Erro de Svilar no Sporting-Benfica ou não? A opinião de um especialista

Gonçalo Xavier, fundador do site A Última Barreira, analisa ação do guarda-redes no golo de Bruno Fernandes

A procura da culpabilização no golo de Bruno Fernandes centrou-se no ponto final do lance: remate e golo. Mas antes, até tocar em Svilar, contem as perdas de bola (provocadas pela rápida e forte pressão do Sporting) até ao remate. Foram, pelo menos, três. Houve ainda um defesa lateral que é driblado e que deixa o marcador com a bola descoberta para rematar à baliza. É de fácil percepção. Portanto, até antes de comentar o que o guarda-redes fez ou não, porque não culpar, antes de mais, o coletivo?

Mas a procura da individualização é maior. Vamos então falar de Svilar. 

O gesto técnico do jovem guarda-redes é, apesar de feito no limite e em desespero, o mais adequado. A mão contrária neste caso, com uma bola em força e ao primeiro poste com uma trajetória alta, é eficaz. Nada a dizer aí. Agora o posicionamento…

O movimento corporal de Svilar, pelo que dá a entender pelas diversas perspetivas, sofreu poucas alterações entre o primeiro toque de Bruno Fernandes, antes do drible, até ao remate. Ou seja, o ponto onde fixou foi o seu ponto de partida para o voo. Apoios fixos, e relativamente equilibrado, com uma cobertura algo distante ao primeiro poste, pois estava mais central do que é normal num remate de uma zona mais lateralizada. 

O remate é muito forte e espontâneo, e sendo feito com o pé menos forte de Bruno Fernandes, mais imprevisível. Talvez daí o posicionamento mais central no lance mesmo com um movimento da direita para o meio.

Advém daqui o dito popular que o guarda-redes não deve sofrer golo ao primeiro poste porque é esse que ele tem de controlar em primeiro lugar. O exagero desse dito popular é que, sem análise e contexto, é dito com certeza de que não há golos perdoáveis ao primeiro poste. Existem… pois do outro lado existem jogadores que também podem ter mérito na acção, não sendo apenas demérito do guarda-redes.

Juntando ao facto de ter fixado e não ter reajustado ao movimento da bola antes do remate, Svilar tornou o voo e defesa mais complicadas. Isto pelas câmaras que mostraram as repetições do golo, pois falta um plano atrás da baliza para entender todo o movimento do guarda-redes. Se precisam de entender o que é isto da cobertura ao primeiro poste, que é um movimento mais defensivo do guarda-redes, pode-se usar Rui Patrício como exemplo de alguém que faz muito esse posicionamento/movimento.

Os constantes ajustes e reajustes de um guarda-redes, perante o movimento da bola e dos jogadores, são resultado do maior foco no lance e na procura da redução de probabilidades de insucesso individual no momento do remate contrário. O posicionamento mais 'estanque' e central são é demonstrativo da sua alta confiança individual, pois acredita que reagirá facilmente a qualquer estímulo. Daí ter dado a sensação que Svilar podia ter feito mais… e talvez pudesse, mas não naquele ponto de partida. Mais que um aspeto técnico do voo de forma pura, o problema foi da posição, análise e reajuste dos membros inferiores. Os pés/pernas são facilitadores da ação e, se bem enquadrados, são catalisadores de sucesso, pois a defesa sairá natural após a base estar bem executada.

Gonçalo Xavier
Treinador de guarda-redes e fundador do site A Última Barreira

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