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Do topo à queda: O princípio do fim para Vale e Azevedo

Completam-se hoje 20 anos da eleição do ex-advogado para a presidência das águias

• Foto: Paulo Calado

O dia 31 de outubro de 1997 ficará para sempre marcado na memória dos sócios e simpatizantes benfiquistas. Nesse mesmo dia, completam-se hoje precisamente 20 anos, João António de Araújo Vale e Azevedo, chegava à liderança dos destinos do clube, batendo Luís Tadeu e Abílio Rodrigues. Da onda de esperança, até ao chorrilho de processos judiciais e condenações na justiça passaram-se três anos de mandato, até que Manuel Vilarinho o derrotou nas urnas e o ex-advogado foi começando a responder pelos inúmeros delitos.

De positivo na sua gestão – e salvo as alterações –, fica a constituição da SAD, a 10 de fevereiro de 2000. Para além disso, e apesar dos muitos problemas burocráticos, Vale, de 60 anos, deixou ainda a idealização do que viria a ser – as obras só arrancaram oficialmente a 22 de setembro de 2006 , já com Luís Filipe Vieira – o centro de estágio do Seixal. Foi ele também quem contratou José Mourinho (ver quadro ao lado). De resto, nem antigos membros da sua gestão o recordam com saudade. Antigo vice-presidente, José Manuel Antunes não deixa de sublinhar, porém, "o início da guerra com a Olivedesportos", e a "informatização do clube". Também ex-‘vice’, João Braz Frade frisa que "grande parte do passivo resulta da quase falência do clube em 2000". "Mais do que uma lição, aprendemos que também se elegem aventureiros", atira, secundado por José Manuel Capristano (antigo homem forte do futebol), a vincar "a sorte do clube em ter apanhado homens como Vilarinho e Vieira, que transformaram ruínas num castelo de 5 estrelas".

José Manuel Capristano: «Talvez o pior da história»

"Foi eleito para mal do Benfica. Julgava-se que era uma esperança e acabou num homem que prejudicou o Benfica. Talvez tenha sido o pior presidente da história do Benfica. Devemos lembrá-lo para não irmos atrás da demagogia. Foi um momento negro da vida do Benfica. Era uma situação dramática. Estes três anos marcaram-me de forma muito profunda e tudo o que possa dizer é negativo. Foi uma desgraça absoluta e é preciso cuidado para não se repetir."

José Manuel Antunes: «Três anos de problemas»

"Foi uma das maiores alegrias da minha vida ter sido eleito nesse dia para servir o meu clube como dirigente. O mandato foram três anos com grandes problemas. Com falta de dinheiro todos os dias. E depois a frustração de saber que fez todas as tramoias que conhecemos. A situação que encontrámos há 20 anos era financeiramente desastrosa. Mas, independentemente do resto, deixámos o clube mais virado para a frente a nível informático."

Braz Frade: «Período terrível para o clube»

"Fui o primeiro elemento da direção a demitir-se. Lembro-me que foi o sr. Fernando Martins que me convidou para integrar a direção. Como sou gestor de empresas, logo que me apercebi do que aí vinha, nem dei o benefício da dúvida. Não quer dizer que quem lá tenha ficado fosse sério e nem todos deviam pensar como eu. Foi um período terrível na vida do clube."

CRONOLOGIA

1997 31 outubro É eleito 31º presidente do Benfica, após derrotar Luís Tadeu e Abílio Rodrigues, com 52 por cento dos votos

2000 31 outubro Termina mandato de três anos, três dias após ter sido derrotado por Manuel Vilarinho, nas até então mais concorridas eleições do Benfica (recolhe 38 por cento do votos)

2001 16 fevereiro É detido pela PJ, no âmbito do ‘caso Ovchinnikov’ e fica em prisão domiciliária. 7 agosto É decretada prisão preventiva.

2002 4 janeiro Deduzida acusação no caso da venda dos terrenos sul do Benfica à empresa Euroárea, que, alegadamente, permitiu que se apropriasse de 5 milhões de euros 10 janeiro Arranca o julgamento do ‘caso Ovchinnikov’, em que é acusado de 14 crimes de peculato e um de branqueamento de capitais 17 abril É condenado a quatro anos e meio de prisão efetiva no âmbito do ‘caso Ovchinnikov’ 29 julho Vai ter de responder, em tribunal, por um crime de peculato, três de branqueamento de capitais e três de falsificação, no ‘caso Euroárea’

2003 11 junho Início do julgamento do ‘caso Euroárea’ 3 setembro Pedro Dantas da Cunha interpõe processo de burla contra VA pela venda de um imóvel, em Lisboa 14 novembro Anulação do julgamento do ‘caso Euroárea’.

2004 19 fevereiro Libertado, sendo detido 20 segundos depois 9 junho É retomado o julgamento do ‘caso Euroárea’ 8 julho Sai em liberdade, mediante uma caução de 250 mil euros.

2005 12 janeiro Condenado a ano e meio de prisão por falsificação de documentos no ‘caso Euroárea’. Fica em liberdade condicional, devido ao cúmulo jurídico com a pena cumprida no ‘caso Ovchnnikov 13 maio É expulso de sócio do clube. 14 novembro TIC confirma que Vale e Pimenta Machado vão ser julgados em Guimarães, pela transferência de Fernando Meira

2006 27 outubro Condenado a sete anos e meio de prisão no ‘caso Dantas da Cunha’; e absolvido do crime de abuso de confiança fiscal num processo relativo ao Benfica

2007 30 março Condenado a cinco anos de prisão, no ‘caso Ribafria’

2008 15 fevereiro Absolvido de dois crimes de falsificação na transferência de Meira. 2 junho Luís Filipe Vieira acusa-o, e ao empresário Paulo Barbosa, de burla na comissão das transferências de 17 jogadores. 8 julho É detido em Londres. 27 novembro Extradição, com recurso

2009 25 maio Condenado a 11 anos e meio de prisão, em cúmulo jurídico. São retirados os três e meio já cumpridos

2011 1 julho Autoridades portuguesas emitem novo mandado de detenção 5 julho Cúmulo jurídico passa de 11 anos e meio para cinco anos e meio de prisão efetiva

2012 12 novembro Entrega-se às autoridades inglesas e é extraditado para Portugal

2016 7 junho Deixa a prisão da Carregueira, em liberdade condicional

2017 26 junho É detido ao entrar no Mónaco, por mandado de detenção europeu emitido em 2008. A situação é resolvida no próprio dia.

Por Filipe Pedras e Nuno Martins
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