José Eduardo Moniz: «A coisa mais importante que fiz foi garantir que o Benfica tinha estabilidade»

Recorda momento em que foi apontado à presidência

• Foto: Miguel Barreira 

José Eduardo Moniz deu uma entrevista à Rádio Observador onde esclareceu que não tenciona ser presidente do Benfica e frisou que o melhor papel que teve na vida dos encarnados foi "garantir que o Benfica tinha estabilidade" numa altura em que se cogitava o seu nome como concorrente de Luís Filipe Vieira.

"Não dependo do Benfica para viver, não quero depender e não quero que os sócios do Benfica pensem que alguma vez eu tirei partido de alguma situação privilegiada dentro do clube", sublinhou o vice-presidente das águias.

Tem a ambição de ser presidente do Benfica?


Não, não tenho essa ambição. Acho que o Benfica está no bom caminho, tem um presidente que já lá está há muitos anos.

Isso não é mau?

Já escrevi e estou à vontade para o dizer. Em todas as instituições deve haver limitação de mandatos. É a minha opinião, gostem ou não. Ninguém se deve eternizar até porque nós precisamos de nos renovar. Não quer dizer que não voltemos. Mas acho que tem de se dar oportunidades a outros porque o sangue renova-se todos os dias. Senão acabamos por eventualmente estragarmos aquilo que de bom fizemos.

Conseguiu convencer Vieira em relação à sua opinião?

Nunca abordei esse assunto com ele nem tenho de o fazer. Ele é um homem feliz à frente do Benfica. Com ele, o Benfica tem recuperado glórias passadas o que é relevante. Ganhou os campeonatos que se sabe e precisa agora de se afirmar na Europa, é o próximo passo. Espero que se consiga isso.

Qual é o seu papel actualmente no Benfica?

Sou membro da direção do Benfica e do Conselho de Administração do Benfica mas é preciso perceber que os clubes são entidades muito centralizadas numa pessoa. Temos de ter a noção disso. Só aprendi isso quando lá cheguei. Há uma coisa que tenho dito e reafirmo: a coisa mais importante que fiz no Benfica foi garantir que o Benfica tinha estabilidade. Quando entro no Benfica foi numa fase em que se dizia que ia desafiar Luís Filipe Vieira na presidência do Benfica. Eu quis transmitir outra coisa, que o Benfica só funciona a partir do momento em que as pessoas estiverem unidas, seja o papel mais ou menos relevante.

Gostava de ter um papel mais relevante no Benfica?

Em todas as instituições as pessoas gostavam de ter mais intervenção do que aquela que têm. Eu vivo bem com aquilo que tenho. Como lhe disse, esse é um lema da minha vida, eu só estou nos sítios até querer. Nunca recebi um tostão como administrador da SAD.

Isso faz sentido?

Os administradores do Benfica não são pagos. Acho que não deveria fazer sentido mas é aquilo que os estatutos estabelecem e, portanto, é isso que se deve fazer.

Não é um convite a que as pessoas recebam ‘em espécie’, pela sua influência?

Nunca recebi nada. Nós temos causas às quais nos agarramos. O jornalismo tem sido sempre um motor muito grande. Já ganhei pouco e muito dinheiro na atividade do jornalismo. Não vou por em causa a honestidade das pessoas pelo facto de elas não receberem dinheiro. Falo por mim. Não recebi um tostão nem tenciono receber. E tenho a certeza que os meus colegas também não. Se soubesse que não seria assim, no momento em que soubesse não estaria ali. Quando não consigo numa viagem que o Benfica faz ao estrangeiro ir no avião da equipa, não peço ao Benfica para me pagar a viagem. Eu pago a minha viagem. Não estou a dar dinheiro ao Benfica. Faço o que acho que coerentemente devo fazer. Não dependo do Benfica para viver, não quero depender e não quero que os sócios do Benfica pensem que alguma vez eu tirei partido de alguma situação privilegiada dentro do clube.

Por Flávio Miguel Silva
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