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E. Amadora-Benfica, 1-2: A vitória caída do céu

CRÓNICA

Uma vitória caída do céu, obtida já no período de compensação dado pelo árbitro, permitiu ao Benfica o absoluto milagre de conquistar 3 pontos na deslocação à Amadora. Ao fim de hora e meia arrastada, sem soluções de ataque, jogando para trás e para os lados, mesmo quando era suposto assumir a revolta pela desinspiração que explicava o empate, nada fazia prever que os encarnados conseguissem marcar o golo que lhes permitisse chegar ao triunfo. A felicidade chegou num remate de Miccoli, que regressou à competição quase dois meses depois de se ter lesionado e que tinha trazido algumas soluções à ineficácia total que estava a ser a manobra ofensiva dos campeões nacionais.

A sorte que bafejou os benfiquistas acabou por penalizar, naturalmente, o Estrela. Mas, feito o balanço global do jogo, os amadorenses também não têm razão para se sentirem injustiçados. É sempre doloroso perder nos últimos instantes, mas a produção dos pupilos de António Conceição esteve, também ela, muito longe dos melhores dias.

Sem inspiração

O Benfica foi uma tremenda desilusão e desenhou esse sentimento desde o início do encontro. Uma equipa muito presa nos movimentos, com acções previsíveis e sem pingo de talento; dispersa, com sentido posicional mas desconexa e sem dinâmica; cuidadosa com o eventual perigo do adversário mas indiferente aos sinais de que, daquela maneira, só por milagre poderia fazer um golo. A grande verdade é que, fosse por estar em vésperas de ir a Liverpool, ou porque estava frio e tinha chovido, ou até, mais simples ainda, porque não lhes apetecia jogar, os encarnados passaram 45’ acumulando erros da mais variada ordem, acompanhados por imprecisões, displicência e uma resignação quase escandalosa à asneira.

O Estrela não precisou de muito para chegar ao intervalo a vencer. Limitou-se a gerir o desacerto do adversário, a cumprir o guião que apelava a conceitos como concentração, firmeza, união, rapidez nas transições e racional ocupação do espaço. Tendo como objectivo salvaguardar a sua baliza de imponderáveis, sem perder de vista a utilização do contra-ataque, os amadorenses entenderam a tendência do jogo e interpretaram perfeitamente aquilo que deviam fazer. Ao intervalo, tudo se explicava com o desenrolar dos acontecimentos, à excepção do golo de Paulo Machado – a não ser que Moretto cometeu deslize grave, num lance inofensivo.

Entra Miccoli

No segundo tempo a feição do jogo não se alterou. O Benfica mudou a sua estrutura (Geovanni ponta-de-lança, com Nuno Gomes nas costas; Karagounis na esquerda e Robert na direita) mas não a atitude. O portador da bola só encontrava linhas de passe para o lado a para trás; os atacantes escondiam-se atrás dos marcadores e a bola andou quase sempre longe da baliza de Bruno Vale. Só a entrada de Miccoli mexeu ligeiramente com a tendência – o italiano surgiu mais ágil e com vontade de mostrar serviço.

No meio, Manuel Fernandes e Petit foram ganhando a luta naquela zona onde tudo se decidia, mas nunca os encarnados encurralaram o adversário e o obrigaram a resignar à vitória no jogo. Manu, Rui Borges e Semedo ficaram-se por ameaças jamais concretizadas, razão por que tudo apontava no sentido de estar o resultado feito. Não estava. E se os dois primeiros golos da partida tinham caído do céu, o terceiro não lhe ficou atrás. Com a agravante de este transportar consigo o milagre da vitória.

Árbitro

Paulo Costa (0). Uma das piores arbitragens a que pudemos assistir nesta Liga. Os erros sucederam-se e nem os assistentes se salvaram. Um horror.
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