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Naval-Benfica, 1-1: Jogo do bom malandro

CRÓNICA

O Benfica esteve quase sempre mais perto da vitória, mas regressou a Lisboa com apenas um empate. Perdeu, assim, a oportunidade de passar o FC Porto na classificação e Koeman não conseguiu igualar as seis vitórias consecutivas de Toni em 2000/01. Salvou-se o objectivo pessoal de Nuno Gomes: marcou e agora não há nenhuma equipa na Liga que não tenha sido “castigada” por ele.

Sem poder contar com Simão e Geovanni, o treinador do Benfica avançou com João Pereira e Léo para as alas, por forma a manter o esquema dos últimos jogos. E não foi por aí que o Benfica teve razões de queixa, embora, como é óbvio, não se deva esquecer a capacidade que Simão tem para decidir um jogo.

Malandro

Cajuda fez justiça à “casta” dos treinadores portugueses, espécie quase única no Mundo, pela capacidade de encontrarem soluções que permitam colocar um pequeno a discutir o resultado com um grande. Utilizou os avançados para colocar os laterais do Benfica em sentido, ou seja, na primeira parte toda a estratégia da equipa parecia montada em função de travar o adversário.

Com o terreno pesado e a ser vítima de fortes marcações na zona central, o Benfica entrou com dificuldades na partida. Controlando-a, tendo quase sempre a bola, mas sem encontrar soluções que a colocassem perto do golo. Aliás, em 45 minutos o campeão nacional teve apenas duas bolas de golo, no mesmo lance: livre de Manuel Fernandes (14’) para defesa apertada de Wilson, e depois Anderson a falhar a emenda na pequena área.

Engodo

O primeiro quarto de hora da segunda parte confirmou que Cajuda havia apostado tudo para enganar Koeman. Prendeu a equipa nesse período e deixou o Benfica continuar a dominar o jogo. Depois fez as substituições que já lhe deviam estar na cabeça antes mesmo de se iniciar o desafio. Lito para fazer Nélson pensar duas vezes antes de subir; Rui Miguel para levar o “meio-campo” até junto do ponta-de-lança Fogaça (que deixava a ala). Koeman foi no engodo e abdicou de Ricardo Rocha (por Mantorras), recuando Léo, até esse momento o melhor carregador de futebol ofensivo do segundo tempo. Trocou Karyaka por Assis. Nem teve tempo para ver o que aquilo ir dar: levou com o golo.

Enganou-se quem pensou que o lance de Fogaça significava o “KO” para o Benfica. Afinal, já sem China (saiu lesionado) a fechar na esquerda, a dupla Nélson/João Pereira começava a ganhar uma superioridade impressionante a Lito e Bessa.

Assalto

Num ataque de “raiva”, por sentirem que eram capazes de fazer muito melhor, os jogadores do Benfica imprimiram um ritmo fortíssimo ao jogo, velocidade de pernas e de execução que não se vira até ali. E a Naval foi ao tapete. Nélson ensaiou duas fugas e a última, simplesmente sublime, foi finalizada por Nuno Gomes para o golo do empate.

Com dez minutos ainda pela frente, sentiu-se que este assalto iria ter um final óbvio: a vitória encarnada. A Naval estava encolhida, o recurso à falta era a única forma de tentar discutir os lances. Parecia, assim, inevitável que algo acontecesse. Engano. Oportunidades até houve, mas foram desperdiçadas. A mais escandalosa teve Mantorras por protagonista: fugiu como uma “pantera” à defesa, isolou-se na cara do guarda-redes e atirou de pé esquerdo... ao lado. Há um ano resolvia num lance; ontem, falhou a chance que teve.
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