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Não era opção para Nuno Gomes mas domingo João Tomás foi o «pai» da vitória

EX-ACADEMISTA SALVA BENFICA NO ÚLTIMO MINUTO COM GOLO DE CABEÇA MARCADO EM FORA DE JOGO

Não era opção para Nuno Gomes mas domingo João Tomás foi o «pai» da vitória
Não era opção para Nuno Gomes mas domingo João Tomás foi o «pai» da vitória

HÁ TRÊS semanas, após algumas sessões de treino na Luz do novo recruta indicado por Shéu Han, João Tomás, o técnico alemão, Jupp Heynckes, deixou claro publicamente que este não era opção para Nuno Gomes. Ficou-se sem saber se disse o que disse pelo facto de o jogador não ter correspondido nos treinos às boas informações que sobre ele lhe forneceram ou se, simplesmente, achou que este não tinha qualidade para jogar no Benfica.

Fosse pelo que fosse, a verdade é que o dito João Tomás, suplente da Académica a época passada, deu-lhe um jeitão dos diabos, ontem à tarde, frente ao Alverca. Não fora o dito a marcar o golo da vitória a um minuto do fim, quando já nem o próprio Jupp Heynckes acreditava nisso, e o Benfica teria perdido mais dois pontos e desperdiçado oportunidade soberana de se aproximar do FC Porto e manter a distância para o Sporting.

Um golo, todavia, marcado em posição de fora de jogo, logo mal sancionado pelo árbitro, cujo erro acabou, lamentavelmente, por ter influência no resultado. Seja como for, esse golo veio emendar um erro do próprio Heynckes quando aos 67', com o resultado em 2-1, resolveu trocar Poborsky por Machairidis, com receio de sofrer o 2-2. É que dois minutos depois, o Alverca consumava o empate através de Duda e já não era possível ao técnico alemão voltar atrás e emendar a mão. E a ironia decorre do facto de Heynckes ter sido obrigado a lançar João Tomás a um quarto de hora do fim por causa do golo de Duda, evidentemente, mas também porque ao retirar Poborsky a "águia", sem a asa direita, perdera estabilidade no seu "voo picado". Ou seja, ontem à tarde, Dia do Pai, João Tomás foi o "pai" da vitória e justificou bem os elogios que Heynckes, dando mostras de um bom jogo de cintura, lhe tributou no final do jogo.

Mas se João Tomás foi o "pai" da vitória, o egípcio Sabry foi a "mãe", passe a imagem, não só por ter sido o autor do primeiro golo e do excelente cruzamento que proporcionou o golo da vitória no derradeiro minuto, mas também por se ter assumido ao longo do jogo como única fonte de repentismo e criatividade de um ataque lento e desprovido de ideias.

Seria, de resto, o mesmo Sabry, na fase inicial do jogo, que coincidiu com o melhor período do Benfica, num lance de inspiração individual a abrir o marcador logo aos 4'. Dez minutos volvidos, Hugo Costa ofereceu literalmente o segundo golo ao interceptar com uma das mãos um cruzamento para a área. O Benfica entrara a impor um ritmo vivo ao jogo, mas longe de justificar vantagem de dois golos tão cedo.

José Romão também contribuíra de forma decisiva para começo tão auspicioso da sua equipa, ao optar por um sistema de jogo verdadeiramente "revolucionário": o 4x6! Isso mesmo, uma linha de defesa tradicional e seis médios que formavam uma "teia" no seu meio-campo onde se emaranhavam entre si. E há quem diga que no futebol já está tudo inventado... O homem mais adiantado era, reparem bem, Milinkovic, um médio de ataque cuja virtude maior é justamente a visão de jogo e a capacidade de colocar a bola à distância nos avançados ou de executar o último passe para os mesmos.

Apesar de estar a perder por 2-0 desde os 14', Romão só à passagem da meia hora se decidiu por sacrificar dois de entre a multidão de médios e lançar dois avançados: Duda - como é possível deixar um jogador destes no "banco" de uma equipa como o Alverca? - e Anderson. Começou aí o desassossego do Benfica, excessivamente adormecido com os dois golos prematuros de vantagem. Duda reduziu para 2-1, aos 39', e Diogo viu o seu colega Gaspar fazer de Ronaldo e evitar o 2-2, à beira do intervalo.

Na 2ª parte, o jogo ficou mais aberto e se o Benfica podia ter feito o 3-1 - grande defesa de Ovchinnikov a remate de Poborsky - o Alverca podia ter chegado ao empate - Rui Borges driblou Bossio e Rojas evitou o pior. Mas a equipa ribatejana crescia e estava cada vez mais ameaçadora, com Duda a fazer gato-sapato de Bruno Basto. Tanto assim, que Heynckes trocou Poborsky por Machairidis para tentar segurar mais a bola e estancar o balanceamento ofensivo do adversário.

Dois minutos depois, Duda assina o 2-2. A coisa estava feia para o Benfica. Valeu-lhe o abrandamento do Alverca, que se encolheu após o golo do empate - e isso foi-lhe fatal -, e o "Pai Tomás", a um minuto do fim num magnífico golpe de cabeça, que só podia ter nascido dos pés de Sabry, a última reserva de esperança dos benfiquistas na vitória, sempre que a bola chegava aos seus pés.

Lucílio Baptista viu o seu, até aí, excelente trabalho "manchado" pelo golo irregular de João Tomás, num erro cujo maior responsável foi o seu auxiliar.

JOÃO CARTAXANA

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