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Chalana prevê bom futuro para os juniores do Benfica

TREINADOR CONVICTO QUE ESTARÃO EM DOIS ANOS NO PLANTEL PRINCIPAL

FERNANDO Chalana prevê um futuro risonho para os jogadores da equipa de juniores do Benfica, que conquistou, no sábado, frente ao Sporting, o Campeonato Nacional da categoria. O técnico, que quebrou um jejum de 11 anos, espera um bom aproveitamento dos atletas e fala em especial de Mawete Júnior e de Jorge Ribeiro. Há seis anos, o antigo extremo dos encarnados regressou à Luz para trabalhar no departamento de formação. À beira de terminar contrato, não esconde, em entrevista a Record, que tem outras ambições.

- É o seu primeiro título como treinador?
- Como treinador principal, sim. Já tinha conquistado um campeonato de juvenis, como adjunto de Arnaldo Cunha, e um de infantis, com José Morais e Rui Rodrigues. Agradeço também a todos os que trabalharam comigo e acreditaram na equipa, desde o roupeiro ao médico. Assim, esta vitória é um motivo de orgulho e de grande satisfação para mim. É mais uma faixa a juntar às outras. Dedico esta vitória a Ângelo Martins, pessoa com quem aprendi e uma referência para mim, e três amigos meus - Adolfo, Jaime Graça e Rui Rodrigues.

- Sentiu desde o início que esta equipa tinha capacidade para se sagrar campeã?
- Sinceramente, disse a duas pessoas - prof. Morais e prof. Nelo -, no início da época, que tínhamos um grupo mais coeso e amigo. Outra vez, falei com o sr. Capristano e ele perguntou-me como estava a equipa de juniores. Respondi-lhe: "Devagar, vamos lá."

- Houve algum momento que tenha marcado a época?
- Ainda na primeira fase, perdemos no Restelo, por 1-3. A equipa abanou, mas o grupo acabou por ser unir. Outro momento importante foi quando afastei o Vítor Madeira, durante dez dias. Há pouco tempo, ele apertou-me a mão e reconheceu que tomei uma boa decisão. Com essa atitude, pretendi alertá-lo para o que é ser um jogador de futebol. Ele tinha vindo do Vasco da Gama e ainda estava a sonhar, não levava as coisas a sério nem acreditava nas suas potencialidades. Foi uma chamada de atenção e fiz dele um jogador ainda melhor. O Vítor pode ir longe no futebol. Essa decisão marcou o grupo.
Por outro lado, os jogadores sentiram que algumas pessoas do futebol juvenil não acreditavam neles. Assim, beliscados no orgulho, revelaram vontade de ganhar para mostrarem que têm carácter. Realmente, esta vitória foi uma bofetada de luva branca em duas ou três pessoas que nunca acreditaram na equipa e no treinador. Estão arrependidas, com certeza. Quem são? Quando lerem, saberão a quem me refiro.

OBJECTIVO: GANHAR!

- Onze anos de jejum. Esse factor não foi uma inibição para os atletas?
- Referi várias vezes aos jogadores que tinham de vencer para entrar na história do Benfica. Disse-lhes que nas vitrinas e nas fotografias só entram os campeões. Eles sentiram essas palavras e formaram um grupo coeso, fora e dentro de campo. Trabalharam muito para conquistar este campeonato. Nas camadas jovens do Benfica, todos os jogadores têm um objectivo: ganhar. Estão preparados para isso. Neste departamento, trabalha-se para formar e ganhar. Foi assim que fui habituado, desde os 15 anos.

- Como foi recebido este campeonato pelos responsáveis do clube?
- Pessoalmente, acredito que é um recomeço. A conquista deste campeonato de juniores pode mesmo ser um alento para a equipa sénior. Muita gente ficou satisfeita com este título. Inclusive, o presidente ligou ao capitão, no final do jogo com o Sporting. A Direcção ficou alegre. É, também, de encher os adeptos de satisfação. Em Alvalade, a quente, disse que dedicava o campeonato aos sócios, mas considero que deviam apoiar mais as equipas jovens do Benfica.

- Que futuro prevê para estes jogadores que foram campeões?
- Desta equipa, metade é formada por jogadores de primeiro ano. Moreira, Fonseca, Eduardo Simões, Pombo, Toni, João Sousa, Ricardo André, Joel, Ruben e Nuno Carvalheira vão continuar nos juniores na próxima época. Quanto aos que sobem aos seniores, gostava que integrassem a equipa B. Se não for possível, que sejam cedidos a clubes que os projectassem, mesmo da II Liga. Não tenho dúvidas de que há jogadores desta equipa que em breve, dentro de dois, três anos, estarão no plantel principal.

- O Benfica tem sabido aproveitar os jogadores vindos da formação?
- O plantel sénior actual apenas tem uma referência da formação: Maniche. Mas com esta Direcção a tendência é para ser invertida. Em minha opinião, para a formação, o importante é a prospecção. O Benfica, como fazia no passado, tem de ir buscar e seleccionar os melhores. É por aí quem tem de começar. Acredito que vai haver uma evolução neste sector. Por outro lado, há actualmente nos vários escalões de formação, 10/15 jogadores de grande qualidade.

FORMAÇÃO: UM ESTÁGIO

- Tem contrato com o Benfica até quando?
- O meu contrato acaba a 31 de Julho.

- Já foi convidado a renovar?
- Estou a aguardar. Espero continuar. De certeza que vou ser chamado para discutir e falar.

- As suas ambições esgotam-se aqui, na formação do Benfica, ou vão mais além?
- Estou a fazer um estágio, gosto de aprender. Mas o meu futuro passa, daqui a dois/três anos, por treinar uma equipa sénior. Se estou preparado? Sou um homem do futebol. Desde os 8 anos que esta é a minha vida. Não tenho medo de nada, é a minha profissão e o que gosto de fazer. Tenho outros horizontes a longo prazo.

ELOGIOS A MAWETE E A JORGE RIBEIRO

Embora saliente que a equipa de juniores valeu pelo colectivo, Chalana afirma que Mawete e Jorge Ribeiro, dois jogadores utilizados por Jupp Heynckes, deram "uma ajuda preciosa". "Deram mais força e qualidade. O colectivo ficou reforçado."

- Como analisa Mawete?
- O futebol português está carenciado de pontas-de-lança. Estivo em dois torneios em França e Holanda, montras de equipas europeias de elite, e o Mawete é só o melhor avançado que há actualmente ao nível dos sub-18 e sub-19. Não me canso de dizer: tem um bocado de Eusébio e um "bocadão" de Weah. Mas convém não esquecer que ainda está em formação. É um miúdo inteligente e soube superar o regresso aos juniores, depois de ter treinado com o plantel sénior.

- E Jorge Ribeiro?
- Vai ser o defesa-esquerdo do Benfica, daqui a alguns anos. Tem raça, bom pé esquerdo e também pode jogar a médio-esquerdo. Tem um pouco de Artur e de Álvaro, mas com mais técnica do que os dois. Vai-lhe fazer bem rodar.

«TREINADORES RECEIAM APOSTAR NOS JOVENS»

Chalana afirma que os treinadores portugueses receiam apostar nos jovens atletas.

- As oportunidades para os jovens continuam a ser escassas?
- Os treinadores portugueses falam em apoiar a formação, mas na realidade são contratados cada vez mais estrangeiros. É por isso que digo que a selecção nacional vai sofrer, no futuro. Os treinadores portugueses receiam apostar nos jovens. Para um atleta de 18, 19, 20 anos, é importante jogar bastante.

- Assiste-se cada vez mais à saída dos jovens para os clubes estrangeiros. Como analisa?
- É o mercado, consequência da Lei Bosman. Mas entendo que os jogadores só deviam ir para o estrangeiro com nome feito. É muito complicado para um jovem ir lá para fora sem a família, os amigos. Só quem tem o poder de fazer as leis é que pode colocar um travão a isso.

- Concorda com o actual modelo do Campeonato Nacional de juniores?
- Este modelo é um pouco cansativo, em termos mentais e físicos. Repare-se que a época começou em Agosto e termina em Junho. Mas já existem propostas na Federação que visam alterar o actual figurino. Defendo a existência de Campeonatos Nacionais da I e II Divisões, com seis equipas em cada zona. Na primeira fase há pouca competitividade. Felizmente, o Benfica tem oportunidade de participar em torneios no estrangeiro.

- As condições, a nível nacional, para a formação são as melhores?
- Faltam campos relvados. Nesse aspecto, estamos 30 anos atrasados em relação aos países europeus. Os jogadores, nos campos pelados, demoram muito mais tempo a evoluir.

«É PENA QUE FIGO NÃO TENHA JOGADO NO BENFICA»

O antigo extremo do Benfica considera Portugal candidato à vitória no Europeu e lamenta que Figo não tenha representado o emblema da águia.

- Como perspectiva as possibilidades de Portugal chegar à conquista do título?
- O Campeonato Europeu está a correr de feição para a nossa selecção. Portugal tem boas possibilidades de se qualificar para as meias-finais ou mesmo ir mais longe. É um candidato. Esta equipa tem muitos campeões, muita experiência e um apoio muito grande da Federação. Foi isso que faltou no nosso tempo. Em 84, formámos um grupo de excursionistas. Ninguém dava nada por nós e chegámos onde chegámos.

- O Figo é um novo Chalana?
- O Figo é o Figo, um belíssimo jogador. É, actualmente, o número um ou dois do futebol mundial. Só é pena que Figo não tenha jogado no Benfica.

«SABRY FAZ LEMBRAR CHALANA»

O actual treinador dos juniores do Benfica aceita que comparem o internacional egípcio a si. Também concorda que o atleta africano faz lembrar o antigo extremo dos encarnados.

- O Chalana marcou uma época, no Benfica. Actualmente, há quem considere que Sabry faz lembrar esses tempos. Concorda com essa comparação?
- Sim, concordo que ele faz lembrar o Chalana. Embora sejamos diferentes, ele tem magia e criatividade. Faz falta um jogador com essas características ao Benfica.
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