Manuel Vilarinho e o Apito Dourado: «Convém ter sempre a arbitragem um bocado na mão...»

Ex-presidente garantiu que o FC Porto era melhor dentro de campo no início do século

• Foto: Miguel Barreira

Manuel Vilarinho teve uma conversa aberta e franca no podcast 'Benfica de Quarentena' levado a cabo pelo página 'Benfica Independente', abordando vários temas, e quase nunca fugindo a qualquer assunto, sinalizando alguns episódios a gosto do auditório benfiquista. O presidente das águias entre 2000 e 2003 assumiu que por essa altura o rival FC Porto conquistou títulos por ser melhor dentro das quatro linhas, ainda que recorde a envolvência fora delas nos esquemas de corrupção.

"Mourinho foi hipótese quando sai o Jesualdo. Não foi [realmente] hipótese porque sai para o FC Porto. Já estava combinado. Ainda tive uma conversa com ele, tive de engolir o sapo. Estava combinado com o FC Porto e foi. Ainda bem para ele porque serviu-lhe de escadote para uma quantidade de conquistas. Se tivesse ido para o Benfica talvez não o tivesse conseguido. O FC Porto não era igual a nós, na altura era melhor. Ou não era? Quem não vê as coisas com objetividade era sempre nas decisões. Ganhava porque era melhor. E não comprou árbitros… Ou se comprou, ganhava sempre porque era melhor. Bem sabemos do Apito Dourado porque ouvimos as gravações mas sabem como é que entendo isso? Convém ter sempre a arbitragem um bocado na mão para os dias em que a coisa pode correr mal. Se a coisa correr naturalmente, o melhor ganha. Custa muito dizer isto? Quem não pensar assim toma decisões erradas. Temos é de tentar ser melhor do que eles. Com organização e método, foi assim que os passámos. Ou não foi? Não foi a comprar árbitros, foi a trabalhar. Nos últimos campeonatos nós ganhámos cinco e eles um", recordou o ex-presidente, de 71 anos, tendo perspetivado que "a recuperação do clube demorasse 15 a 20 anos e assim foi". 

Falar mal de árbitros deveria valer multas pesadas segundo o também antigo membro do conselho fiscal no mandato de Ferreira Queimado. "Andar sempre a dizer mal dos árbitros é um hábito muito mau. Se formos melhores ganhamos sempre. Façam como os ingleses e italianos: quem falar de árbitros leva multa. Andam sempre a chamar vigaristas às pessoas que até podem não ser. Como é que pode ser assim? Ninguém perde porque é pior, a culpa foi do árbitro", lamentou.

O antecessor de Luís Filipe Vieira explicou ainda que não se recorda de um resultado que o tivesse deixado empolgado durante o mandato - "o momento de maior felicidade foi a campanha que acabou no debate". As relações com os presidentes de Sporting e FC Porto, na altura, eram também distintas.

"Com quem me dei muito bem foi com o Dias da Cunha. O que nos combinávamos não era preciso escrever, fazia-se. O Pinto da Costa percebeu que aquele gajo [Vilarinho] ia por o Benfica nos eixos. O que é que arranjou para dizer mal? Perguntaram-lhe a opinião sobre mim e ele responde: ‘Foi antes ou depois de almoço?’ Nunca mais lhe falei, nem falo. É de baixo nível. Não se dá confiança, falei para saberem. Não se perdoa a ninguém", frisou Vilarinho.

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