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Na ressaca de Bucareste foi o que se pôde arranjar

BENFICA ACUSA ESFORÇO DA JORNADA DE BUCARESTE, MAS CUMPRE O MÍNIMO QUE SE LHE EXIGIA

Na ressaca de Bucareste foi o que se pôde arranjar
Na ressaca de Bucareste foi o que se pôde arranjar

O BENFICA acusou o esforço da jornada de Bucareste e ainda na ressaca da mesma cumpriu aquilo que se lhe exigia, em casa, frente ao Estrela: somar os três pontos. Mas não jogou bem, longe disso. Teve, porém, o mérito de "matar" o jogo numa altura em que era imperioso que o fizesse, depois de uma primeira parte em que não foi capaz de ultrapassar as dificuldades que o Estrela lhe criou. E fê-lo no espaço de oito minutos, em dois lances de bola parada, na sequência de um pontapé de canto e de uma grande penalidade, com a curiosidade de ter sido Okunowo, cujo rendimento na primeira parte sugeria a sua substituição ao intervalo [Heynckes não tinha no “banco” qualquer alternativa], a abrir o caminho para a vitória. Um excelente golo do nigeriano, pleno de intencionalidade e colocação, que se revelou determinante para quebrar a resistência adversária e evitar que a pressão fosse aumentando à medida que o tempo passava e o golo não aparecia.

Oito minutos depois, o defesa do Estrela, Leal, deu uma ajuda: perdeu a bola em zona “proibida”, permitindo que Nuno Gomes se isolasse e fosse derrubado por Luís Vasco. Grande penalidade e expulsão do guarda-redes. 2-0 e o Estrela reduzido a dez unidades. O jogo acabou aí. O Benfica relaxou de vez e geriu a vantagem até com alguma displicência. O dever estava cumprido e depois da jornada de Bucareste havia que poupar energias.

Saber ganhar mesmo quando não se joga bem é apanágio dos campeões, tendo em conta a longevidade do campeonato e a importância que a regularidade assume para se somar os pontos necessários para conquistar o título. Esse o mérito do Benfica, segunda-feira à noite, perante um adversário incómodo. De resto, mesmo sem jogar bem, confirmou que é um conjunto solto, moralizado, confiante -- e sabe-se a importância que a vertente psicológica desempenha no rendimento de uma equipa (vide o que aconteceu a época passada sob o comando técnico de Graeme Souness).

BENFICA VIU-SE "GREGO"

Seja como for, o Benfica, mesmo ainda sem ter defrontado o PAOK, viu-se “grego” para superar o esquema táctico apresentado por Jorge Jesus e cumprido à risca pelos seus jogadores. O problema do Benfica residiu justamente na incapacidade de provocar desequilíbrios no ataque perante o sistema de marcações da organização defensiva do Estrela. Nuno Gomes e João Pinto bem marcados em cima por Raul Oliveira e Leal, com Jorge Andrade às sobras. Poborsky e Bruno Basto vigiados por Vítor Vieira e Rui Neves, que não subiam. No "miolo", Calado e Kandaurov tinham Pedro Simões e Lázaro "à perna". Era fundamental que os laterais Okunowo e Sérgio Nunes subissem para forçar esses desequilíbrios, mas raramente o fizeram, por falta de confiança ou por outra razão [as laterais constituem uma das lacunas desta equipa]. O Benfica só criava perigo quando Poborsky ou Bruno Basto ganhavam os lances de 1x1 e conseguiam ir à linha cruzar. Mas fizeram-no poucas vezes.

Depois do intervalo a história foi outra, porque o Benfica imprimiu mais velocidade às suas acções ofensivas e os médios Kandaurov e Calado, sobretudo este, passaram a fazer com maior frequência diagonais, caindo nas costas da defesa adversária e fazendo-a oscilar. De resto, os dois golos surgem como consequência da maior pressão do Benfica e de alguma perturbação que a mesma causou numa defesa que até aí parecia de betão.

Bastou um momento de inspiração de Okunowo e um erro grosseiro de Leal para o Benfica resolver um problema que ao intervalo se afigurava bicudo.

A partir daí o destino do jogo ficou traçado e a equipa encarnada até poderia ter construído uma vitória mais robusta, não fora o desacerto de Nuno Gomes na finalização.

José Leirós fez um bom trabalho

GOLOS

1-0, aos 50’, por OKUNOWO. Canto de Kandaurov para um “amortie” de Sérgio Nunes que sobra para o nigeriano, o qual, pleno de intencionalidade, coloca a bola na rede lateral do poste mais distante.

2-0, aos 58’, por RONALDO, na transformação de uma grande penalidade cometida por Luís Vasco sobre Nuno Gomes.

JOÃO CARTAXANA

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