Moniz: «Paulo Gonçalves colocou lugar à disposição mas não aceitámos»

Asessor jurídico viu confiança por parte da SAD ser reforçada

• Foto: Pedro Ferreira

José Eduardo Moniz, vice-presidente do Benfica, explicou que Paulo Gonçalves colocou o lugar à disposição face ao processo E-toupeira, mas viu a confiança reforçada por parte das águias.

"A primeira atitude que tomou foi colocar o lugar à disposição porque, segundo ele próprio afirmou, não queria colocar o Benfica perante nenhuma situação que porventura o fragilizasse. Acho que é um ato nobre, de alguém que tem a noção de que o Benfica está acima de qualquer um de nós. Está acima dele, de mim, do presidente. Como não queríamos antecipar-nos à justiça e julgamos que terá todas as possibilidades de se defender dos factos que lhe são imputados, não aceitámos", frisou Moniz à BTV.

"Aquilo que nós estamos a fazer aqui é a proteger o património do Benfica e a proteger os seus interesses e assegurar que o futuro do clube é auspicioso. É para isso que estamos aqui a trabalhar de forma apaixonada e desinteressada", acrescentou.

"Apanhados de surpresa"

José Eduardo Moniz admitiu que todos foram "apanhados de surpresa" com este processo, numa situação que considera "grave e difícil".

"Qualquer passo que seja dado, qualquer palavra que seja usada de forma imprópria poderá ser suscetível de colher interpretações menos corretas sobre aquilo que são as intenções e pensamento da equipa dirigente do Benfica e da administração da SAD. Não tomámos nenhuma decisão precipitada. O que aconteceu foi que nós esperámos pacientemente para que a justiça fizesse o seu curso. Os tempos da justiça não são os tempos do jornalismo nem os tempos da empresa. Têm o seu tempo próprio. Sei isso por experiência própria. Estive durante anos com processos em mãos. Tive de conviver com isso. Em muitas situações fui injustamente indiciado. Não gosto, pessoalmente, que sejam feitos julgamentos na praça pública porque a quem compete fazer julgamentos é aos juízes. Tal não significa que sejam irresponsáveis. Aquilo que fizemos foi aguardar pela decisão da juíza de Instrução. O que ela decidiu foi importante para a reflexão que fizemos e para a resolução subsequente. O que a juíza determinou é que Paulo Gonçalves não ficaria em prisão preventiva e sairia em liberdade. Segundo ponto: determinou que Paulo Gonçalves poderia frequentar o Estádio da Luz. Terceiro ponto: determinou que poderia voltar a trabalhar pelo Benfica, no Estádio da Luz, nas suas funções normais. Mais: em cima disso, ficou claro que um dos principais indícios para que tivesse sido levado para a PJ era o facto de alegadamente o Benfica ter contratado para os seus quadros o sobrinho de um especialista informático que se encontra detido, José Augusto Silva. O que se verificou é que era mentira porque o Benfica nunca teve um funcionário com esse nome nem esteve prevista a entrada de qualquer sobrinho do senhor. Nunca foi tema", referiu.

"Perante a situação de Paulo Gonçalves, que se dirigiu ao presidente do Benfica e colocou de imediato o seu lugar à disposição, nós, ponderando os prós e contras, não querendo fazer nenhum julgamento antecipado e convictos de que o Dr. Paulo Gonçalves tem pleno direito e capacidade, sabendo no momento certo esclarecer tudo aquilo que lhe é imputado, decidimos que se deveria manter em funções executando as tarefas que lhe têm sido imputadas ao longo dos anos. Esta é uma justificação que nos parece lógica. Além disso, todas as pessoas são inocentes até serem consideradas culpadas. Quem tem de fazer esses juízos são os tribunais e não nós. Eu próprio poderia ter sido vítima de juízos desses mas felizmente não aconteceu", acrescentou José Eduardo Moniz.

"Paulo Gonçalves tem condições"

A fechar, Moniz considerou que o assessor jurídico da SAD do Benfica tem todas as condições para continuar, assim o queira.

"Tem condições para fazer o trabalho que tem de fazer e é incumbido, competirá a ele perceber se tem condições psicológicas. Mas acho curioso tanto alarido por se ter mantido em funções. Noutras situações complexas, como o Apito Dourado, a Operação Fénix, não vi ninguém suspender funções, inclusive presidentes, e ninguém fez alarido. Vamos esperar pacientemente pelo caminho da justiça, mas esperando que seja célere e que compreenda a premência destes processos", completou.

Por Flávio Miguel Silva
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