Manuel José: «Rui Vitória respeitou o equilíbrio e isso contagiou os jogadores»

Treinador considera que o timoneiro do Benfica nunca deveria ter respondido a Jorge Jesus

Manuel José
Manuel José

A liderança da Liga e o apuramento para os quartos-de-final da Liga dos Campeões transformaram o Benfica e Rui Vitória nos grandes vencedores da semana. O treinador, muito criticado no início da época, conseguiu mesmo um estatuto julgado inacessível, na sequência das derrotas consecutivas frente aos rivais diretos, Sporting e FC Porto.

Na opinião de Manuel José, antigo treinador do Benfica e multicampeão africano com o Al Ahly, do Egito, foi o equilíbrio de Rui Vitória a permitir-lhe encontrar o registo certo para meter a equipa no caminho do sucesso.

"Rui Vitória respeitou o equilíbrio e isso contagiou os jogadores. Ele aprendeu a lidar com a pressão, vê-se que está mais tranquilo no banco e passa essa tranquilidade para dentro de campo", defende Manuel José, que apenas aponta um defeito à conduta do treinador do Benfica: "Ele nunca devia ter respondido ao Jorge Jesus. Os jogadores conhecem bem o Jorge Jesus e o enorme ego que tem. O que ele devia era ter ironizado, porque o tempo permite dar as melhores respostas. Os murros na mesa não foram bem dados. Aquilo do Rui Vitória ir para a Supertaça e dizer que não sabia se ia defrontar uma equipa ou onze jogadores não lhe ficou bem."

Manuel José analisa o trajeto do Benfica 2015/16 e encontra muitos factores que influenciaram o começo em baixa. "Os primeiros tempos não foram fáceis, porque Rui Vitória teve de substituir um treinador com seis anos de clube e três campeonatos ganhos, dois consecutivos. Havia formas de treinar e rotinas que não se mudam facilmente e levam o seu tempo. Mas, como se sabe, num clube grande, o que não há é tempo. É preciso ganhar. Depois, o Benfica fez um desinvestimento no plantel e a apostou na formação. A pré-época foi desastrosa, feita para ganhar dinheiro, não para preparar a equipa. A fatura apareceu logo na Supertaça, e na Liga, com um mau início."

Os reforços que chegaram, na opinião de Manuel José, também não primam pela qualidade extrema. "Os jogadores contratados esta época são bons, mas não são grandes jogadores. E de todos só há dois que estão a confirmar agora a qualidade, o Mitroglou e o Carcela. Mas, de repente, o treinador conseguiu um achado, o Renato Sanches."

A perda da Supertaça e a distância para o Sporting, na Liga, foram problemas que só a carreira europeia esconjurou. "Os resultados não foram bons, o Benfica perdeu os dérbis, mas teve a felicidade de se qualificar para os oitavos-de-final da Champions", sublinha Manuel José. "As mudanças na equipa foram mais que muitas, até que o Rui Vitória conseguiu encontrar uma equipa-tipo, na qual faz poucas alterações. A equipa começa finalmente a entender o treinador e a sua ideia de jogo, e apareceram as rotinas. As vitórias, as goleadas, começaram a cimentar a confiança dos jogadores no treinador."

Manuel José entende que o atual treinador do Benfica poderia ter feito melhor a transição da equipa, da época passada para esta. "Há um pormenor que o Rui Vitória devia ter aproveitado do trabalho do Jorge Jesus, que é a intensidade de jogo, a capacidade de reação na recuperação da bola. O Benfica só agora começa a fazer isso. Tanto em Alvalade como com o Zenit, o Benfica entrou forte, a pressionar, mas foi-se apagando. E na Rússia sofreu um golo que o obrigou a correr atrás do prejuízo. No Sporting, o Jorge Jesus implantou isso muito rapidamente."

O encadeamento de bons resultados acabou por resolver muitos problemas, segundo Manuel José. "Os resultados e a formação da equipa-tipo permitiram que a confiança no treinador subisse. Depois, o FC Porto baixou e o Sporting começou a perder vantagem. Também os maus resultados do Sporting fizeram subir a confiança no Benfica."

A atitude do treinador fez o resto. "Rui Vitória tem um discurso tranquilo, sempre a demonstrar humildade. Ganha, mas não deita foguetes, mantém-se calmo. É muito dele", diz Manuel José.

A influência de Renato Sanches

Manuel José considera Renato Sanches um achado de Rui Vitória e a influência que o jovem médio tem no futebol do Benfica é decisiva.

"Jorge Jesus tinha Salvio e adaptou Pizzi a interior. O Rui Vitória ficou sem o Salvio, que se lesionou, e era preciso arranjar uma solução. Primeiro foi o Gonçalo Guedes, mas depois o Pizzi voltou ao seu lugar na ala. No centro, o Samaris, como médio defensivo, foi mais uma adaptação do Jesus, mas ele é um jogador que ataca e tem alguma dificuldade em fazer cobertura. Havia que arranjar uma solução e o Renato Sanches caiu do céu. Ele é de uma desinibição total, mentalmente. Em termos competitivos tem muito para aprender, porque não pode correr 30 metros com a bola e depois não saber o que fazer. Ele joga em todo o terreno, não se limita a defender, e a equipa ganhou capacidade ofensiva. O futebol do Benfica era muito lateralizado e o Renato Sanches deu-lhe profundidade."

Por António Varela
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