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Homenagem do povo ao Príncipe

NINGUÉM SE LEMBROU DO QUARTO LUGAR NO CAMPEONATO

Duas horas antes do arranque do encontro, a romaria circunda o estádio: gentes colocam cachecóis ao pescoço ainda com as etiquetas (a compra é fresca); dois, três, quatro autocarros não de Setúbal mas da Damaia e a previsão da véspera confirma-se: a casa vai encher para assistir ao último jogo de Rui Costa.

São 19 horas, ecoam as primeiras músicas, Carvalhal reúne-se com alguns jogadores e o círculo do meio-campo está tapado com um cartaz redondo alusivo ao momento: “Obrigado Rui 10”. As cadeiras das bancadas estão à espera de ser a caixa de ressonância dos cânticos em homenagem ao filho pródigo: quarenta minutos depois, o príncipe do povo encarnado entra em campo para o aquecimento e a recepção é estrondosa e emotiva.

Ao som de “Simply the Best” de Tina Turner, Rui Costa cumpre os exercícios ao ritmo de palmas. Rodríguez, Léo e outros segredam-lhe confidências e o 10 vê a carreira passar-lhe à frente dos olhos lacrimejados nos ecrãs gigantes. O apronto está terminado e o médio recolhe aos balneários após um remate à trave de Quim para surgir, depois, à frente do pelotão com a braçadeira de capitão e os filhos Filipe e Hugo à sua direita e esquerda, respectivamente.

Falta pouco para o apito inicial, as tarjas erguem-se – “Obrigado Maestro, por ontem, por hoje e por amanhã” – e a emoção transborda-lhe pelo rosto. Recebe a distinção de Lisboa e do Benfica pelas mãos de António Costa e Luís Filipe Vieira, coloca-se ao lado dos companheiros para a derradeira fotografia de conjunto. É tempo de acção.

Diversão

Aos 30 segundos toca na bola e arranca os primeiros aplausos à plateia. O Maestro tem o público na ponta do seu pé direito e é com ele que vai deliciando os presentes. Enche o palco com fintas de corpo, túneis, “sprints”, sente a esperança nos gritos do público com o golo boavisteiro em Alvalade e faz o que sempre fez melhor: assiste Katsouranis, curva-se, pede que o grego se coloque sobre as costas e festeja em comunhão. A cena repete-se com o tiro de Cardozo e os adeptos, emocionalmente seguros da vitória, entregam-se de alma e corpo a Rui Costa.

A segunda parte é dele e da procura do golo simbólico que teima em não surgir. Não há assobios. Apenas incentivos perante algum (natural) egoísmo de querer terminar em apoteose – a ele, tudo se perdoa.

Figo disse: “O Rui é muito maior que o Benfica”. O público justifica essas palavras: substituído por Binya, entronizado em massa, o adeus do “último 10” ofusca o regresso dos festejos do 21 e o resultado final passa a secundário. Os pecados colectivos da equipa são absolvidos e o quarto lugar parece irrelevante.

A noite é de Rui Costa, que desfila com os filhos junto dos seus: ”Acabou. Saio exausto, cansado mas feliz por terminar junto da minha gente.”

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