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Inter-Benfica, 0-0: Fica a promessa

CRÓNICA

Nem euforia nem tão-pouco desilusão. O empate de ontem à noite, na inóspita cidade de Palermo, com os termómetros a marcarem 30 graus, tem de se considerar positivo para a equipa de Jesualdo Ferreira. Certo que o calor era igual para o Inter, certo que sete dos 16 jogadores escalados por Hector Cuper são provenientes da equipa de sub-21; certo, ainda, que faltam as estrelas, como Ronaldo ou Vieri, entre outros. Tudo isto é verdade. Mas será suficiente para desvalorizar o resultado dos encarnados nesta altura da época? Não, na nossa modesta opinião, a despeito do Benfica não ter produzido uma exibição de encher o olho, bela ou belíssima. Produziu, isso sim, alguns bons lances e teve um volume de futebol ofensivo que, medindo o peso dos opositores e as naturais diferenças entre Étoile Carouge e Auxerre, por um lado, e Inter, por outro, pode e deve ser avaliado de forma positiva.

Jesualdo Ferreira utilizou pela primeira vez Petit e, fazendo valer aquilo que admitiu perante os jornalistas ainda na Suíça, deu maior liberdade ao médio que se destacou no Boavista, enquanto Ednilson recuou para bem próximo dos centrais. Tiago, sempre com um futebol elegante, completava o trio que servia como primeiro obstáculo e que, de certa forma, atenuava as eventuais descidas de Armando e Cristiano – um aspecto que o técnico ainda terá de trabalhar com paciência. Mas só esporadicamente o Benfica chegou perto da baliza, na maior parte da situações pelos pés de Zahovic, também muito por culpa de Mantorras que está claramente a atravessar uma fase menos boa mas que, a qualquer momento, com um golo, pode ser ultrapassada.

Se a ausência de golos é, para já, motivo de alarme, a consistência defensiva, agora reforçada com a presença de Petit, parece assegurada e, de forma gradual, Jesualdo Ferreira caminha de encontro à estrutura que pretende para a nova temporada. Dobrando o cabo do medo, o Benfica podia ter saído do "La Favorita" com uma derrota mas também na posição de vencedor. Se Dalmat rematou à barra, também João Manuel Pinto acertou no travessão, enquanto Roger se encarregava de desperdiçar a melhor oportunidade. Enfim, valeu.

Jesualdo Ferreira e as suas dúvidas

Aos poucos, Jesualdo Ferreira caminha de encontro à equipa que espera ter em bom plano no início da temporada. Com as contratações ainda em «stand-by», o treinador dos encarnados tem-se deparado, para já, com uma dificuldade maior e que foi bem visível nos jogos de preparação: Armando e Cristiano ainda não terão chegado ao patamar pretendido e, daí, a insistência, na segunda metade, em Éder e em Cabral.

Positivo

O futebol mais harmonioso e consistente do meio-campo encarnado com a entrada de Petit e já uma maior proximidade da baliza adversária, em perfeita sintonia com a segurança defensiva – Argel em bom plano – apesar de uma ou outra falha que só o tempo se encarregará de diluir.

Negativo

Ao fim de três jogos, o golo de Anderson ao Étoile Carouge, no primeiro encontro de preparação, em Genebra, significa um oásis no deserto que é, para já, o ataque dos encarnados. Falta Fehér e falta, essencialmente, confiança a Pedro Mantorras, que tarda em encontrar os caminhos da baliza adversária. A rever, também, os laterais, para já pouco dinâmicos.
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