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Nacional-Benfica, 0-1: Com tanta cerimónia golo até pareceu milagre

CRÓNICA

Nuno Gomes marcou de cabeça e Adriano desperdiçou uma grande penalidade num jogo em que as duas equipas não quiseram arriscar
Nacional-Benfica, 0-1: Com tanta cerimónia golo até pareceu milagre • Foto: Hélder Santos
O Benfica conseguiu os seus intentos na sempre difícil deslocação à Choupana. Conhecedor dos resultados dos principais rivais, os encarnados não deixaram o FC Porto fugir e por outro lado distanciaram-se do Sporting, que tinha acabado de perder no Restelo. Para os nacionalistas foi a primeira derrota em casa com os grandes, e têm de queixar-se de si próprios. A equipa esteve longe do que tem produzido noutras ocasiões e nem de “penalty” conseguiu chegar à igualdade.

Foi um jogo com demasiada cerimónia. Muitos passes para o lado, pouco atrevimento e zero de explosões no bom sentido do termo numa partida de futebol. Ou seja, as equipas deixaram correr o marfim minutos e minutos a fio e faltou-lhes sempre uma ponta de audácia, de atrevimento e até de genica para atirarem com mais certeza e prontidão ao golo. A cabeça vitoriosa de Nuno Gomes, na circunstância, quase parece um milagre entre tanta jogada a que faltou, invariavelmente, o toque final.

Entrou melhor o Benfica e Simão, caprichosamente solicitado por Miguel, falhou na cara de Hilário. Os encarnados gizaram neste período inicial três ou quatro lances bem urdidos na intermediária mas inconsequentes no último terço do terreno. Nuno Gomes raramente ganhou um despique e as “bolas paradas” de Petit pouco assustaram. A resposta do Nacional, porém, situou-se numa bitola ainda mais baixa e somente uma cabeça de Miguel Fidalgo à beira do intervalo levou algum perigo, ainda que relativo, à baliza à guarda de Quim.

Equilíbrio

Sem grandes mudanças nos onzes ultimamente habituais nas duas formações, Benfica e Nacional equilibraram a luta a meio-campo. Numa marcação mais à zona do que individual, Cléber ocupou-se de Nuno Assis e Bruno e Gouveia tinham a vigilância de Manuel Fernandes e Petit. Nas alas não havia também vantagem considerável de quem atacava, não obstante Geovanni e Simão terem logrado na primeira parte melhor desempenho do que Wendell e Miguel Fidalgo.

A segunda metade começou praticamente com o tento de Nuno Gomes e a dúzia de minutos que se seguiu foi das mais agradáveis da noite. O Nacional avançou no terreno e abriu espaços, mas tanto Geovanni como depois Simão desperdiçaram ensejos para aumentar o marcador. Na baliza oposta foi Adriano a pôr à prova os reflexos de Quim, numa altura em que a defesa da turma da Luz controlova praticamente todas as zonas do terreno sob a sua jurisdição.

Nos bancos, João Carlos Pereira injectava sangue novo – e de cariz ofensivo – ao passo que Trapattoni era obrigado a trocar de ponta-de-lança: Nuno Gomes lesionou-se e entrou Karadas.

Minuto 77

À entrada do último quarto de hora, o minuto 77 podia ter sido determinante. Wendell aproveitou uma aberta e ficou isolado, Quim saiu e derrubou-o. A grande penalidade, todavia, não foi concretizada por Adriano, que rematou à barra. Mais uma dádiva do tal Nacional demasiado dócil, devidamente aproveitada pelo Benfica, que ganhou novas forças para aguentar a pressão dos locais.

A equipa do Benfica deu deliberadamente a iniciativa do jogo ao adversário e nunca tirou partido das imensas avenidas então instaladas no meio-campo dos madeirenses. O cúmulo surgiu já ao cair do pano, quando Nuno Assis, de cabeça e com tempo para escolher o sítio, atirou à figura de Hilário.

As entradas de Marcelo, André Pinto e por último de Marchant contribuíram para vincar a aposta clara do Nacional no ataque, mas nunca deram mostras de surtir efeito, até porque Ricardo Rocha e Luisão estiveram sempre muito certos e sem contemplações. O Benfica estava fechado a sete chaves, mas também não passou por qualquer tipo de sufoco.

Missão cumprida

O importante era ganhar, e neste aspecto o Benfica foi uma equipa consistente. Marcou um golo, viu o opositor falhar o “penalty” e segurou o jogo. Deu bastas vezes a ideia de preferir uma magra vantagem em vez de procurar ampliá-la. A faca tinha dois gumes mas os encarnados não se cortaram.

E de facto, numa prova com as características tão especiais como a da presente SuperLiga, ninguém lhes pode levar a mal. Para os adeptos dos velhos espectáculos “à Benfica” é que é mais difícil convencê-los...

Árbitro

BRUNO PAIXÃO (2). Em termos de incidências o encontro fica marcado pelo lance entre Dos Santos e Emerson, logo no início. O defesa encarnado fez falta para grande penalidade mas o assistente, que estava melhor colocado, nada assinalou. Bruno Paixão devia, pois, ter feito melhor. Teve um critério desigual no julgamento das faltas e exagerou no amarelo a Wendell.
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