Gomes da Silva faz contas e conclui: «Vendemos na prática o João Félix por 48 milhões»

Antigo vice-presidente do Benfica volta criticar a forma como os encarnados atuam no mercado de transferências

• Foto: Pedro Simões

Rui Gomes da Silva, antigo vice-presidente do Benfica e candidato assumido às próximas eleições do clube da Luz, voltou a criticar na habitual crónica que assina no blogue 'Novo Geração Benfica' a política de contratações dos encarnados. O ex-dirigente fez contas e concluiu que João Félix foi vendido "por 48 milhões".

"Na semana passada ensaiei umas pequenas contas sobre a venda de João Félix. E nunca será de mais voltar lá. Façam então essa contabilidade! Se aos 120 milhões de venda de João Félix retirarmos 12 para Jorge Mendes (se não o queríamos vender porque pagamos a quem o vendeu?), 20 por RDT que não precisaríamos, 17 por Vinicius que nunca jogará a sério no Benfica, 2,5 por Cadiz que nunca jogará no Benfica, 3,95 (de comissões destas compras, algumas, como a de Vinicius, que são uma vergonha) e, agora, 16,5 por Mattia Perin (15 mais 1,5 de comissões). Pois é João Félix terá sido vendido por 120 milhões menos 71,95 milhões (12 de comissão + 20 + 2 de comissão + 17 + 1,7 de comissão + 2,5 + 0,25 de comissão + 15 + 1,5 de comissão). Ou seja, por 48,05 milhões de euros! Isto é, vendemos - na prática - João Félix por 48 milhões", explica.

E continua: "Ou menos porque os 50 mil euros a mais não chegaram, por certo, para pagar os aviões das deslocações a vários sítios da Europa e do Golfo para vender o jogador que 'nunca quisemos vender'! É este o Benfica que querem? E sendo, acham que é assim que chegam a um título europeu? Se é..." 

Rui Gomes da Silva deixa depois um recado. "Bem pode a comunicação oficiosa disfarçar-se de oposição e tentar-me combater - a mim e aos que, comigo - cada vez mais - discordam desta forma de gerir o Benfica.
Bem pode mas como ainda um dia destes dizia ao Tiago Barreiro, falando sobre o descalabro do início de época das 'modalidades' o que também faz as pessoas perderem é o deslumbramento de vitórias para as quais não fizeram nada para que acontecessem! E como o poder no Benfica é um poder feito de pequenos, cada vez mais pequenos e solitários poderes, haverá um dia que o deixarão de ser!"

"Entreposto de jogadores"

O antigo dirigente abordou ainda o facto de o Benfica ter sido o quatro clube europeu que mais ganhou com transferências.

"De 2010 a 2019, entraram no Estádio da Luz (de acordo com o Observatório do Futebol – CIES) 780 milhões de euros. Mais do que o Benfica - nesses mesmos 10 anos - só a Juventus, o Chelsea e o Mónaco, este com mais de mil milhões de euros (com o Porto no 11.º lugar, com 592 milhões de euros). 780 milhões de euros em 10 anos! Uma média - fácil neste caso - de 78 milhões de euros, por ano, de vendas de jogadores feitas pelo Benfica. Um êxito, um orgulho para quem tem do Benfica uma ideia de entreposto, de agência de jogadores", considera.

"Parabéns aos que ganharam muito dinheiro com todas essas vendas - sejam já eles quem forem, portugueses ou não, e com escritórios na Europa, no Médio Oriente, em África ou, até, noutras paragens menos prováveis - e aos que, nas conversas de café, em cada derrota europeia, sacam do argumento de 'campeão das vendas', como sendo esses os 'campeonatos' do Benfica! O melhor da semana, mas não para quem não gosta de um Benfica como um entreposto de jogadores." finaliza.

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