Liberdade para sorrir em tons encarnados

Crianças viveram um dia diferente

• Foto: Paulo Calado

Só quem já experienciou a realidade de viver privado de liberdade pode falar com conhecimento de causa sobre as dificuldades por que passam muitos reclusos nas cadeias do nosso país. E quando há crianças pelo meio, o tema torna-se mais complicado... No estabelecimento prisional de Tires a população é inteiramente feminina mas, só na Casa das Mães, inaugurada em 2000, estão alojadas 23 crianças, que viveram ontem um dia diferente. E nem os muros altos, protegidos por arame farpado, roubaram os sorrisos.

É difícil encontrar uma forma de abordar quem vive diariamente entre quatro paredes, mas a presença da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, e também de Carlos Móia, que uniu esforços para que a Fundação Benfica apoiasse a construção de dois parques infantis no interior da cadeia – no âmbito de um protocolo com a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais –, ajudou a contornar esse ‘problema’. "Isto deu outra cor ao nosso dia. O meu filho ficou doido com o Benfica e até já me veio dizer que já não quer ser do Sporting", diz Patrícia Carvalho, que entrou na cadeia aos 17 anos, grávida do pequeno Rodrigo. Hoje tem 21 e resta-lhe cumprir mais dois a três anos de uma pena de nove, por furto: "Vou sair daqui com um filho nos braços e espero entrar na faculdade. Gostava de tirar um curso relacionado com fotografia ou design."

Sofrer pelo rádio

Ana Cruz está no estabelecimento prisional de Tires há cinco anos e o filho, Gustavo, já não usufruirá do espaço criado com o apoio da Fundação Benfica, pois já fez quatro anos e a Casa das Mães acolhe crianças até aos três.

Longe do pequeno Gustavo, dá uma ajuda às outras mães e tem no Benfica um escape. A presença da águia Vitória e de outras figuras ligadas ao universo encarnado tornou mais radioso um dia que começou cinzento. "Sou benfiquista ferrenha e tenho pena de não poder ver mais vezes os jogos... Aqui só temos os quatro canais e o último conseguimos ver porque deu em canal aberto. Caso contrário sofro pelo rádio", diz Ana Cruz, de 27 anos, aproveitando para ‘picar’ as colegas sportinguistas: "Foi o meu clube que teve esta iniciativa, e não o vosso!"

Depois deste dia diferente, com muitas caras novas, acontece o regresso à normalidade, com a certeza, porém, de que o futuro é um pouco mais risonho.

Por Pedro Ponte
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