Record

Num Belenenses-Benfica demasiado táctico calculismo explica o nulo final

ENCARNADOS AINDA EM CONVALESCENÇA DEIXAM LIDERANÇA NO RESTELO

Num Belenenses-Benfica demasiado táctico calculismo explica o nulo final
Num Belenenses-Benfica demasiado táctico calculismo explica o nulo final

NUMA noite fria, um jogo onde imperou o calculismo, eis a súmula do que aconteceu sábado no Restelo. Ao longo dos 90 minutos os dedos de uma só mão sobram para contar as situações em que não houvesse superioridade numérica por parte dos defensores. Ou seja, baseados no princípio segundo o qual “cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém”, Belenenses e Benfica apresentaram-se ontem pouco afoitos, por razões diversas, é óbvio.

Os do Restelo, sabendo que amealhar um ponto com os encarnados já seria um resultado positivo, foram de um rigor defensivo extraordinário e acabaram por levar a água ao seu moinho. Os da Luz, nitidamente em fase de convalescença após o naufrágio de Vigo (que os adeptos dos azuis fizeram questão de manter vivo com gritos de “Celta, Celta, Celta”) mostraram falta de confiança para impor, desde o início, o ritmo à partida. O “bloqueio psicológico” identificado por Jupp Heynckes continua a fazer das suas, e embora o Benfica parecesse ontem mais fresco fisicamente que no passado recente, vê-se à légua que se trata de uma equipa ainda em plena crise de confiança. A dificuldade em manter a posse de bola perante o “pressing” belenense é a prova provada disto mesmo. Heynckes precisa de mais tempo para devolver ao Benfica a confiança que a equipa já mostrou noutras fases desta temporada...

MUITOS CUIDADOS

Vítor Oliveira armou o Belenenses com um sentido evidente: primeiro travar o Benfica; a seguir, espreitar o contra-ataque. Jupp Heynckes, fiel ao 4x4x2 de base, permitiu durante a primeira parte alguns recuos de João V. Pinto, para povoar mais o meio-campo. O resultado do que acaba de ser descrito foi o seguinte: por parte dos azuis, José Carlos e Cabral tapavam Maniche e Poborsky, Filgueira marcava Nuno Gomes, Tuck era o polícia de João V. Pinto e Wilson ficava nas sobras. Sempre que JVP se juntava a Nuno Gomes, o Belenenses não se coibia de apresentar um líbero e quatro defesas... No meio campo, Lito e Gouveia batalhavam com Calado e Kandaurov, enquanto que tanto Seba como Renato, postados nas alas, tinham mais cuidados com o reforço do meio-campo que propriamente com o apoio a Rui Pataca.

Com este cenário, a primeira parte decorreu lenta e previsível. Com mais nervos por parte dos encarnados e um calculismo absoluto dos comandados de Vítor Oliveira. Foram 45 minutos que apenas forneceram um momento de emoção. À passagem do minuto 26 Renato cruzou da direita para um remate de primeira de Seba que Enke defendeu muito bem.

MAIS MOVIMENTO

A segunda parte trouxe João V. Pinto mais vezes mais perto de Nuno Gomes. Também Calado e Kandaurov (embora mantivessem uma percentagem elevada de passes falhados) desenrolaram mais a “manta”, dando outra vivacidade ao jogo encarnado. Não se passou a assistir a um espectáculo de primeira água, mas os corações palpitaram mais depressa. Com o Benfica a impor o ritmo à partida, a excelência das marcações azuis tapava o perigo na baliza de Marco Aurélio. E haveria de ser Cabral a estar perto do golo (66 minutos), rematando à barra, após um canto apontado por Tuck. Respondeu o Benfica com a sua melhor ocasião (69 minutos), por Maniche que, isolado, desviou do ”keeper” azul mas para fora.

Um pouco antes começara a dança das substituições. Da parte de Vítor Oliveira, ao trocar Renato por João Paulo Brito (58), ficou clara a aposta na surpresa do contrapé; mais tarde (75), Rui Pataca deu o lugar a Doda, numa altura em que Ronaldo se começava a aventurar em tentativas de desequilíbrios e era necessário fixar os centrais encarnados; por fim (80), Baltazar rendeu Gouveia para aumentar a capacidade de briga no “miolo”.

Já Heynckes começou por criar “frisson” ao tirar João V. Pinto e meter Chano (67). Mas o capitão denotava pouca frescura e a troca justificou-se. Adiantou-se Kandaurov e ficou a certeza de que o próximo a sair seria o ucraniano, para entrar Tote; finalmente Mawete teve direito a sete minutos de glória, para reforçar o eixo do ataque.

As mudanças, de parte a parte, reforçaram tendências (defensiva dos azuis, atacante dos encarnados), sem que se verificassem consequências concretas. E quando Vítor Pereira mandou tudo para o banho o nulo era prémio e castigo para a prevalência da táctica sobre a ousadia do risco.

JOSÉ MANUEL DELGADO

Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Benfica

Notícias

Notícias Mais Vistas

M