Record

Giovanni Trapattoni: «Venço e volto a casa»

TÉCNICO QUER REGRESSAR A ITÁLIA NEM QUE SEJA NUM CLUBE DA II DIVISÃO

A entrevista à "Gazzetta dello Sport" parece não deixar dúvidas: este é o primeiro e o último ano de Trapattoni no Benfica. O italiano quer ir trabalhar para junto dos "netinhos" no país natal. Até lá, só espera que os "jovens" jogadores do Benfica não vacilem na conquista da SuperLiga
Giovanni Trapattoni: «Venço e volto a casa» • Foto: Pedro Ferreira
O destino parece traçado. Apesar de em Portugal nunca ter admitido que está de regresso a Itália (costuma dizer que tem mais um ano de contrato com o Benfica), Trapattoni foi ontem citado pela "Gazzetta dello Sport" afirmando que a viagem é certa. "Venço e volto a casa", pode ler-se no conceituado jornal italiano. A caminho dos 67 anos mas, avisa, com desejo de trabalhar.

"Sim, Paola [a mulher, com quem diz ter de ir a Fátima...] está sempre a dizer-me para voltar para junto dos netinhos. Voltarei, mesmo que não seja para uma equipa de topo. Não é problema, dar-me-á ainda mais satisfação", prosseguiu, abrindo especulação em torno de um eventual ingresso num emblema em perigo de despromoção, como a Roma. Numa extensa entrevista, publicada ontem mas concedida antes do "derby" com o Sporting, Trap abordou vários assuntos, entre eles a possível vitória na SuperLiga. "Ao início não esperava. Tivemos momentos difíceis, com cinco lesionados importantes, e perdemos a vantagem. Agora podemos ganhar o campeonato e a Taça", disse, explicando ainda que uma vitória no presente campeonato será semelhante ao título de 1989 conquistado no Inter. Por também surgir após longo jejum – nove anos – e depois de uma eliminação da UEFA.

Trapattoni volta a dar ênfase à necessidade de calma neste final de época. "Ainda não ganhámos nada, embora se ande há meses em festa e me dêem palmadinhas nas costas. Mais de meio Portugal apoia o Benfica e, se vencermos, pára tudo. Isto é perigosíssimo, porque a equipa é jovem e pouco astuta. Por exemplo: estamos a ganhar 3-2 e, no final, vão oito jogadores para a área quando temos um canto. Assim perdem-se pontos. Antes dos jogos, os jogadores costumam gritar 'vamos ganhar'. Eu corrijo: 'Vamos procurar ganhar'."

Muitos elogios para os jogadores

Trapattoni derrete-se em elogios a vários jogadores. Voltou a falar da qualidade de Manuel Fernandes – "tem 19 anos mas é uma jóia: corre, pressiona, tem poder de recuperação, excelentes pés e visão de jogo" – e opinou sobre outros. "O Geovanni parecia perdido mas agora, na ala, é um outro Simão. Nuno Gomes faz mover a equipa e o Simão trabalha por três". Trapattoni, próximo de sagrar-se campeão num terceiro país (depois de Itália e Alemanha), considera ainda que a "experiência" é fundamental para se adaptar. Depois, no seu jeito conservador, diz que... "não deve improvisar-se": "Pensam que mando a equipa para dentro do campo e digo: 'Joguem'. Sabem quantos esquemas utilizei, desde a Juventus até ao Benfica?"

A semelhança com José Mourinho

Nenhum treinador do Benfica ganhava ao Sporting, na Luz, para o Campeonato, desde 2000, quando José Mourinho ainda estava no banco das águias. Trapattoni operou agora feito semelhante. A coincidência serviu para lançar palavras elogiosas ao português do Chelsea. "É concreto, realista e os jogadores seguem-no. Estuda e usa o computador. É um persistente. É certo que Benitez, nas meias-finais [da Liga dos Campeões], conseguiu bloquear-lhe os jogadores importantes."
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Benfica

Notícias

Notícias Mais Vistas

M