Magnusson: «Naquele jogo contra Zidane estava bêbado e a primeira coisa que fiz foi cair»

Lançada biografia com revelações sobre os problemas de alcoolismo do antigo avançado sueco

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A 'exibição' de Magnusson no jogo contra Zidane

A biografia de Mats Magnusson, antigo avançado que brilhou com a camisola do Benfica nos anos 80 e 90, já foi publicada na Suécia. Nela, como já se sabia, está uma descrição arrepiante sobre a luta do goleador contra o alcoolismo, com episódios marcantes.

"Nunca me vou esquecer do dia em que fui ver um jogo de hóquei do Sebastian [filho mais velho] em Skellefteå. Ele puxou-me para o lado e disse-me 'A partir de agora, não quero que venhas aqui depois de te embebedares, pai'", conta Magnusson, numa entrevista concedida ao jornal 'Expressen'. "O pior de tudo foi o que fiz aos meus filhos. Eles viram-me bêbado, é a minha maior vergonha."

O livro, escrito pelo jornalista e amigo Marcus Birro, intitula-se 'Mats - o regresso do inferno'. "Podia beber muito e não ficava agressivo ou desagradável. Divertia-me. Mas depois comecei a beber cada vez mais e acabei a beber sozinho. Escondia-me dos outros para me poder enfrascar à vontade. Não queria saber o que bebia, tudo o que via era a percentagem de álcool. (...) Podia pegar numa garrafa de uísque e bebê-la de um golo", conta, na referida entrevista, feita num bar de Malmö onde Magnusson bebeu uma água com gás e comeu uma salada.

O antigo avançado, agora com 54 anos, descreve no livro uma situação que o deixou envergonhado e que ainda hoje os adeptos do Benfica se recordam: o jogo contra a pobreza disputado no Estádio da Luz em 2010 entre os amigos de Zidane e um conjunto de antigas glórias dos encarnados. "Aquele jogo contra Zidane... é terrível pensar nisso. Foi demasiado. Estava bêbado no relvado e a primeira coisa que fiz quando entrei foi cair", recorda.

"Foi uma viagem de um fim-de-semana e eu comecei a beber logo no avião. Não estava muito bêbado, só um pouco. Lembro-me de cair quando estava a entrar no autocarro que nos levava do avião ao terminal. Fiz uma grande ferida na perna e demorou muito a cicatrizar", detalha.

Os amigos e família sempre lhe ofereceram ajuda, mas Magnusson ia dizendo que estava tudo bem. Divorciou-se, ficou sem casa e passou dois anos a dormir nas instalações do Högaborg, clube onde trabalhava. "Tinha a chave e pensava que ninguém sabia que eu passava lá as noites. Mas toda a gente sabia e deixavam-me ir. Quando alguém queria falar comigo, dizia que estava tudo bem", recorda.

O sonho de ver o filho à Benfica

Um dia, o amigo Hakan Lindman o convenceu a encontrar-se com Erling Palsson, antigo jogador do Malmö. Este ofereceu-lhe trabalho e casa, com uma condição: tinha de ir para um centro de recuperação. Magnusson primeiro contestou, mas depois aceitou. "Se não tivesse tomado esta decisão neste dia, não duraria muito tempo. Ter-me-ia matado", assume.

Mal saiu dessa reunião, ligou à ex-mulher e aos filhos Natalie e Sebastian. Ficaram muito felizes, pois também eles tinham tentado ajudá-lo antes. Um mês depois, entrou no centro de recuperação de Nämndemansgarden.

Ficou livre do álcool e passou a ter cuidado com a dieta. Voltou a encontrar o amor, com uma brasileira chamada Waldenice e de quem tem um filho de cinco anos, Benjamin. Vivem juntos em Malmö, para onde Magnusson se mudou depois de terminar o tratamento.

Agora, os planos são feitos a pensar em Benjamin. O álcool levou Magnusson à bancarrota, mas em fevereiro todas as dívidas estarão pagas. "A longo prazo, espero que possamos mudar-nos para Lisboa. O meu sonho é ver o nosso pequeno filho a correr no Estádio da Luz", afirma.

Por Sérgio Krithinas
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