Nuno Gomes e o título de 2004/05: «Não voltei a viver um ambiente tão espetacular»

Antigo avançado das águias lembra uma época difícil, em que o Benfica "andava com a casa às costas"

• Foto: David Cabral Santos

Nuno Gomes recordou com carinho - e alguma saudade - o título conquistado ao serviço do Benfica em 2004/05. O antigo avançado dos encarnados, numa conversa com Ricardo Rocha e Mantorras na BTV, recorda o banho de multidão, as emoções da festa e as dificuldades por que a equipa passou para ganhar aquele campeonato.

Festa bonita
"Falar do título de 2004/05 é relembrar uma das melhores memórias que vivi no Benfica. Era um título que fugia há muitos anos. Pessoalmente também o perseguia. Foi o realizar de um sonho, o culminar de uma época sofrida. No final saboreámos da melhor maneira. Lembro-me do banho de multidão à chegada ao Bessa, o apoio que tivemos nas bancadas e a viagem de regresso. Era só benfiquistas. Foi uma festa muito bonita. O Benfica começou a criar melhores condições para voltar ao que tinha sido no passado."

Festa no Bessa
"Foi uma bonita coincidência festejar num estádio que me diz muito. Vê-lo repleto de benfiquistas foi incrível. Foi uma época atípica em termos de classificação. Houve derrotas que não esperávamos e foi renhido até final. Antes de receber o Sporting, perdemos em Penafiel e isso deixou-nos numa posição difícil. Era obrigatório ganhar ao Sporting e esse foi o jogo do título. Não voltei a viver um ambiente tão espetacular."

Grupo
"Éramos um excelente grupo. Sabíamos o que era necessário para poder lutar pelo título. O mister Trapattoni foi uma peça importante. Soube gerir o plantel e motivar muitos dos jogadores que não eram tão utilizados. Criámos relações de amizade que depois transportávamos para dentro de campo. Não houve qualquer tipo de problema. Lesionei-me no Euro'2004, não fiz a pré-época e passei os primeiros meses com o Mantorras no posto médico. Ele era um talismã. Olhávamos para o exemplo dele e isso dava-nos força. Cada vez que ele entrava ou fazia um golo, a felicidade era a dobrar. Foi dos jogadores que mais me impressionaram, reunia capacidades únicas. Estávamos pouco habituados a ver. A sua alegria contagiou o grupo. O Nuno Assis, quando chegou em janeiro, também acrescentou muito. Se calhar não foi o plantel com mais qualidade em que eu já estive, mas tinha excelentes individualidades. Fora de campo, com o Álvaro, o Lourenço Coelho e o José Veiga, criámos um grupo coeso."

Benfica atual
"É impossível comparar. A equipa andava com a casa às costas. Um dia treinávamos no Estádio Nacional, no outro no Monte da Galega, depois no Real de Massamá… Acaba por interferir num trabalho que se quer competente, que se quer acima da média. No entanto, sabíamos que o investimento que estava a ser feito ia dar frutos."

Ricardo Rocha
"Era um jogador muito difícil de ultrapassar. Fez uma grande dupla com o Luisão. Era um profissional a 100 por cento, dava sempre tudo até ao último minuto. Também fazia vários golos e eu como avançado, nos treinos, percebi que era um defesa muito difícil de ultrapassar. Tinha um sentido de posição muito forte, na marcação não largava o adversário. Evoluiu muito noutros aspetos e foi dos melhores centrais com quem joguei. Se tivesse de escolher um grupo para jogar na minha equipa, o Ricardo Rocha estava lá.

Por Alexandre Moita
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