Record

Boavista-Benfica, 0-0: Equipa ''à Pacheco'' deu um bafo na águia

CRÓNICA

Boavista-Benfica, 0-0: Equipa ''à Pacheco'' deu um bafo na águia
Boavista-Benfica, 0-0: Equipa ''à Pacheco'' deu um bafo na águia • Foto: José Moreira
Quatro dias depois da jornada de Roma, em que apanhou pela frente uma equipa da Lazio lenta, pesada e com uma condição física inferior, ao Benfica tocou-lhe agora um Boavista a jogar à imagem do seu anterior treinador, Jaime Pacheco. Uma equipa guerreira, pressionante, de raça, que disputa cada lance como se dele dependesse a sorte do jogo.

Que diferença entre a calmaria do jogo de Roma e a 'guerra' em que se transformou o embate com o Boavista! Em Roma é que há o Coliseu, mas onde o Benfica se sentiu numa arena foi no Bessa. Não tinha ainda sido sujeito a um 'pressing' tão asfixiante neste início de época como aquele que sofreu ontem no Bessa. E atenção que a equipa de Camacho já leva a sua preparação mais adiantada do que a maioria das equipas em Portugal.

O Benfica sentiu grandes dificuldades para assentar o seu jogo e sair em ataque organizado face à agressividade com que o Boavista entrou no jogo. O primeiro quarto de hora pertenceu ao Boavista, instalado no meio-campo encanado. Só a partir dessa altura, o Benfica conseguiu equilibrar as operações a meio-campo, mas Sanchez conseguiu tolher os movimento das asas com que a águia voa para as vitórias.

Era fundamental travar a acção de Geovanni e Simão nas alas mais as suas diagonais que provocam os desequilíbrios ofensivos. E fê-lo à custa de grande agressividade, concentração de Rui Óscar e Viveros que não hesitaram em puxar e agarrar para condicionar a acção dos dois jogadores. Geovanni encolheu-se e não teve a influência que costuma ter na manobra atacante; Simão não se amedrontou, mas foi muito bem marcado.

De resto, Sanchez, provando o conhecimento perfeito que tinha do adversário, encostou Martelinho a Miguel, por forma a limitar a acção deste nas subidas pelo flanco no apoio a Geovanni. Por outro lado, abdicou de extremo-direito para apostar em Raúl Meireles, como médio direito, com dois objectivos - ganhar supremacia na luta no 'miolo' e permitir o apoio a Rui Óscar na refrega com um jogador nuclear como Simão. Isto no pressuposto correcto de que Cristiano não saberia explorar a circunstância do Boavista não ter adversário directo a marcar - como, de facto, não soube.

Para além do que o Boavista, por si só, não deixa jogar, o Benfica sentiu dificuldades acrescidas porque Fernando Aguiar não tem condições para fazer o lugar de Tiago quando se torna necessário segurar a bola e sair a jogar. Por outro lado, o jogo foi disputado a um ritmo avassalador e com um índice de agressividade aos quais Zahovic já sente dificuldades notórias em acompanhar - e ontem até se viu a fazer mais 'carrinhos' do que em toda a época passada.Tal como Pacheco fazia, Sanchez segurou e travou o jogo na 1ª parte para soltar a equipa na 2ª parte.

Se antes do intervalo houve uma oportunidade de golo flagrante para cada lado (Moreira salvou aos pés de Luiz Cláudio e Zahovic dominou mal a bola em excelente posição na área), a 2ª parte o jogo abriu e as oportunidades surgiram. O jogo conheceu então um ritmo elevado (que diferença para o jogo da véspera em Taveiro!), com o Benfica a ser obrigado, também, a 'meter a carne toda no assador', passe a expressão de Quinito, para poder discutir o resultado. Não foi uma 2ª parte bem jogada, do ponto de vista técnico e estético, mas foi um jogo rasgadinho, intenso, emocionante, de parada e resposta.

Camacho trocou Aguiar por Andersson sem efeitos práticos (o sueco entrou mal no jogo) e Geovanni pelo 'puto' João Pereira que deu outra vivacidade ao flanco direito. Sanchez ficou também a ganhar com a entrada de Fary para o lugar de Luiz Cláudio. O Boavista criou três oportunidades de golo (Moreira esteve soberbo) e o Benfica duas, curiosamente por Cristiano (um remate à barra após um canto e outro em que William defendeu com os pés quando o golo parecia inevitável). Mas o empate traduz a verdade do jogo.

Carlos Xistra

O árbitro teve a coragem de deixar jogar, muitas vezes, no limite, salvando um jogo que registou 42 faltas. Não tivesse tido ele essa coragem, que se lhe louva, e o espectáculo teria sido estragado. Correu riscos, mas teve o jogo sempre controlado e nunca abdicou da Lei da Vantagem. Um ou outro erro menor não beliscam um trabalho que devia servir de lição a muitos árbitros portugueses.
Deixe o seu comentário
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Benfica

Notícias

Notícias Mais Vistas

M