Das dores à conversa decisiva com Bruno Lage: Jonas passou em revista os anos na Luz

O agora ex-avançado recebeu várias mensagens, desde Vieira a antigos colegas

• Foto: Lusa

Jonas concedeu uma entrevista à BTV onde passou os anos no Benfica em revista. Desde os grandes momentos de águias ao peito até às dores que ditaram o final da carreira, o ex-avançado das águias elogiou Bruno Lage e Luís Filipe Vieira. Do presidente recebeu mesmo uma mensagem.

Despedida

"Tive que respirar fundo. Estava muito ansioso desde que fui para o Brasil. Já tinha definido que terminaria aqui e está a ser difícil dormir, mas faz parte. É por uma boa causa. O que vivi deixa-me feliz por ter acabado aqui. Era o que desejava. Eu e a minha família estamos muito felizes. Com a idade vamos ficando mais emotivos, mas comprova que tomei a decisão certa. Foi pensado, conversado em família. Ao mesmo tempo que me emociono sinto-me feliz por ter terminado porque não conseguia jogar o que queria."

O que sentiu ao sair?

"Uma mistura de muitas coisas. Pensei que seria o meu último momento, ao mesmo tempo passou o início [da carreira]. Foi um sonho que tive e acabou por se concretizar com muito trabalho e sacrifício. Estava muito sorridente e queria terminar assim, alegre e feliz. É uma decisão tomada no momento certo.

Queria muito marcar?

"O árbitro poderia ter marcado penálti para eu sair com um golo. Olhei umas duas ou três para o relógio para ver quantos minutos faltavam. Nesses 10 minutos foi mais para estar com os companheiros de equipa."

Não dava para jogar mais?

"Há dois anos que tenho uma lesão lombar. O último foi ano mais intenso: as dores, os treinos, as viagens… Comecei bem depois dos meus companheiros. Perdeu-se tempo, mas quando voltei estava confiante. Em agosto tive a primeira crise e depois em janeiro até confessei uma coisa à minha família: disse que a partir dali queria ver se chegava ao fim da época. Já tinha dificuldades em treinar, acordava com muitas dores. Os jogos então… Precisava de mais tempo de recuperação. Após a chegada do Lage, que para mim foi fundamental, tivemos uma conversa. Queria acabar a carreira em janeiro, não pensava em chegar até ao fim da época. Liguei ao Tiago Pinto e tudo, mas não me deixaram falar com o presidente e com o Rui Costa. Era para resolver as coisas com eles primeiro. Lembro-me como se fosse hoje: o Lage chamou-me à sala dele e explicou qual seria o meu papel até final da época. Disse que tinha de acabar como campeão, dentro de campo. E explicou tudo o que queria de mim. Deu-me confiança e força que foram fundamentais. Agradeço-lhe. Ele dizia-me: ‘Jonas, vai haver treino e vais estar connosco 20 minutos. Depois vais fazer prevenção’. Ou ‘vai haver treino e só entras na parte final, para fazer as combinações’. E havia vezes que nem sequer treinava. Foi tudo programado. Sou muito grato ao Bruno Lage."

Entrada de Bruno Lage e conquista da Liga

"Estávamos em desvantagem e acontecer tudo o que aconteceu depois, foi terminar com chave dele. Foi fundamental a conversa com Bruno Lage."

Relação com Vieira

"Agradeci pessoalmente e disse que me identificava com ele. A humildade dele é incrível. Mexeu comigo desde a chegada. A proximidade com os jogadores também é impressionante. Noutros clubes era diferente. Está no Seixal connosco. Quando rescindimos estava de fato de treino [risos]. É um presidente que trabalha 24 horas para o clube, que nos dá todas as coisas boas e é de um conhecimento e caráter tremendos. Vou levar para sempre o respeito e carinho por ele."

Primeira conversa com Vieira

"Quando chego a Lisboa não tinha proposta concreta. Quando venho com o meu irmão é quando começamos a negociar. Foi a primeira vez que estive presente numa negociação. Vim com as malas de Valencia porque ali não queria ficar. Foi marcante para mim e para a minha família. O meu irmão já andava a falar com o presidente, mas naquela altura não havia nada concreto. Vim para Lisboa e trouxe as malas para fortalecer a ideia de querer jogar no Benfica."

Vieira sobre a vinda de Jonas

"O Jonas estava livre. Na altura negociámos e na primeira fase ele ficou logo muito sensível com o interesse. Não foi fácil numa primeira fase, mas depois chegámos a acordo e a partir daí foi sempre uma relação bastante saudável. O fator humano dele é extraordinário, tal como a família. Jonas foram golos, golos, golos. É o que vamos recordar. Ele como ser humano também fica connosco. Alem de grande jogador, conseguiu marcar o timing da sua saída apesar de ter custado muito. A época passada começou a preparar-se para a despedida. Tentei demovê-lo, mas estava decidido a acabar no Benfica. Era ponto de honra. Foi emocionante e vamos ter saudades dele. É alguém que vamos recordar não só pelo grande jogar que era… Vai continuar a marcar golos na vida. Como ele diz: ‘até breve’."

Vieira sobre o lado humano de Jonas

"A primeira fase da negociação foi pura e dura. Depois de estar cá houve grande aproximação. No Benfica somos uma família e são valores que vamos manter sempre. É algo que ajuda. Ele cativa qualquer pessoa e neste último ano passaram-se coisas que ficam para nós, mas revelam o ser humano que é. Revelou a forma como olhava para o grupo, independentemente de estar a jogar. É dos tais que dá vontade de abraçar e vamos ter saudades."

Relação com o balneário

"Ele é uma marca de golos e as crianças querem o golo. Ele cativa: é simples e está sempre disponível. É cúmplice e é normal que haja simpatia por ele."

O que sentiu na despedida

"Aquele abraço é a realidade. Acabou a relação dentro do Benfica e há palavras que se transmitem. Nas bancadas também houve muita gente com lágrima no olho."

Substituir Jonas

"Será sempre uma figura. Se alguém vier preencher um determinado lugar, o tempo o dirá. Mas o Jonas será sempre o Jonas."

Jonas e a rescisão

"Tinha mais um ano de contrato. Se pensasse na questão financeira continuava a jogar. O acordo foi dentro da normalidade. Não houve acordos milionários… Houve respeito e carinho. O lado financeiro não foi o principal."

Primeira palavra quando pensa no Benfica?

"É amor. Foi construída uma relação muito forte. É uma palavra que caracteriza muito bem."

Jogo frente ao Santa Clara em que chorou, o último de 2018/19

"Já tinha a decisão tomada. Queria voltar de férias, conversar com a minha família, mas estava 99,9 por cento tomada. Foi um momento marcante. O João [que substituiu Jonas] dispensa comentários. Aprendemos muito com ele nesse tempo. Ele a sair e eu entrar foi emocionante. Podia ser o meu herdeiro. Temos muitos jogadores de qualidade. O Pizzi, por exemplo, que é um verdadeiro 10. O João tinha tudo para fazer essa trajetória. Depois de uma proposta daquelas e do que ele fez, penso que foi tudo bem feito. Está preparado para essa nova etapa. É muito maduro e tem uma família por trás. Está preparado não só em termos técnicos… Tem uma qualidade tremenda. Deixava-nos nervoso nos treinos, muitas vezes perdemos contra ele [na peladinha]. Terá uma carreira vitoriosa. Integrou-se muito bem connosco e dará muitas alegrias não só aos adeptos do Atlético como aos portugueses. Nesses cinco anos gostei muito de jogar com o Pizzi, havia química. Até brinquei com ele [por causa da camisola 10], mas ele gosta da 21. Há grandes jogadores que podem ficar com o número 10. Sem Jonas e Félix? Os benfiquistas podem ficar descansados. A base é forte. Com os jogadores que chegaram, que têm qualidade, o Benfica continua forte."

O 38 será com Bruno Lage?

"É um senhor da bola, um ser humano fantástico e incrível. O Benfica está em boas mãos. Bruno Lage tem uma competência tremenda. Os jogadores estão felizes com o seu trabalho e a sua forma de ser. Palavras dele na apresentação? Disse que estava a terminar em campo, em grande. Falámos disso em fevereiro e ali foi o que me disse."

Sobre Ernesto Valverde [entrou em direto no programa para falar sobre o Jonas]

"Ajudou-me muito. Colocou-me a extremo esquerdo no Valencia e comecei a fazer golos… Foram pouco meses, foi uma pena. Fiquei muito feliz com as palavras dele. É uma pessoa fantástica, do estilo do Bruno Lage. Estou agradecido por ter sido treinado por um grande treinador e pessoa."

Mensagem de Jardel:

"Parabéns pela sua brilhante carreira. Estou muito grato por tudo o que vivemos juntos, no campo, no balneário e com as nossas famílias. Que continues a brilhar como brilhaste nos relvados. Muita saúde e sucesso. Jonas sobre Jardel – É uma pessoa que marca. Ele é muito humilde. Temos uma grande cumplicidade [emociona-se]. Ajudou-me muito e tenho um carinho enorme por ele. São companheiros que levo para a vida."

Vai continuar a seguir o Benfica?

"Vou acompanhar os jogos. Quero descansar nos próximos meses, mas vou continuar a acompanhar."

Melhor momento no Benfica?

"Foram tantos… O primeiro título foi marcante. Festejei muito porque foi muito merecido."

Mensagem de Rui Costa:

"O meu muito obrigado por todos os momentos de magia. Foi um privilégio ter um jogador da tua craveira no nosso clube. Não devias acabar nunca. Que tenhas o maior sucesso e serás sempre um dos nossos.

Jonas sobre o Rui Costa:

"Tenho uma grande admiração por ele. Aprendi muito com ele e ajudou-me muito. O carinho e o respeito serão eternos. Às vezes dizia para eu descansar, que não precisava de treinar muito para estar bem. Foi um senhor da bola."

Por Alexandre Moita
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