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Benfica-U. Leiria, 0-2: Forasteiros limitaram-se a jogar melhor

CRÓNICA

A UNIÃO de Leiria fez ontem história ao vencer, pela primeira vez, o Benfica na Luz. Os encarnados, que ainda não tinham perdido em casa, terão hipotecado, de forma quiçá irreversível, as chances de qualificação para a Taça UEFA, mas só poderão queixar-se de si próprios. A exibição da turma de Jesualdo Ferreira foi demasiado pobre e acabou por permitir aos leirienses um triunfo saboroso que colocou ponto final numa série negra de quatro derrotas consecutivas.

Quando, aos 62 minutos, Derlei, depois de uma belíssima combinação em lance de bola parada, fruto de trabalho de “laboratório”, fez o segundo golo dos forasteiros, muitos foram os adeptos do Benfica que começaram a abandonar o anfiteatro encarnado. Porque, na verdade, o destino do encontro estava traçado. Sem dúvidas nem controvérsia. Porque, quando uma equipa é de forma tão flagrante superior à outra, é absolutamente normal que ganhe a partida.

O Benfica, pela primeira vez sem Mantorras, teve a malapata de perder Jankauskas ainda na primeira parte, e ficou à vista, mais uma vez, aquilo que já era público. O plantel é curto e há posições-chave mal defendidas. Quando os jogadores que fazem a diferença estão ausentes, a consequência é o nivelamento por baixo e foi isso, em boa parte, que aconteceu ontem ao Benfica: foi uma equipa absolutamente vulgar, excepção feita a algumas iniciativas de Simão Sabrosa.

A páginas tantas, Simão fez lembrar o João Vieira Pinto nas últimas épocas de águia ao peito, a querer levar a equipa ao colo, mas a ver, amiúde, os seus esforços sem recompensa.

A estatística do jogo de ontem, na Luz, diz muita coisa: o Benfica fez mais faltas e a U. Leiria logrou mais remates. E enquanto Enke passou o jogo em sobressalto permanente por culpa de Derlei, Silas e Maciel, Baptista teve uma noite inesperadamente calma na sua estreia como titular das redes leirienses na época em curso.

Jesualdo Ferreira colocou em campo, simultaneamente, Drulovic e Zahovic e as coisas não lhe saíram bem. O sérvio ganhou poucos lances e não esteve feliz nas assistências e o esloveno passou, pura e simplesmente, ao lado do jogo. Perante a impossibilidade de Jankauskas, o Benfica ficou apenas com o argumento-Simão, o que foi manifestamente pouco. Enquanto isso, do outro lado, o estreante Vítor Pontes teve o mérito de não se amedrontar com o Benfica. Não abdicou de três avançados (Silas, Derlei e João Manuel) e ganhou claramente a luta a meio-campo, onde Tiago, Vouzela e Silas se superiorizaram de forma abismal a Andersson, Tiago e Zahovic. O resto foi feito com organização e... “raiva”, ou não tivesse o capitão Bilro, no final do encontro, dedicado a vitória ao ex-técnico Mário Reis, que, durante a semana, apontara o dedo acusador aos jogadores leirienses.

O efeito “chicotada psicológica” funcionou perfeitamente em Leiria e, por ironia do destino, a turma da cidade do Lis acabou por prestar um serviço precioso a José Mourinho, “metido” num ombro-a-ombro com o Benfica pelo terceiro lugar.

A nove jornadas do fim, os encarnados estão perante a realidade de não terem banco à altura (ontem acabaram com dois pontas-de-lança, João Manuel Pinto e Pepa) e correm o perigo da desmobilização dos adeptos. Com a Luz em ruínas, o alento de um lugar europeu ainda motivava os sócios. A partir de agora, a contagem decrescente será feita de forma mais dolorosa.

Mas ainda relativamente às opções de Jesualdo, é bom notar que apenas realizou duas substituições (tal a míngua de soluções...) e, à falta de “cão” teve de inventar uma caçada com “gato”. O que deu mau resultado.

Em resumo, a União de Leiria foi melhor equipa que o Benfica em todos os segmentos do jogo e a única verdadeira surpresa para quem aguentou ontem a noite fria da Luz teria sido outro resultado que não o triunfo de Derlei e companhia.

Paulo Paraty terá deixado por marcar uma grande penalidade contra o Benfica, por falta de João Manuel Pinto, aos 47 minutos. No mais, realizou um trabalho plenamente satisfatório.

Sem soluções ofensivas após saída de Jankauskas

Faltam soluções ao ataque do Benfica. A saída, por lesão, de Jankauskas obrigou Jesualdo Ferreira a apostar no jovem Pepa, o único ponta-de-lança disponível nos encarnados, que, nos últimos minutos da partida de ontem, teve o apoio directo de João Manuel Pinto, defesa-central que já vestira a pele de avançado no FC Porto de Bobby Robson.

O escasso número de homens de área no plantel tornou-se notório logo no princípio da época, quando Sokota começou a debater-se com problemas físicos. Até à reabertura do mercado de transferências, o ataque do Benfica ficou entregue a Mantorras, com Mawete Júnior e Pepa, dois jovens que habitualmente actuam pela equipa B, a serem utilizados apenas em casos excepcionais.

Com a chegada de Jankauskas o problema deixou aparentemente de existir, até porque Sokota mostrava estar fancamente melhor da lesão no calcanhar que o impedia de dar o contributo à equipa.

Mas, o cenário foi alterado quase num ápice. Sokota e Mantorras foram operados e Mawete Júnior acabou emprestado ao Sp. Braga, no negócio que envolveu as transferências de Armando, Tiago e Ricardo Rocha para a Luz. Sobraram Jankauskas e Pepa...
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