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Boavista-Benfica, 1-0: Vitória breve em brevíssimo jogo

CRÓNICA

O BOAVISTA voltou ontem ao segundo lugar na I Liga, através de uma vitória mínima sobre o Benfica num jogo mínimo de futebol, mas máximo em faltas e interrupções de jogo. De tal modo que a bola só esteve em jogo pouco mais de um terço dos 90 minutos regulamentares.

Foi aquilo que se chama um jogo “à Boavista”. Bola a meio-campo, luta intensíssima, marcar um golo cedo e, depois, gerir o tempo, as faltas e os cartões e, pelo meio, ameaçar ainda dois golos. O Benfica passou 90 minutos a ver se conseguia ligar dois passes e não conseguiu criar uma oportunidade de golo, uma que fosse, em todo o encontro. Porque o Boavista não deixou de todas as maneiras e feitios – incluindo 34 faltas, fora as que o árbitro não marcou – e porque há dois lances mal analisados pelo árbitro na área de Ricardo e uma expulsão de Turra que ficou por decretar. E também porque o talento do Benfica, quando Mantorras não está no seu melhor, se resume a Simão, já que Drulovic tem sempre muitas dificuldades nestes jogos de luta pela bola.

Uma primeira parte do melhor Boavista da época. Não no sentido de jogar bem, mas na velha forma de não deixar jogar o adversário e de, na sua táctica de guerrilha, de jogadas muito breves mas muito intensas, saber marcar um golo. Jaime Pacheco manteve a confiança em Rui Lima na esquerda (Duda no banco) e Martelinho na direita, com Silva no meio e, a meio-campo, Jorge Silva ao lado de Petit e Sanchez, enquanto Turra e Pedro Emanuel se encarregavam de Mantorras que, ao 13º minuto, já tinha sofrido quatro faltas.

O Benfica, como em Faro e em Braga, jogava com três “trincos”, um dos quais o estreante Fernando Aguiar, que foi directamente do Beira-Mar para titular da equipa de Toni, o que não deixa de ser um sinal dos tempos, Como sinal dos tempos é Jorge Ribeiro a defesa-esquerdo – mas o miúdo nem esteve nada mal. Mantorras ficava na frente a tentar ultrapassar os seus problemas físicos o que, no Bessa, não era nada fácil, como bem se sabia.

O Boavista colocou-se na frente logo ao sexto minuto, num lançamento de linha lateral na esquerda, em que a bola foi para Rui Lima, que ganhou um ressalto a Argel e cruzou para a marca de “penalty”, onde Silva teve tempo de preparar o remate e ainda a sorte de ver a bola desviar em Jorge Ribeiro e tirar quaisquer hipóteses a Enke – que já não tinha muitas. Um lance também à Boavista: rápido, breve, concluído na área.

Foi a única oportunidade de golo em toda a primeira parte. O resto foi o Boavista a tentar lançar o seu contra-ataque e o Benfica a tentar ligar uma jogada, o que não conseguiu. O melhor que teve foi um livre de Simão que saiu ao lado. O Boavista também teve dois livres perigosos, mas futebol, futebol, foi quase só aquele.

A segunda parte não foi muito melhor, mas o Boavista conseguiu mais duas oportunidades de golo, primeiro por Petit, isolado por um toque em habilidade de Rui Lima, mas chutando para fora (49’) e depois num cabeceamento de Frechaut, a corresponder a um livre de Sanchez, em que Enke fez a defesa do jogo (67’). Toni tentou, com várias substituições, dar algum futebol à equipa, mas tirando uns livres, o Benfica pouco mais conseguiu.

A arbitragem de PEDRO PROENÇA foi muito complicada, como são complicados quase todos os jogos do Boavista, pela forma – sempre nos limites – como a equipa joga. Aos 18 m, Paulo Turra devia ter sido expulso com segundo amarelo por falta sobre Simão. Aos 60 m, Mantorras foi agarrado por Pedro Emanuel na área quando levava a bola para a linha de fundo – é um “penalty” “televisivo”, mas o assistente podia ver. Aos 78 m optou por mostrar um amarelo a Simão, que acentuou a queda, mas que foi tocado por Frechaut na área e o árbitro estava em cima do lance. De resto, Proença acertou na maioria das vezes.
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