Dois adeptos do Benfica negam envolvimento em alegados desacatos nos Açores

Arguidos estão acusados dos crimes de "ofensa à integridade física qualificada" e de "resistência e coação sobre funcionário"

• Foto: José Reis / Movephoto

Os dois adeptos do Benfica que começaram esta terça-feira a ser julgados nos Açores negaram implicações nos alegados desacatos na madrugada de 12 de janeiro deste ano e recusaram supostas agressões ou incentivo à violência.

Os dois arguidos, adeptos do Benfica e integrantes da claque No Name Boys, estão acusados pelo Ministério Público (MP) de, "em coautoria material", terem cometido crimes de "ofensa à integridade física qualificada" e de "resistência e coação sobre funcionário", na "noite de 11 para 12 de janeiro", altura em que estavam em São Miguel para assistir ao jogo de futebol entre o Santa Clara e o Benfica.

Estes dois homens integravam "um grupo de cerca de 40 membros" dos "No Name Boys, grupo organizado, não oficial, de apoio ao referido clube [Benfica]", indicou o MP, acrescentado que os supostos desacatos começaram "cerca das 06h" à porta de um estabelecimento de diversão noturna de Ponta Delgada.

Segundo o MP, na ocasião, vários membros daquela claque saíram da discoteca "sem proceder ao pagamento do que haviam consumido" e "forçando a passagem pelos seguranças que se encontravam na porta da rua do estabelecimento em causa".

Esta terça-feira, no início do julgamento, um dos arguidos, que na altura foi detido no aeroporto de Ponta Delgada, contou que se deslocou por "duas vezes" à discoteca, mas "não" chegou a entrar.

Segundo relatou, da primeira vez ficou "à porta" porque não o deixaram entrar, frisando que à entrada da discoteca "estavam também outras pessoas à espera", mas os seguranças "não deram explicações".

De acordo com o arguido, a segunda ida à discoteca "só ocorreu cerca das seis da manhã", mas também "não chegou a entrar" e "só lá foi para saber de um amigo", alegando ter ouvido "um zumzum que teria havido algo grave" no estabelecimento de diversão noturna.

O homem, que disse já "não" ser membro ativo dos No Name Boys, alega ter sido, então, "insultado à porta por um segurança", admitindo que "reagiu mal" à situação.

"Só queria saber se o meu amigo estaria envolvido na discussão. Eu estava com uma garrafa na mão, fui agressivo na resposta, mas não agredi", salientou ao coletivo de juízes, rejeitando qualquer confronto com a polícia e disse ainda que não agrediu o gerente da discoteca.

O MP alega que os arguidos e os demais elementos do grupo juntaram-se aos elementos da claque que saíram do estabelecimento "sem pagar" e "arremessaram garrafas de vidro em direção aos seguranças" e, com "cintos e bastões metálicos", "desferiram pancadas".

A acusação descreve ainda que o gerente da discoteca "saiu do estabelecimento para ver o que se passava" e um dos elementos do grupo, "com recurso a uma garrafa em vidro, desferiu uma forte pancada na cara do ofendido" provocando "lesões" que obrigaram a tratamento hospitalar.

O outro arguido, que acabou por ficar com "uma bala de borracha alojada na perna esquerda", já que foi necessária a intervenção policial, referiu que esteve no interior da discoteca, mas recusou ter deixado o estabelecimento sem pagar.

Este homem, que disse "não" ser membro da claque, mas "apenas adepto do Benfica", alegou que "no final a noite sentiu alguma tensão no interior da discoteca onde estavam pessoas que "eram do Benfica", apontando "alguns tumultos no exterior, mas não vislumbrou nenhuma agressão".

"Em momento algum agredi, nem incitei" à violência, sustentou, justificando que foi "apanhado pela confusão quando se dirigia para ir para o carro" e ouviu "um disparo para o ar da polícia para as pessoas dispersarem".

Mas, "como não tinha nada a ver com a situação, não tinha nada a temer, mantive-me no local", justificou.

Frisando que só contactou com o outro arguido "quando foi atingido na perna", o homem acrescentou que não viu o gerente da discoteca a ser alegadamente agredido.

Contudo, o gerente da discoteca confirmou ter sido agredido por um dos arguidos com "uma garrafa".

"O meu irmão ligou-me a dizer que estava um grupo que ia sair sem pagar. E quando me desloquei lá os dois arguidos estavam a porta. Vejo uns com uns cintos, outros com pedras e uns até com limpa pingas na mão", sustentou, acrescentando que acabou por "ter que chamar a polícia".

Segundo relatou, "eles eram muitos e entoavam a mesma conversa e diziam ser do Benfica".

Por Lusa
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