma. E segunda-feira, finalmente, aconteceu!

Ainda não tinham passado dez minutos do temido jogo do regresso à Luz, depois dos desastres de Porto e Vigo, quando uma simulação de Kandaurov abriu um buraco na barreira do Campomaiorense para Paulo Madeira enfiar, finalmente, o seu tão insistente e obsessivamente tentado golo de livre directo.

Foi um tento com muitos significados e consequências. Primeiro, por ter sido marcado por um dos capitães de equipa poucos dias depois do seu insólito pedido de desculpas público. Depois, por ter sido apontado por um defesa-central, líder do sector que enterrou a equipa nos últimos jogos pouco tempo depois de ter chegado a ser incensado como o menos batido da Europa! Também, por permitir desanuviar um ambiente de nervosismo e cepticismo, que se respirava nas bancadas e se repercutia nas acções inseguras de alguns jogadores nos primeiros minutos da partida. Finalmente, por assegurar a continuidade da equipa no comando isolado do campeonato, se o Campomaiorense não viesse a repetir a irreverência de meses antes, quando provocou o despedimento antecipado de Graeme Souness - curiosamente, também na ressaca de um jogo com o FC Porto.

DOCE CAMPOMAIORENSE

Ora, o Benfica não podia ter desejado adversário melhor para começar a tapar as brechas abertas pelo sismo de Vigo no seu frágil edifício futebolístico. O treinador Heynckes não pôde arriscar-se mais do que substituir os defesas laterais, repescando Okunowo e readaptando Bruno Basto para abrir espaço a Maniche - “lateralizando” também ele a questão fulcral.

Com quatro defesas contra um adversário que não tinha ponta-de-lança, mas cujos médios-ala bloqueavam Okunowo e Basto, o Benfica aceitou novamente a sua velha tendência para jogar pelo meio, repetindo até à exaustão soluções desconexas e convulsas de futebol apoiado - sugestivamente adornados por um Poborsky hiperactivo, mas inconsequente, e por um Kandaurov talentoso, mas pífio. Apesar disso, mercê de flagrante superioridade técnica individual, as chances de concretização sucederam-se a uma frequência bastante para uma goleada moralizadora.

Muito diferente do Campomaiorense que empatou na Luz em Maio (apenas Wellington e Bruno Mendes “sobreviveram” da equipa então apresentada por José Pereira!), a formação de Carlos Manuel não conseguiu fazer um só remate com intenção ou uma aceleração com acutilância. As circunstâncias que rodearam esta partida acabam mesmo por sugerir uma rima popular para a publicidade da conhecida marca que patrocina a equipa alentejana: “Um delicodoce cafezinho Delta faz esquecer o amargoso Celta”.

De um esquema teoricamente montado para uma defesa agressiva, ressaltou uma atitude cordata e participativa que permitiu a Jorge Coroado terminar finalmente um jogo de I Liga sem mostrar qualquer cartão vermelho. Pouco mais do que uma marcação “clássica” de Cao a João Pinto e um cerco à zona a Nuno Gomes, tudo muito menos rigoroso que há duas semanas em Alvalade e do que veio a resultar a primeira derrota por mais de um golo desde a ida às Antas há dois meses. Defesa sim, mas com cortesia e espaço suficientes para que os dois aríetes encarnados não pudessem queixar-se de falta de oportunidades.

Ambos as tiveram, em particular dois cabeceamentos aos minutos 39 (JVP) e 53 (NG), ambos superiormente defendidos por Paulo Sérgio, mas mais uma vez ficou patente a debilidade do “striking power” dos encarnados, que nunca poderão chegar aos 30 ou 35 golos que qualquer técnico de um clube de ponta não deixará de imaginar para os seus dois pontas-de-lança.

A 20 minutos do final, com vários jogadores incapazes de mudar de velocidade, as bancadas gritaram em vão por Jorge Cadete, num sinal da desolação da alma benfiquista pelo descanso a que o guarda-redes alentejano pôde “deitar-se” depois do golo de Maniche (meio da segunda parte), redimindo-se de um falhanço incrível da primeira parte, a um palmo da baliza deserta (25’). A justificar esta ideia, refira-se que mais de metade dos 18 remates do Benfica foram feitos de fora da área, ou não fosse a equipa de Heynckes a que tem uma maior percentagem de golos de meia distância em toda a Liga.

JOÃO QUERIDO MANHA

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