Maniche rendeu-se aos métodos de Mourinho no primeiro treino: «Era um gestor de homens»

O impacto imediato da "metodologia diferenciada" do treinador

• Foto: Miguel Barreira

O ex-futebolista internacional português Maniche lembrou esta terça-feira o impacto imediato da "metodologia diferenciada" do treinador José Mourinho, que conheceu no Benfica e reencontrou no FC Porto e nos ingleses do Chelsea.

"A forma de trabalhar e comunicar foi uma novidade tremenda. Sabíamos que ele vinha com uma bagagem muito forte e tinha experiência de balneário, mas faltava o cunho pessoal. A confiança transmitida era tão forte que pensávamos que éramos excelentes jogadores", contou à Lusa o médio, presente na estreia do setubalense nos bancos.

Em 20 de setembro de 2000, José Mourinho substituiu o alemão Jupp Heynckes, que tinha conduzido o Benfica ao sétimo lugar nas quatro rondas iniciais da 1.ª Liga, com os mesmos sete pontos do Boavista, campeão nacional nessa época, cujo golo do dianteiro brasileiro Duda frustrou o arranque do treinador português três dias depois (0-1).

"É uma recordação que ficará para a vida, mesmo não sendo boa pelo resultado e pela minha expulsão. Era desconhecido como técnico e vinha com o rótulo de tradutor, mas, quando o vimos pela primeira vez, tirámos logo essa ideia. Acima de tudo, era um gestor de homens, que impunha regras, disciplina e muita qualidade no seu trabalho", anotou.

Convicto de que os atletas "tinham de estar sempre em contacto com a bola", Maniche considera que Mourinho mostrou "estar muito mais à frente dos demais" na Luz, onde "espremeu o máximo de cada um e fez uma família", apesar do "período financeiro bastante complicado" do Benfica, articulado com "um plantel que não era dos melhores".

"Na véspera do jogo com o Boavista, o Karel Poborsky dizia que queria jogar a 10. O Mourinho chamou-o ao balneário, mandou-o sentar na cadeira dele e pediu para lhe explicar isso. Em campo demorou 20 minutos numa posição com a qual não estava familiarizado. É muito fácil pensar em nós próprios e esquecermos a equipa", ilustrou.

O jogador lisboeta completou toda a formação no Benfica, evoluiu no Alverca e assumiu pela primeira vez a braçadeira de capitão da equipa principal das 'águias' com 23 anos, num triunfo diante do Farense (2-1), à passagem da 11.ª jornada, três semanas antes da saída de um treinador com quem cultivaria "um casamento perfeito" ao longo da carreira.

"Para tirar rendimento do jogador, por vezes tens de o perceber na sua essência. Ele conhecia-me muito bem e compreendeu-me como homem. Não foi por acaso que me colocou a capitão, porque a personalidade e o caráter que ainda tenho hoje já transportava naquela altura e são um pouco parecidos com ele", comparou.

Ao cabo de 76 dias e 11 jogos oficiais em três competições, José Mourinho e o adjunto Carlos Mozer abandonaram o Estádio da Luz, incompatibilizados com a visão do recém-eleito presidente Manuel Vilarinho, sucessor de João Vale e Azevedo, que recusou acrescentar um ano ao vínculo contratual da equipa técnica e promoveu Toni.

"Durou tão pouco tempo e foi intenso. Ficámos muito desiludidos e afetados com essa decisão, pois estávamos a criar um grupo muito forte", lamentou o médio, que participou na pior época de sempre do Benfica, finalizada no sexto lugar da I Liga, e também encarou uma saída atribulada, ao ter deixado a titularidade para passar a treinar sozinho.

Nuno Ricardo de Oliveira Ribeiro, mais conhecido por Maniche, era um jogador livre no verão de 2002 e recebeu um voto de confiança do FC Porto, conquistando sete troféus em Portugal e na Europa, celebrados na companhia do atual treinador do Tottenham e repartidos por duas épocas repletas de superação diária.

"Como sabia sempre que podia dar um pouco mais, nunca me deixava relaxar e punha-me sempre uma fasquia muito alta. Tivemos muitas zangas e 'mind games' que me fortaleciam e a equipa ganhava com isso. Espicaçava-me dessa forma porque já me conhecia como pessoa e eu tinha o perfil idealizado para as suas ideias de jogo", frisou.

Depois de vencer a Liga dos Campeões em 2003/04, José Mourinho assinou pelo Chelsea e Maniche ficou mais uma época no Dragão, de onde partiu para os russos do Dínamo de Moscovo, que o cederam aos londrinos na segunda metade de 2005/06, assegurando uma terceira convivência entre ambos, pautada pela conquista do título inglês.

"Não foi por acaso que ele escreveu o prefácio do meu livro. O texto está potente e reflete aquilo que eu sou. É um treinador que leva para os clubes jogadores que conhece e dão garantias. Ganhou títulos importantíssimos, bateu recordes atrás de recordes e gosta de estar na linha da frente e atualizado. É por isso que é um dos melhores", concluiu.

Por Lusa

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