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Lendas aprovam Paulo Almeida

PELÉ, COUTINHO E ZITO RENDIDOS À CATEGORIA DO REFORÇO ENCARNADO

Paulo Almeida virou craque numa ascensão tão retumbante que o colocou como titular imprescindível na equipa profissional do Santos, líder do grupo com a braçadeira de capitão, convocado para a selecção brasileira…. Enfim, nada visto nos últimos anos, apesar do Brasil propiciar estes enérgicos crescimentos. Tudo rápido, realmente, mas assente, dizem os entendidos, na sua categoria e numa aposta ousada do clube. O Santos, onde os novatos Robinho e Diego já brilhavam, viu assim despontar mais uma maravilha. Na generalidade, técnicos e antigos jogadores renderam-se e até Pelé comentou o aparecimento de tão influente trinco numa equipa exigente.

A verdade é que o sucesso começou a ser previsto desde o dia em que entrou, para meros treinos, no Centro de Treinamento Rei Pelé. Prestes a complementar 17 anos, Paulo Almeida chegou a S. Paulo em 1998 e passou nos testes preliminares com distinção. Coutinho, eternamente consagrado como o parceiro de Pelé e um dos mitos do Santos [370 golos e um coleccionador de troféus], era o treinador e ordenou de imediato a sua integração no elenco. "Lembro-me do aparecimento dele, pois a sua qualidade era muita. Sabia o que fazia e com uma convicção invulgar. Ele queria ser profissional", atesta, em Record, o brasileiro que deixou o clube paulista para fazer parte da Secretaria do Estado do Desporto.

O Rinconzinho…

Em 2000, com 19 anos, estreou-se na equipa profissional num jogo contra o Guarani. Nunca mais parou. Afirmou-se e foi declarado sucessor de Ríncon, de resto, aquele que mais o ajudou na integração como profissional. Dividiam o quarto nas concentrações e, devido a um estilo muito semelhante, passou a ser tratado por Rinconzinho. Giba, actual treinador do Atlético de Sorocaba e responsável pela sua promoção a profissional, orgulha-se da aposta. "Treinei-o nas categorias de base e, ao aperceber-me da categoria, não tive receio em apostar na sua promoção. Respondeu bem e o sucesso não tardou", registou. "Paulo Almeida pode ser comparado a Mauro Silva do Corunha. Mas atenção que é mais técnico. Tem uma personalidade forte e destaca-se pela sua liderança natural. Faz um bom balneário e transmite muita confiança aos colegas", concluiu.

Zito, outra das lendas do Santos e que na década de 60 defrontou o Benfica na Luz (63), no Brasil, nos Estados Unidas e na França, avalizou desde sempre a aposta em Paulo Almeida. "Foi promovido depois de ter disputado irrepreensivelmente a Taça S. Paulo de juniores, que é uma competição forte e exigente. Aí, decidimos arriscar", lembrou à nossa reportagem. E atenção que Zito fala com propriedade, pois foi um "trinco" de incontestável classe.

Corria o ano de 2002. O Santos, ao fim de muitos anos, prepara-se para voltar a ser campeão. Pelé, sempre atento, regozija-se e publicamente. "Acho que o equilíbrio da defesa do Santos é o Paulo Almeida", opinou o Rei, já depois do presidente, Marcelo Teixeira, ter eleito Paulo Almeida como o "símbolo da sua gestão", por predominar a aposta dos jovens."

Pelé, Coutinho e Zito

Pelé: "O Paulo Almeida tem o espírito do Zito: é de guerra, um cara que não quer perder um treino para ser sempre melhor. É uma coisa engraçada, mas realmente eles estão a coincidir. Paulo Almeida já provou ser um jogador de futuro, com muita personalidade e a directoria apostou bem na sua profissionalização."

Coutinho: "Da maneira que eu tenho visto o Benfica exibir-se, ele vai jogar aí em Portugal sossegado. É um jogador disciplinado tacticamente, forte na marcação, com um incrível vigor físico e que chega bem à área. Trata-se, sem dúvida, de um bom jogador e cuja personalidade, muito vincada, sempre foi destacada pelos companheiros."

Zito: "É um líder com carácter, humildade e sentido de responsabilidade. Soubemos que fez um pré-contrato com o Benfica e, sinceramente, espero que tenha sucesso. Neste momento nem tem sido muito utilizado, pois o treinador apostou noutro jogador [Claiton] para preparar o futuro. Sem dúvida que a saída do Paulo é uma questão de tempo."

Geninho babado dá as notas

Paulo Almeida já assumiu que Geninho, em 2002, foi o treinador que mais marcou a sua carreira. O antigo treinador do Vitória de Guimarães, actualmente no Vasco da Gama, agradeceu a deferência e para o nosso jornal aceitou analisar as potencialidades do internacional brasileiro. "É extremamente obediente em termos tácticos e forte na marcação. Não é alto, mas o seu jogo aéreo é interessante. Desempenha, realmente, muito bem a função de trinco. Entende-se bem com os centrais e está sempre atento para cobrir o colega que decide sair com o esférico da sua defesa. É um belo jogador", regozija-se. Geninho não deixou, também, de invocar a sua forte personalidade: "Com 20 anos foi 'capitão' no Santos, o que é um facto digno de registo. Com a sua idade é complicado liderar uma equipa como a do Santos, mas o seu carácter fez a diferença."

Um líder natural

A sua história de sucesso no Santos tem um dado incontornável: capitão. A braçadeira pertenceu-lhe sempre nos escalões de formação e conquistou-a na equipa profissional. Admirador de Redondo e Ríncon, Paulo Almeida não esconde que gosta de ser o líder e tem presente na memória a infância: "Para ser capitão é preciso ter uma personalidade forte. É um requisito importante e eu tenho-o. Em pequeno, nas ruas de Itarantim, eu era o mais novo mas batia-me com os mais velhos. Eu dava bronca dizia que enfrentava todo o Mundo. O meu irmão Nem Leão (Francisco), que foi jogador amador, serviu-me de exemplo pela sua garra e liderança."

Rotura e grande susto

Não existem registos públicos de lesões graves na sua carreira. A única, de facto, aponta para uma rotura muscular, em Setembro de 2003, num jogo amigável com o Cuiabá, em Mato Grosso. Uma lesão, de resto, que fez escapar o futuro benfiquista de um susto na viagem do regresso a S. Paulo. "O avião esteve perto de descer, mas subiu novamente muito rápido. O aeroporto estava fechado devido às fortes chuvas. Estava a dormir e nem me apercebi", relatou, depois de ter conversado com os companheiros. Sobre a lesão: "Tinha tantas dores, que demorei uma meia hora a vestir as calças."

Dormiu com o troféu

Campeão, em 2002, o Santos conheceu nova glória e os festejos foram de arromba. Paulo Almeida estava eufórico. A noite foi longa e ninguém se lembrou de guardar o troféu. Menos o "trinco", que o levou para casa. Dormiu com ele e no dia seguinte foi entregá-lo a Vila Belmiro, local onde está edificada toda a estrutura do "Peixe".

Vermelho ao árbitro

Em 2003, num jogo que decidiu, no Morumbi, o vencedor da Libertadores, Paulo Almeida protagonizou uma cena pitoresca. O Santos jogava com o Boca e o árbitro preparava-se para mostrar um cartão amarelo ao guarda-redes, Fábio Costa, por ter cometido a grande uma penalidade. Mas os cartões caíram-lhe e Paulo Almeida, ao pegar no vermelho, exibiu-o ao próprio juiz. Este não levou a mal a brincadeira. Sorriu, não admoestou o brasileiro e o povo delirou.
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