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Jogadores do Benfica pedem perdão aos sócios

PELA EXIBIÇÃO FRENTE AO CELTA DE VIGO

Jogadores do Benfica pedem perdão aos sócios
Jogadores do Benfica pedem perdão aos sócios

O PLANTEL do Benfica apresentou sexta-feira à noite desculpas formais aos sócios do clube pela exibição e a goleada (0-7) sofrida diante do Celta de Vigo, na noite anterior. O capitão da formação encarnada, João Pinto, acompanhado do subcapitão, Paulo Madeira, deslocou-se no final do treino à sala de Imprensa para ler uma declaração, "assinada por todos os jogadores", na qual os profissionais do clube da Luz se retractam publicamente.

Avançado e defesa-central estiveram diante dos jornalistas menos de um minuto. Tempo suficiente para pedirem o perdão dos adeptos. De voz tremida, João Pinto fez saber que os jogadores reconhecem não terem estado "à altura dos pergaminhos do clube". E prometem "redobrar o empenhamento", conscientes do "esforço financeiro" da Direcção e dos sócios.

Após a leitura do comunicado, não houve direito a perguntas. Contudo, João Pinto ainda acrescentou, antes de abandonar a sala: "Esta declaração foi assinada por todos os jogadores. E é, de facto, o que pensamos neste momento."

Os jogadores não se ficaram apenas pelas palavras. No relvado, também tentaram a reconciliação com os sócios. Antes de recolherem aos balneários, os atletas (os titulares em Vigo primeiro; depois os outros) deslocaram-se para o local onde se encontravam os adeptos e, de braços no ar, bateram palmas, num sinal de "mea culpa". Seguiu-se a leitura da declaração.

TENSÃO NA LUZ

O pedido de desculpas do plantel surgiu no final de um treino, durante o qual os mais de 500 adeptos presentes não se cansaram de apupar os jogadores. Durante a uma hora que durou o apronto, os sócios não calaram a sua indignação pela exibição em Vigo. Dos futebolistas, quase ninguém escapou. João Pinto, Paulo Madeira, Calado e Nuno Gomes foram os mais visados. Jupp Heynckes, esse, foi fortemente ovacionado. Respondeu com aplausos.

Eram 17 e 20 horas, João Vale e Azevedo subiu ao relvado principal da Luz. A seu lado, seguiu o técnico alemão; atrás, o vice-presidente para o futebol, José Manuel Capristano, e os jogadores. Uma entrada que parecia ensaiada. Logo aí, ouviram-se as primeiras vaias. O presidente benfiquista e Capristano abandonaram o relvado cinco minutos depois.

O plantel, esse, continuou em campo. O treino acabou por se transformar num inferno para os jogadores. Os adeptos estavam sentados no topo sul do estádio e os atletas treinaram-se precisamente do lado onde os sócios assistiam ao apronto. Além dos muitos impropérios, os indefectíveis encarnados também não se cansaram de reclamar por um pedido de desculpas por parte de João Pinto, na qualidade de capitão. E até foi possível ver um cachecol do Celta na bancada.

Em contraste com a tranquilidade que reinou na parte da manhã, a tarde, na Luz, foi de grande tensão. À medida que as horas avançavam, centenas de adeptos concentraram-se junto da zona por onde entram os jogadores. E foram manifestando o seu desagrado à medida que chegaram os futebolistas, responsabilizando-os pela derrota. Andrade foi o primeiro a fazê-lo. Os restantes foram seguindo a conta-gotas. Foram poucos os aplaudidos.

O ambiente hostil continuou após o treino. Nem o pedido de desculpas acalmou os adeptos. Os poucos que esperaram pela saída dos futebolistas voltaram a fazer sentir a sua indignação. Poborsky e Enke foram os mais aplaudidos. Assim com Heynckes, que recebeu forte ovação. Pelo contrário, El Khalej, Paulo Madeira, Bruno Basto, Calado, Nuno Gomes, João Pinto e Luís Carlos foram os que mais sentiram a ira dos adeptos. De tal forma que os carros de Calado e Nuno Gomes foram atingidos com algumas palmadas. Pelo sim pelo não, dois agentes da PSP encontravam-se no interior do estádio, junto da escadaria principal.

A DECLARAÇÃO DOS JOGADORES

"Ao Benfica, como instituição, e à sua massa associativa, pela grandeza reconhecida, nacional e internacionalmente, conscientes da anormalidade do resultado do jogo em Vigo, vêm por isso os jogadores, nas pessoas do capitão e subcapitão, publicamente reconhecer que não estiveram à altura dos pergaminhos do clube. Creiam que nós e as nossas famílias sofremos duramente com esta derrota. E prometemos redobrar o nosso empenhamento, na dignificação do clube. Temos também a consciência do esforço financeiro feito pela Direcção e mais de 100 mil sócios que apoiam o Benfica. A eles e aos milhões de simpatizantes do Benfica vimos formalmente pedir desculpas."

TARDE QUENTE NA LUZ

15.35 -- Andrade é o primeiro jogador a chegar à Luz. Foi ignorado.

15.45 -- Chega El Khalej e ouve algumas "bocas". Logo a seguir é Poborsky a dar à costa.

15.59 -- Ouve-se a primeira assobiadela, com a chegada de Paulo Madeira e Bruno Basto, este à boleia do defesa-central.

16.10 -- É a vez de João Pinto, Luís Carlos e Nuno Gomes aparecerem. Apesar de acompanhados das respectivas esposas, não escapam de ouvir apupos.

16.30 -- Heynckes chega e ouve aplausos. Antes, também os adjuntos espanhóis, Martin-Delgado e Angel Vilda, foram aplaudidos.

16.50 -- Já com os sócios na bancada, Vale e Azevedo entra nas instalações do clube.

17.20 -- Vinte minutos após a hora marcada para o início do treino, o presidente benfiquista, com Heynckes a seu lado, entram no relvado. Atrás seguem o "vice" José Manuel Capristano e os jogadores. Os dois dirigentes deixam o relvado cinco minutos depois.

18.00 -- Tem início a reunião dos órgãos sociais.

18.25 -- Termina o treino, com os jogadores a despedirem-se dos sócios com uma salva de palmas. Era o primeiro passo para o pedido de desculpas.

19.10 -- Saem os primeiros jogadores.

19.30 -- João Pinto lê a declaração em que o plantel apresenta as desculpas aos sócios. Por essa altura, Maniche, Nuno Santos, Poborsky e Enke abandonam o estádio, debaixo de aplausos. O checo e o alemão são os mais saudados. Ao contrário de El Khalej, bastante vaiado.

19.35 -- É a vez de Calado deixar a Luz. O seu carro é atingido com algumas palmadas.

19.45 -- Heynckes, à saída, é alvo de forte ovação dos sócios, que gritam pelo nome do técnico alemão. Mais uma vez, Martin-Delgado e Vilda recebem aplausos.

20.15 -- Nuno Gomes, João Pinto e Luís Carlos são os últimos jogadores a sair. O carro é conduzido pelo ponta-de-lança e nele seguem também os outros dois. Ouvem-se insultos e o veículo é atingido por palmadas.

22.00 -- Termina a reunião dos órgãos sociais, que durou quatro horas. É lido o comunicado.

NUNO MARTINS

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