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«Maluquices» e bicicletas do Farense em vão contra o luxo de falhar «penalties» do Benfica

ÁGUIAS CONSERVAM LIDERANÇA COM TRIUNFO À TANGENTE

«Maluquices» e bicicletas do Farense em vão contra o luxo de falhar «penalties» do Benfica
«Maluquices» e bicicletas do Farense em vão contra o luxo de falhar «penalties» do Benfica

ACIMA de tudo, o Benfica mostrou personalidade em Faro. Num jogo difícil, contra um adversário muito inconformado, os encarnados conseguiram fazer render o pontapé certeiro do melhor ponta-de-lança português (Nuno Gomes), gerindo as situações difíceis com uma solidez apreciável, ao nível do que se tem visto no pentacampeão Porto, com direito a rasgados elogios.

A entrada da equipa de Heynckes foi decisiva para se perceber quem estava com disposição de vencer. Até ao golo, à passagem da meia hora, o Benfica pressionou de uma forma notável, fazendo uma ocupação do espaço que lhe permitiu ter apenas dois defesas fixos e sempre três homens na linha da frente.

A acção de Kandaurov neste período foi determinante, contribuindo de forma significativa para os desequilíbrios que faziam pender a balança para o lado do Benfica. A segunda linha de ataque dos encarnados confundiu de tal forma os defensores adversários, que só as muito razoáveis prestações individuais do Farense impediram outros estragos. O recuo dos leões de Faro foi tal que chegaram a sobrar elementos atrás mas, sintomaticamente, houve lances em que faltavam onde era preciso.

À passagem do quarto de hora, o Benfica tinha conquistado três pontapés de canto e dez minutos depois elevou o pecúlio para cinco, o que dá uma bonita cadência de um canto a cada cinco minutos. Elucidativo. Só aos dez minutos uma arrancada de Hassan pela esquerda, escapando a Okunowo, criou perigo para o Benfica.

Mesmo depois do golo - num lance que ilustra bem a estratégia de Heynckes para conquistar mais três pontos, fazendo circular a bola com tabelas rápidas na imediações da meia lua, recorrendo à criatividade de Kandaurov e João Vieira Pinto (precisamente os autores os últimos dois passes antes do remate certeiro de Nuno Gomes) -, foram os encarnados a dar o "sinal mais".

"PENALTY" FALHADO

A cinco minutos do final da primeira parte, João Vieira Pinto foi rasteirado por Hajry na grande área, apesar de nem se dirigir para a baliza. Kandaurov rematou à trave, desperdiçando a oportunidade de resolver a questão. Ainda há pouco, o presidente do Sporting caiu por um "penalty" falhado. Como são diferentes os estados de espírito em cada um dos lados da Segunda Circular...

João Alves aproveitou bem o intervalo. A equipa - que já tinha sido mexida (troca do inconsequente Tulipa pelo virtuoso Marco Nuno, que se entendeu muito mal com Besirovic e Eugénio) - deu uma imagem muito diferente e ganhou ânimo com uma boa abertura de Eugénio para Hassan (48 m): Enke negou o empate com uma saída a fechar o ângulo. Menos de dez minutos depois, o marroquino teve novo ensejo para empatar, desmarcado por Hajry, mas rematou ao lado, depois de perder ângulo. Um lance onde Marco Nuno estava em posição ilegal, não sancionada.

«MALUQUICE» DE ALVES

Pouco depois, Alves procedeu a uma substituição muito criticada pela assistência e, até, pelo próprio substituído: Hassan não gostou de ceder o lugar a Diego, levando o indicador à cabeça (o gesto de "maluquinho"), olhando para o banco. O "manager" fez que não viu.

É verdade que Hassan estava a ser o elemento mais incómodo dos farenses, mas Alves pode justificar a substituição com o nervosismo do experiente ponta-de-lança, que acabara de ver o cartão amarelo (muito, muito tardiamente!) e estava "pegado" com Sérgio Nunes. João Alves terá pressentido que não iria ter sempre onze jogadores para tentar dar a volta ao jogo.

A verdade é que o Farense não perdeu agressividade, aproveitando o facto de só haver um médio assumidamente defensivo no meio-campo do Benfica.

Heynckes foi obrigado a recorrer a Chano para repor o equilíbrio, prescindindo do exausto Kandaurov. Mas o destino do jogo estava traçado: uma luta louvável do esforçado Farense contra a tranquilidade do comandante. Nem com lances "mirabolantes" - como o último ataque, em que Diego remata com um pontapé de bicicleta, emendando um cruzamento de Besirovic, também de bicicleta - o Benfica tremeu. Um triunfo "natural", magro mas inquestionável. Daqueles que moralizam.

LUÍS ÓSCAR

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