Antes de entrar em ação no Mundial, o lateral-direito, de 22 anos, falou a Record sobre o desafio que vai abraçar na Luz. Nélson Semedo é exemplo, mas o nigeriano quer deixar a sua própria marca de águia ao peito.

RECORD: O que é que lhe passou pela cabeça quando ficou a par do interesse do Benfica na sua contratação? Pode contar-nos como decorreu todo o processo desde esse momento até assinar o contrato?

EBUEHI – O Benfica é, realmente, um grande clube. É o maior de Portugal e foi fantástico saber que um clube como este estava interessado em mim. Trabalhei sempre no máximo para que isto acontecesse e fiquei mesmo muito feliz quando soube que ia acontecer. Sinto-me muito, muito feliz.

R: Quando ficou a saber do interesse do Benfica deve ter pensado que estavam a brincar consigo, não?

E – Sim, um pouco! Como disse, o Benfica é o maior clube de Portugal. Porque é que haveria de estar interessado em mim? Mas agora já está tudo resolvido e estou contente por isso.

R: Já tinha algum conhecimento sobre o clube antes de assinar?

E – Para ser honesto, nunca me tinham falado muito sobre o Benfica, mas eu já conhecia algumas coisas. Claro que falei de imediato com os meus pais e com o meu empresário. Tomei a decisão sozinho e, por isso, a escolha foi apenas minha.

R: Será o terceiro futebolista nigeriano a representar o Benfica, depois de Richard Owubokiri (Ricky) e Samuel Okunowo. Isso motiva-o para fazer melhor do que eles?

E – É a primeira vez que ouço isso! Nem fazia ideia de que o Benfica já tinha tido jogadores nigerianos. Mas não existe qualquer pressão nesse sentido, de fazer melhor. A pressão existe sempre no futebol e vou fazer apenas aquilo que sei. Depois veremos o que acontece.

R: O Benfica é conhecido por contratar jogadores por valores reduzidos e, mais tarde, vendê-los por muito mais. Acredita que também poderá vir a atingir um nível na equipa que lhe permita sair da forma que outros futebolistas, como Nélson Semedo, Lindelöf ou Gonçalo Guedes, saíram?

E – Espero que sim, claro! Não sei se sabem, mas o Nélson Semedo é um exemplo para mim por tudo aquilo que tem sido a carreira dele, pelo que já conseguiu. Progrediu imenso! Espero conseguir fazer pelo Benfica o que ele fez. Seria fantástico sair por valores semelhantes aos dele mas, primeiro, tenho de ser fiel a mim próprio. Tenho de escrever a minha própria história.

R: O que é que nos pode dizer sobre si e sobre o seu estilo de jogo? É um lateral ofensivo ou sente-se melhor a defender?

E – Sou lateral-direito mas também posso jogar no lado esquerdo. Normalmente, ajudo tanto no ataque como na defesa mas, acima de tudo, tento fazer o meu melhor. A minha velocidade também tem sido um aspeto importante na hora de atacar.

R: A possibilidade de jogar na Liga dos Campeões foi um fator importante para ter escolhido o Benfica?

E – Sim, claro! A Champions é um dos maiores palcos do futebol internacional e todos os futebolistas têm a ambição de a jogar. Espero que aconteça!

R: Acredita que ficar no ADO Den Haag na segunda metade da temporada, ao invés de reforçar o Benfica logo em janeiro, foi a melhor opção?

E – Para poder estar no Campeonato do Mundo tinha de jogar com regularidade. Conversei com o selecionador da Nigéria, Gernot Rohr, sobre a possibilidade de me transferir para o Benfica e ele disse-me que o mais importante seria jogar e manter-me em forma. Foi por isso que decidi que seria melhor ficar na Holanda. Acabou por ser a decisão correta e estou muito feliz por estar no Mundial.

R: Na apresentação como reforço do Benfica, em meados de maio, surgiu a falar em bom português. Sente que o facto de já dominar a nossa língua poderá ajudá-lo na adaptação ao clube?

E – Sim, porque a comunicação entre os jogadores é muito importante numa equipa. Tenho aulas de português há três meses e acredito que vou adaptar-me muito mais depressa desta forma.

R: O que é que espera nesta sua primeira temporada no Benfica? Definiu algum tipo de objetivo que quer alcançar?

E – Bem, em primeiro lugar ainda tenho de me preocupar com o Campeonato do Mundo. Não quero antecipar-me e começar já a pensar muito à frente. Mas claro que, por ser a primeira temporada, espero ajudar a equipa e que tudo corra da melhor forma. E quero evoluir como jogador.

R: O que é que sentiu no dia em que esteve no Estádio da Luz pela primeira vez?

E – O Benfica tem uma grande história e já tive a oportunidade de conhecer grande parte dela. Vai ser muito bom representar este clube porque, ao mesmo tempo, estou a representar a sua história. Quanto ao estádio, é fabuloso. Vai ser fantástico jogar com 65 mil pessoas na bancada. Mal posso esperar por essa oportunidade.

R: E a primeira conversa que teve com o presidente Luís Filipe Vieira. Gostou daquilo que ele lhe disse quando se encontraram pela primeira vez?

E – Sim, tivemos uma conversa muito aberta e honesta. Ele falou-me do Benfica de uma forma muito interessante e foi muito bom. Fez-me perceber a grandeza histórica do clube e explicou-me que os adeptos estão sempre ao lado da equipa. Foi uma boa maneira para aprender ainda mais sobre o Benfica.

Autores: Oluwashina Okeleji. Serviço especial

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