«Então a partir de agora vai ser assim...»: Keaton Parks e a subida à equipa principal do Benfica

Norte-americano recordou o momento da chegada a Lisboa e ainda o momento da estreia no Estádio da Luz

• Foto: Paulo Calado

Keaton Parks fez, na quarta-feira, em entrevista ao 'Benfica Podcast', uma retrospetiva à passagem pelo Benfica, clube que representou durante duas temporadas. 

Numa conversa com quase uma hora de duração, o médio norte-americano, que agora defende as cores do New York City FC, recordou o momento da chegada a Lisboa, a primeira reação ao entrar no Caixa Futebol Campus, como foi a adaptação às equipas A e B das águias e ainda o momento da estreia no Estádio da Luz, diante do V. Setúbal - jogo esse que foi suplente não utilizado -, com mais de 50.000 pessoas nas bancadas.

Quando chegaste ao Seixal, houve alguma coisa que te deixou impressionado?

"O primeiro contacto com os jogadores que estavam na academia. Jogadores de 12 ou 13 anos e o facto de todos eles dormirem estudarem e dormirem ali, no Campus, sem ter de apanhar um autocarro ou nada de parecido. Sempre que eu ia à academia, fosse para treinar cedo de manhã, ou até para ir um pouco ao ginásio, eles andavam sempre lá a dar toques na bola e a fazer sempre alguma coisa. O facto de ver todos aqueles miúdos a ter todas as possibilidades de crescer a jogar futebol foi sempre algo que me fascinou enquanto estive lá. Sempre pensei que tinha sido espetacular se eu algum dia tivesse tido essa oportunidade quando era criança."

Chegada à equipa principal: como foi a adaptação?

"Claro que no início estava um pouco nervoso, pela forma como os jogadores olhavam para mim e tudo mais. Lembro-me que o primeiro dia que fui chamado para treinar com a equipa estava um dia muito quente, estávamos todos de camisola de manga caveada e calções e mandaram-me para o ginásio e eu pensei: ‘Ah, ok… então a partir de agora vai ser assim. Tenho de me habituar a isto’. Posso dizer que nos primeiros tempos estava um pouco nervoso, mas depois correu tudo bem. O pessoal era fantástico, o staff também e eu comecei a habituar-me à nova vida de jogador de futebol, que passava por estar no Campus e treinar muito."

O momento em que te chamaram para um jogo da equipa principal e quem deu a boa nova

"Eu já vinha a treinar com a equipa principal, durante as pausas internacionais e tudo isso. Não me lembro muito bem de quem me deu a novidade, é provável que tenha sido o Rui Vitória quem me disse pela primeira vez que eu seria chamado para um jogo da equipa principal, mas são convocados 20 jogadores por isso era sempre no último momento que sabíamos se íamos estar mesmo no banco ou não. Foi um sentimento incrível. Só o facto de poder subir ao relvado com eles, de poder fazer o aquecimento no estádio… foi espetacular."

Como foi partilhar balneário com jogadores como Jonas, Salvio ou Pizzi?

"Foi uma loucura para mim. Eu ainda os vejo na televisão, claro que o Jonas não porque já terminou a carreira, e o Salvio já saiu, mas foi uma loucura. Eu já estava há uns anos em Portugal, porque joguei no Varzim, e estava habituado a vê-los na televisão e tudo mais, e o facto de estar com eles no balneário ou de poder sentar-me no banco com eles foi uma experiência muito boa. Sentia que o meu trabalho tinha sido recompensado e estava a começar a dar frutos."

No dia antes da estreia com o V. Setúbal, já sabias que ias fazer parte da equipa principal?

"Não, tive de esperar até ao momento do balneário. Só nos diziam lá. Não estava muito nervoso, penso que já tinha sido chamado só que tinha ficado de fora dos 18, por isso já não era uma novidade para mim, todo aquele processo. Simplesmente estava feliz por poder estar lá e ter a oportunidade de poder jogar."

Em 2017/18, sentiste que havia a pressão depois de terem conquistado quatro títulos consecutivos?

"Sim, claro que havia. Existe sempre pressão num clube como o Benfica. É o maior clube de Portugal, querem sempre conquistar todos os títulos e é normal que existisse pressão. Eu, talvez por ser mais jovem, senti mais do que os jogadores mais experientes, que estavam mais adaptados e sabiam lidar melhor com ela do que eu. Mas sempre que tinha minutos estava lá, a dar o máximo de mim, para certificar-me de que venceríamos os jogos… infelizmente não conseguimos o título no final da temporada."

Quão intimidante consegue ser o Estádio da Luz?

"Nunca senti pressão por causa do estádio, das luzes ou até mesmo dos adeptos. Esse tipo de coisas nunca me incomodou. Mas foi certamente um momento - a estreia – que nunca me tinha passado pela cabeça e foi completamente espetacular. Só queria impressionar os adeptos, a equipa e dar sempre o melhor de mim. É um estádio espetacular, é enorme. Nunca senti pressão, mas foi definitivamente uma sensação de sonho cumprido. ‘Não acredito que estou a jogar num estádio como este’, pensava", finalizou.

Por Sérgio Magalhães
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

ver exemplo

Ultimas de Benfica

Notícias

Notícias Mais Vistas

Copyright © 2020. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.