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Moreirense-Benfica, 1-2: Um sofredor a rejeitar ideia de poder ser feliz

CRÓNICA

Guimarães, este ano, é sinónimo de felicidade para o Benfica: já ganhou seis pontos neste campo. Nele conseguira o último triunfo fora (frente ao Vitória); nele se reencontrou com os resultados positivos fora de casa, regressando à Luz com três pontos, o que já não sucedia há cinco partidas. Mas se este é o resultado de mais uma viagem feliz ao Minho, a verdade é que o mesmo foi atingido de uma forma estranha: demasiado fácil, de início; com uma boa dose de masoquismo, no fim.

Entrar a ganhar, chegar ao intervalo com vantagem de dois golos; jogar contra 10 durante os últimos 25 minutos (Luís Vouzela saiu lesionado) e mesmo assim permitir a reacção de um adversário que estava a entrar em colapso é uma coisa difícil de entender. Mas foi assim que as coisas se passaram no relvado de Guimarães.

Na ressaca de uma importante vitória sobre o Sporting, o Benfica estreava Nuno Assis, a jogar “em casa”, tal como a equipa encarnada, por força da disparidade de adeptos (mais do dobro quando comparados com os adeptos moreirenses). E tudo correu bem até ao intervalo: vantagem conseguida de forma tranquila, Assis a mostrar que sim senhor, conhece bem as balizas deste campo, e um adversário sem capacidade para reagir, o que permitia até uma gestão de esforço.

Tudo mudou

Nei e Vítor Pereira estiveram tão mal durante a primeira que Vítor Oliveira fez o que tinha de fazer: tirou-os de campo. Regressou com Afonso Martins e Armando. E a bola que este avançado atirou ao poste (57’) podia ter espevitado a equipa. Assim não aconteceu porque instantes depois Vouzela saiu lesionado e a equipa passou a jogar com 10.

Sem querer muito com um jogo que parecia decidido, o Benfica levou as coisas de forma demasiado leve. Sem correrias, sem envolvimento colectivo. Os defesas... defendiam. Os dois médios... cobriam. Os quatro avançados esperavam pelas bolas para raramente lhes dar o melhor seguimento.

No banco, Trapattoni não reagia. Tão-pouco aproveitava para refrescar a equipa. Apenas a troca de Geovanni por Carlitos e nada mais. Nuno Assis já se arrastava; Simão quase pedia que não lhe exigissem mais “piques”; Manuel Fernandes “recusava” passar do meio campo.

Quando, ao 13º canto Armando fez o golo, a quinze minutos do fim, o Benfica reagiu de imediato. Afinal havia força e arte para tentar dar a “estocada” final. Só que Nuno Gomes errou escandalosamente um alvo deserto. E o Moreirense acreditou que podia ter aquilo que o adversário recusava: a felicidade.

Porquê rejeitar?

O Benfica estava mais cansado. Tinha razões para isso, depois de 120 loucos minutos na quarta-feira. Mas essa não seria, então, a razão principal para procurar dar algum descanso aos jogadores mais massacrados? Sobretudo com vantagem de dois golos e de atletas em campo. Não foi esse o entendimento do treinador. Em campo permaneceu, assim, uma equipa que sofria e que rejeitava a ideia de poder ser feliz. Porque não o sabia ser.

Sem Vouzela, o meio-campo dos da “casa” não marcava ninguém, a bola chegava com muita facilidade aos avançados e estes aproximavam-se da área sem oposição. Depois não tinham imaginação (ou estavam exaustos) para resolver. Se Carlitos fora um tiro de “pólvora seca”, já a aposta em Mantorras acabou por não resultar em nada. Porque entrou no minuto 89 e nem teve tempo para se ambientar ao ritmo de contra-ataque com que, nesse momento, a equipa jogava.

Chega assim

Claro que o Benfica também percebeu que o adversário estava para além dos próprios limites, que só num golpe de sorte poderia causar algum perigo. Mas não foi assim que o Moreirense chegou ao golo? A qualquer momento uma bola perdida para canto podia resultar nessa mesma “sorte”. Mas pronto, o Benfica não conseguiu reagir, apenas aguentou penosamente com o passar dos minutos; e teve de viver com o “stress” de Trapattoni e Magalhães no banco.

Os homens que não deram a mão à equipa quando esta suplicava ajuda, estavam agora num grande sofrimento, ou porque os jogadores erravam passes (fruto do cansaço), ou porque Quim se precipitava nas recolocações da bola em campo. Repete-se: estranha forma, esta, de rejeitar a felicidade.

Árbitro

PAULO PARATY (3). Conseguiu mostrar o cartão amarelo a Bruno Aguiar mesmo no limite do tempo. Por acumulado de faltas, o médio do Benfica viu o cartão com meia hora de atraso. E ficou a dever a cartolina prometida a Primo, quando este entrou forte e feio sobre Simão. Enfim, pouco criterioso em termos disciplinares num jogo que não ofereceu qualquer dificuldade.

Homenagem a Fehér

Os intervenientes no jogo de ontem homenagearam Fehér, falecido no ano passado, no campo onde ontem se disputou o encontro. O capitão do Moreirense, Primo, entrou no campo com uma coroa de flores, mas os jogadores das duas equipas e árbitros dirigiram-se ao local onde tombou o húngaro.

Adepto detido

Um adepto presente ontem na bancada central do Afonso Henriques foi detido pela PSP depois de se ter envolvido em desacatos. A partida estava nos minutos finais da primeira parte, gerou-se o burburinho e... foram precisos oito agentes para conseguir controlar o ímpeto e a tentativa de reacção do indivíduo insatisfeito.
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