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O renascimento do Boavistão travou um Benfica de gala

UM JOGO MUITO INTENSO IMPEDIU OS ENCARNADOS DE SE AFASTAREM MAIS NO TOPO DA TABELA

O renascimento do Boavistão travou um Benfica de gala
O renascimento do Boavistão travou um Benfica de gala

O BENFICA-Boavista de domingo foi tão intenso que quem tirasse os olhos do relvado por meros segundos se arriscava a perder vários acontecimentos importantes. Acabou empatado, com justiça, pois se o Benfica fez uma boa primeira parte, aproveitando o futebol sem comprimento que vinha do Bessa, o Boavista respondeu com uma segunda parte plena de velocidade, espírito ofensivo e risco por vezes desvairado. Ao manterem a malapata nos jogos com o Boavista em casa (não ganham desde 94/95), os “encarnados” perderam a oportunidade de fugirem ainda mais ao FC Porto, que lá continua, a quatro pontos.

O início do jogo mostrou um Boavista talvez demasiado cauteloso e um Benfica a aproveitar-se disso para dominar. Jaime Pacheco, que viaja de remendo em remendo, tantos são os indisponíveis na sua equipa, pediu a Luís Manuel que se encostasse a João Pinto. Mas o vila-condense, que devia formar o trio de meio-campo com Rui Bento e Emanuel, acabou por não fazer uma coisa nem outra: falhou na marcação ao benfiquista, que correu mais na primeira parte de ontem do que muitos fazem num jogo inteiro; e fez falta lá à frente, onde Rui Bento e Emanuel tiveram que pedir auxílio a Timofte para solidificar o meio-campo. Ora, o romeno devia ser o extremo-esquerdo, mas já não tem energia para essas aventuras, pelo que o Boavista se descompensou, desaproveitando o flanco mais fraco da defesa benfiquista.

Muito arrumado e jogando sempre em velocidade, especialmente quando a bola chegava aos pés de João Pinto ou Bruno Basto, o Benfica criava lances perigosos: os primeiros seis minutos viram dois, com alívios desesperados na pequena área. Contudo, com o passar do tempo, Bruno Basto foi saindo de cena. E o Boavista, que só tinha dado sinal de vida num chuto inofensivo de Timofte, até falhou a ocasião mais perigosa do desafio: no contra-ataque, Jorge Couto isolou Timofte que, perante Enke, optou por chutar de primeira, ao lado. Quatro minutos depois (32'), João Pinto fez golo, num remate fulminante de 25 metros a que nem um desvio de cabeça de Jorge Silva tira intencionalidade. O Benfica saía na frente com justiça.

Na segunda parte, porém, Jaime Pacheco mexeu na equipa. Lá se decidiu a arriscar e não pode ter-se arrependido. Trocou de avançado (Augustine por Whelliton) e substituiu um médio por um extremo (Emanuel por Martelinho). Corria o risco de ficar sem o meio-campo, pois Rui Bento só tinha Timofte a quem recorrer (o que em termos defensivos é pouco), mas apostou na velocidade desenfreada que a sua equipa passou a dar ao jogo. E este não parou para deixar ninguém pensar: passou a correr a 200 à hora, com o Boavista ao volante. Logo na primeira jogada da segunda parte, Martelinho fugiu a Paulo Madeira e chutou ao lado. Pouco depois, Okunowo coroou mais uma exibição desastrada com um passe atrasado que Jorge Couto aproveitou para se isolar. Sérgio Nunes derrubou-o, mas Enke começou uma série de excelentes defesas e impediu Timofte de concretizar o “penalty”.

Heynckes é que não ficou a ver e substituiu o nigeriano por Tahar El Khalej. Não ganhou muito com isso. Por um lado porque o jogo continuou a ser de sentido único, com Enke a defender mais três bolas difíceis, uma das quais (cabeceamento de Litos) impossível. Por outro, porque El Khalej foi expulso 18 minutos depois. E deu a Jaime Pacheco o pretexto para arriscar mais. Saiu o defesa-esquerdo (Pedro Emanuel), entrou um médio ofensivo (Rogério). E se falhou de uma forma ridícula a primeira oportunidade de que dispôs, Whelliton acabou por fazer o empate, antecipando-se a Enke, que saíra precipitadamente da baliza.

De nada valeu uma revolta comandada pelo clarim de Chano: a equipa da casa, que nos primeiros 40 minutos da segunda parte só visara a baliza de Ricardo por uma vez, viu a vida facilitada pela forma infantil como Whelliton se fez expulsar e ainda teve ocasiões para ganhar. Três e todas falhadas. Ficou a justiça no marcador.

ANTÓNIO TADEIA

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