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Benfica-Varzim, 3-2: Pois, o Mantorras; Então e o Simão?

CRÓNICA

HÁ SEIS jogos – quatro da I Liga e dois da Taça – que o Benfica não saboreava o gosto de um vitória, mais precisamente desde 2 de Dezembro, quando bateu o Santa Clara, em casa, por 2-1. Ontem, voltou a ser um "parto difícil", "arrancado a ferros", frente ao "lanterna vermelha" da classificação.

Primeira contrariedade para o Benfica: o primeiro remate do Varzim à baliza de Enke, aos 9', resultou em golo. Sem tirar mérito à jogada, a verdade é que tal grau de eficácia não é normal.

O Benfica teve uma excelente reacção que durou cerca de vinte minutos, período durante o qual criou situações para dar a volta ao jogo. Acontece que Mantorras está fora de forma e já não faz o que fazia antes, ou seja, desequilibrar os jogos a favor do Benfica quando o colectivo não era capaz de o fazer. Ontem, nem foi o caso: aos 11' [neste caso por mérito de Hilário], 22' e 38' podia ter reposto a igualdade, tal a qualidade das assistências de Simão. Aliás, o Varzim preocupou-se muito com Mantorras – para quem destacou Rodolfo e, por vezes, Medeiros na sua marcação – e com Jankauskas e esqueceu-se de Simão, que foi a "chave" do triunfo do Benfica. Sobre ele havia apenas uma marcação zonal por parte do lateral – Margarido ou Paulo Filipe – consoante o flanco por onde deambulava. De resto, quase todas as jogadas de perigo do Benfica na 1ª parte tiveram a assinatura de Simão. A partir do momento em que o deixavam receber a bola e embalar com ela dominada os laterais poveiros estavam condenados a uma "dor de rins", claramente sem pernas para o travar.

Cedo em vantagem, o Varzim foi explorando inteligentemente a ansiedade crescente no adversário, trocando a bola com serenidade, embora sem mostrar capacidade para ameaçar a baliza de Enke. O golo do empate não aparecia [aos 18' Jankauskas não chegou por milímetros a um cruzamento rasteiro de Mantorras, aos 21' foi a vez de Margarido evitar o golo aos pés de Simão após assistência do mesmo Mantorras] e os erros foram-se acumulando. Jankauskas era um corpo estranho, com quem os companheiros de ataque não se entendiam. O índice de passes errados subiu em flecha. Drulovic não tem neste momento suporte físico e atlético para jogar no Benfica. E é preciso que alguém lembre a Mantorras que não é o Eusébio, que não pode rematar de qualquer lado e de qualquer ângulo e de cobrar todos os livres a mais de vinte e cinco metros. Deve arriscar e explorar o seu forte pontapé, mas ontem exagerou...

A complicar a situação para os encarnados, na segunda vez que o Varzim foi à baliza de Enke, voltou a marcar, à beira do intervalo.

Bastou um quarto de hora para o Benfica operar a reviravolta. Nem os sinais claros que a liberdade excessiva de Simão era susceptível de causar dissabores ao Varzim alterou o que quer se seja. Pois bem, aos 47', um cruzamento-remate de Simão apanhou Hilário a pensar na "morte da bezerra"; aos 53', o mesmo Hilário, a cruzamento de Jorge Ribeiro, ofereceu com uma palmada o golo a Janskaukas; aos 61, outra vez Simão passou por Paulo Filipe como 'faca quente em manteiga', foi à linha e entregou o golo numa bandeja a Carlitos. E pronto!, estava o assunto resolvido, com a estimável colaboração de Hilário que tinha feito uma 1ª parte excepcional. O Varzim tinha tudo para saber gerir a vantagem de dois golos na 2ª parte, mas não se podem cometer erros tão grosseiros porque o Benfica continua a ter alguns jogadores de valor muito acima de média.

De referir a importância que a entrada de Carlitos representou, não só por ter rendido uma unidade de nula produtividade [Drulovic], mas pelo dinamismo que transmitiu à ala direita do ataque encarnado. Foi justamente pelas alas (Carlitos e Simão) que o Benfica deu a volta ao jogo durante a 2ª parte.

Jankauskas marcou um golo e "esteve" noutro, o que só por si é de realçar numa estreia. Mas desperdiçou dois golos relativamente fáceis e não registámos pormenores que definem um finalizador nato. Carece de novas observações.

Ficou a ideia de BRUNO PAIXÃO ter deixado passar em claro uma grande penalidade, aos 15', quando Margarido tocou na bola com a mão ao mesmo tempo que Mantorras tentava cabeceá-la.
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