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Heynckes despreza as bases e perde «congresso» da Reboleira

BENFICA CLARAMENTE DERROTADO (3-0) PELO ESTRELA DA AMADORA

Heynckes despreza as bases e perde «congresso» da Reboleira
Heynckes despreza as bases e perde «congresso» da Reboleira

O BENFICA sofreu domingo a derrota mais pesada no campeonato 1999-2000, ao deixar o Estádio José Gomes, na Reboleira, batido por 3-0 pelo Estrela da Amadora. É verdade que o Estrela entrou melhor em campo e que se adiantou logo após o quarto de hora. Contudo, o Benfica ainda deu a volta e chegou a dominar, através de um volume de jogo que deixava adivinhar a recuperação.

Só que uma coisa os encarnados nunca tiveram: capacidade de remate. E quando Heynckes tentou mudar as coisas, fê-lo de um modo exagerado.

Desprezou as bases da equipa (a defesa) e abriu caminho ao contra-ataque do Estrela. Daí até à goleada foi apenas um passo.

O Estrela foi melhor do que o Benfica no início e no final do jogo. Até ao lance do 1-0, marcado quando iam decorridos 17', e após o 2-0, feito aos 74'. Pelo meio, o Benfica jogou mais, num sufoco que, contudo, não encontrava correspondência na área. Perante a ineficácia de Nuno Gomes e companhia no capítulo do remate, Heynckes investiu em mais homens na frente e deixou o Benfica a jogar com três defesas para outros tantos atacantes do Estrela. Mas se há algo que Jesus sabe fazer é ler um jogo de futebol. O técnico do Estrela fez então a substituição decisiva: trocou Vítor Vieira por Serginho e passou a jogar com dois pontas-de-lança, obrigando os laterais do Benfica a jogarem no meio. E os golos vieram logo a seguir.

Tal como contra o FC Porto e o Sporting, o Estrela apresentou-se contra o Benfica num 4x3x3 baseado em três médios de grande espírito combativo e em dois extremos a fecharem bem as alas e a apoiarem o ponta-de-lança, Gaúcho I. O Benfica, por seu turno, jogava em 4x2x3x1, com Calado e Machairidis a actuarem como pontos de referência de um ataque que tinha Maniche à direita, Sabry à esquerda e Kandaurov no apoio directo a Nuno Gomes. Heynckes mudou em relação à goleada ao Farense: em vez de João Pinto (o único jogador de campo que não utilizou) apareceu Calado e Poborsky cedeu a vez a Sabry.

O jogo começou com um encaixe defensivo perfeito do Estrela, onde toda a gente, com excepção de Gaúcho I e Jorge Andrade, se entregava a marcações individuais. Graças a esta estratégia e a um início muito forte do triângulo de meio-campo, os donos da casa chegaram ao 1-0 quando o Benfica ainda não tinha sequer rematado. E mesmo antes do tento de Gaúcho I (17'), já Bossio, com uma saída comprometedora, deixara Kenedy em situação de rematar (7').

Contudo, o Benfica reagiu bem ao golo e começou a empurrar o meio-campo do Estrela para trás. O jogo tinha agora, sobretudo, o sentido da baliza de Tiago, mas o único a queixar-se era Gaúcho I, que várias vezes chegou a abrir os braços para protestar com os colegas mais recuados sempre que estes não o ajudavam no “pressing” defensivo. O Benfica rematou pela primeira vez aos 24', por Nuno Gomes. E até ao intervalo, não se viu o Estrela. Foi o Benfica quem se aproximou do empate, primeiro por Calado, que chutou ao lado (32'), e depois numa jogada de Kandaurov, a proporcionar a primeira defesa a Tiago (45').

Talvez por isso, a segunda parte trouxe o Benfica entusiasmado. Logo nos primeiros 7', os encarnados chutaram tanto como em toda a primeira parte, chegando perto do golo por Sabry (de livre, aos 48') e Nuno Gomes (num remate em arco, aos 52'). Contudo, a propensão para o remate durou pouco e, com o correr do jogo, o futebol ofensivo não tinha correspondência.

Heynckes não foi paciente e arriscou. Num minuto, trocou Paulo Madeira e Calado por Chano e Poborsky, passando a jogar com dois extremos bem avançados (Poborsky e Sabry) a alimentar Nuno Gomes, quatro elementos no meio-campo e três defesas (Rojas à direita sobre Verona, Ronaldo a marcar Gaúcho I e Bruno Basto na esquerda, atento a Vítor Vieira).

Só que Jesus trocou-lhe as voltas: tirou Vieira, meteu Serginho a jogar mais atrás e mandou Verona encostar a Gaúcho I no meio. Os laterais do Benfica foram obrigados a vir jogar para o centro da defesa e os golos sucederam-se. O 2-0 apareceu aos 74', por Gaúcho I, a concluir uma excelente jogada de Verona, de onde Rojas não saiu ileso. E o 3-0, por Kenedy, após um trabalho de Gaúcho I, servido por um passe de Jorge Andrade (84'). Caía o Benfica, por excesso de risco de um treinador que apostou tudo no ataque mas acabou por destruir o resto da equipa.

ANTÓNIO TADEIA

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