E-toupeira, operação Lex e caso dos emails: o que se sabe sobre os processos que envolvem o Benfica

Polícia Judiciária fez buscas na Luz pela terceira vez em meio ano e Paulo Gonçalves acabou mesmo detido

• Foto: Lusa

A detenção de Paulo Gonçalves por suspeitas de corrupção e as buscas ao Estádio da Luz feitas pela Polícia Judiciária, esta terça-feira, colocam o Benfica novamente a contas com a justiça, agora no âmbito da denominada operação 'e-toupeira'. Trata-se da terceira investigação a envolver o Benfica ou elementos ligados ao clube num curto espaço de tempo, depois da abertura, pelo Ministério Público, dos processos 'Operação Lex' e ainda o relacionado com o 'caso dos emails' (a que se juntou posteriormente o caso dos vouchers, numa investigação única).

Neste âmbito, a Polícia Judiciária realizou buscas no Estádio da Luz três vezes no último meio ano. A saber: 19 outubro (caso dos emails), 30 janeiro (Operação Lex) e 6 março (e-Toupeira').

E-toupeira

Esta terça-feira, Paulo Gonçalves, diretor do departamento jurídico do Benfica e braço direito de Luís Filipe Vieira, foi detido pela Polícia Judiciária sob suspeita de, em nome da SAD do clube, ter subornado três funcionários judiciais para lhe fornecerem peças processuais do chamado 'caso dos mails' - em que o Benfica e os seus dirigentes são investigados, no DIAP de Lisboa, por corrupção desportiva, num alegado esquema com árbitros e observadores dos mesmos.

Segundo o Correio da Manhã, as contrapartidas oferecidas por Paulo Gonçalves aos oficiais de justiça que alegadamente lhe terão dado informações sobre o caso dos e-mails passavam por convites VIP para assistrem a jogos do Benfica, na Luz e fora de casa, bem a oferta de produtos de merchandising, como camisolas da equipa principal

Nesta altura, há quatro arguidos: Paulo Gonçalves, José Silva (técnico de informática do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça) - ambos detidos -, Júlio Loureiro (funcionário judicial no Tribunal de Fafe) e Óscar Cruz (empresário de futebol).

Gonçalves, refira-se, passará a noite nos calabouços da PJ e amanhã será ouvido no Tribunal de Instrução Criminal.

Caso dos emails + vouchers

Espoletado em abril do ano passado pelas denúncias de Francisco J. Marques, que deu conta um alegado esquema de corrupção de árbitros a favorecer o Benfica, envolvendo a SAD dos encarnados, o ex-árbitro Adão Mendes e Pedro Guerra, antigo diretor de conteúdos da BTV. Luís Filipe Vieira, Paulo Gonçalves, Nuno Cabral (ex-árbitro e então delegado da Liga de Clubes), além de Ferreira Nunes, antigo responsável pela classificação dos árbitros, foram também visados. Depois das denúncias, foi aberto um processo de inquérito e decorreram buscas no Estádio da Luz e nas residências dos visados.

Em outubro, a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) confirmaria a investigação a um suspeito, no âmbito do caso, por corrupção passiva e ativa. Já este ano, o Ministério Público "decidiu concentrar num só processo os chamados casos dos 'vouchers' e dos 'emails' do Benfica". Na base desta decisão esteve o facto de ter sido considerado que nas duas investigações "há matéria e personagens coincidentes".

Operação Lex

Em janeiro deste ano, a Polícia Judiciária executou buscas em dezenas de lugares, um deles no Estádio da Luz, desencadeando a Operação Lex. No centro desta operação está Rui Rangel, juiz-desembargador e antigo candidato à presidência do Benfica, com suspeitas de prática dos crimes de corrupção, recebimento indevido de vantagem, branqueamento, tráfico de influências e fraude fiscal qualificada. Luís Filipe Vieira e Fernando Tavares, presidente e vice-presidente dos encarnados, respetivamente, também fazem parte do lote de 12 arguidos.

Segundo as notícias publicadas nas últimas semanas, o MP suspeita que Rangel intercedeu num processo fiscal a favor de Vieira. Segundo explicou a Lusa em janeiro, o juiz-desembargador terá tentado influenciar o titular de um processo de natureza fiscal, do tribunal de Sintra, a troco de um cargo futuro na direção do Benfica ou na universidade que o clube pretende criar no Seixal.


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